O manejo integrado de plantas daninhas consiste na adoção de um conjunto de medidas para prevenir e controlar essas espécies. O sistema traz benefícios para toda área de cultivo e não apenas àquela em que a cultura está se desenvolvendo.

Em se tratando de controle químico é importante salientar a resistência de plantas daninhas aos herbicidas e o manejo de invasoras nas culturas geneticamente modificadas para resistência a herbicidas. A principal solução para evitar o aparecimento ou disseminação de plantas daninhas resistentes é planejar o controle químico com a utilização de herbicidas de diferentes mecanismos de ação.

Atualmente no Brasil encontramos diversas plantas daninhas resistentes ao mecanismo de ação de alguns dos principais herbicidas disponíveis no mercado. Devido a este motivo, devemos utilizar diferentes estratégias de manejo no controle de plantas invasoras, tais como: plantio direto, rotação de diferentes mecanismos de ação durante o processo produtivo/safras; rotação de culturas; redução do banco de sementes das plantas daninhas durante a entressafra, entre outras.


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Quando se trata da soja, é de extrema importância que o cultivo inicie no limpo, pois a cultura tolera o convívio com plantas daninhas por um período de tempo muito curto, de cerca de 18 dias após a emergência ou de 7 dias em condições adversas, após a emergência, por isso, o uso do pré-emergente também é um fator fundamental para o controle de plantas daninhas e a garantia de que a cultura semeada será estabelecida no limpo.

Pensando nisso, na terceira temporada do Dicas Mais Soja, Rafael Pedroso, pesquisador da ESALQ, em São Paulo, explicou um pouco mais sobre as novas tecnologias de tolerância a herbicidas que estão sendo lançadas para o manejo de plantas daninhas, principalmente nas culturas transgênicas de soja, milho e algodão, além dos cuidados que devemos ter para que essas tecnologias sejam utilizadas corretamente e como podemos extrair ao máximo cada uma delas.



Segundo o pesquisador, essas tecnologias certamente irão revolucionar todo o manejo que atualmente é realizado em relação às plantas daninhas. As tecnologias se referem, basicamente, às culturas de soja, milho e algodão, com tolerância a herbicidas como Dicamba e 2,4-D, que são herbicidas auxínicos e o isoxaflutole que é um herbicida pré-emergente, inibidor da biossíntese de carotenóides.

Porém, o mais importante a se fazer para garantir e preservar essas tecnologias é que a gente não repita futuramente os erros do passado, como a simplificação do sistema, com poucas ferramentas de manejo, gerando a seleção de plantas resistentes, destacou o pesquisador.

Rafael destaca que essas novas tecnologias irão revolucionar o mercado brasileiro nos próximos anos, e deve-se atentar para um bom manejo e uso eficiente dessas técnicas, evitando que ocorram problemas como têm ocorrido nos EUA, por exemplo, como problemas de aplicação.


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As tecnologias irão revolucionar porque trazem produtos que não eram utilizados anteriormente durante o cultivo das culturas, e que agora passa-se a ter uma nova ferramenta de utilização que visa o manejo da resistência a herbicidas em plantas daninhas.

Conforme destacado pelo pesquisador, atualmente, temos no Brasil mais de 50 casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas, onde algumas delas já são muito conhecidas entre os agricultores e temas de muitos trabalhos e pesquisas como a buva, o capim-amargoso e o caruru. Boa parte dessas novas tecnologias visam o manejo de resistência a glifosato nessas plantas daninhas.

Confira abaixo quais são essas novas tecnologias e suas principais características:

Xtend®

Tolerância à Dicamba e Glifosato – A soja xtend® é uma tecnologia atualmente da Bayer que foi comprada da Monsanto, que visa a utilização de Dicamba, herbicida auxínico utilizado no Brasil desde a época de 60, com indicação de uso em pós-emergência, tanto na soja como no algodão.

Essa tecnologia veio para o manejo de folhas largas, também chamadas latifoliadas, principalmente aquelas de difícil controle e tolerantes ao glifosato como a poaia-branca, erva quente, corda-de-viola, buva e caruru.

Essa tecnologia já existe nos EUA há alguns anos e o problema que foi observado no momento da aplicação foi a deriva do produto para áreas de soja que não possuem a tecnologia e que não tolera o Dicamba em pós-emergência, uma vez que a soja sem a tecnologia Xtend® é extremamente sensível ao Dicamba em pós-emergência.

O problema se dá principalmente porque o produto possui uma volatilização um pouco maior do que, por exemplo, o 2,4-D amina e do próprio glifosato e somado ao fato de que muitas vezes os tanques não eram devidamente lavados após utilização do produto, resultando em problemas de fitotoxixidade em outras culturas.

Com isso, Rafael Pedroso cita que as formulações que serão vendidas no Brasil deverão ter as seguintes características:

  • Serão menos voláteis;
  • A presença de adjuvantes será obrigatória;
  • Deverá ser aplicado em gotas mais grossas para reduzir o problema de deriva;
  • Evitar aplicação em momentos inadequados como: ventos acima de 8km/hora, umidade relativa muito baixa e temperatura inadequada;
  • Realizar a lavagem perfeita dos tanques com amoníaco para evitar resíduos.

O pesquisador destaca que deveremos contar com os esforços tanto da assistência técnica como dos meios de comunicação, universidades e afins para que esses cuidados sejam tomados, já que inicialmente muitas lavouras, até mesmo de soja plantadas ao redor das lavouras com a tecnologia, ainda serão sensíveis ao produto e o uso inadequado da mesma poderá trazer enormes problemas, como no caso dos EUA.



Enlist

Tolerância ao 2,4-D, Glifosato e Glufosinato – Essa tecnologia virá tanto para a soja como para o algodão e para o milho, neste último caso, com tolerância a graminicidas, principalmente àqueles que chamamos de “fope”.

Esse produto também irá ajudar muito no manejo de plantas resistentes ao glifosato, permitindo a aplicação em pós-emergência, porém, deve-se tomar muito cuidado com as culturas vizinhas no momento da aplicação.

 Será muito mais desafiador para o produtor a utilização dessas tecnologias em comparação ao que foi a aplicação de glifosato, por exemplo, porque tem-se muitas cultas sensíveis ao redor, como vinhedos, áreas de citros e pomares, ressalta o pesquisador.

GT27

Tolerância ao isoxaflutole: Liberty e Glifosato – trata-se de uma soja tolerante ao  isoxaflutole, que neste caso é um pré-emergente que já é utilizado em milho, batata e cana-de-açúcar no Brasil que terá um efeito grande para o manejo de daninhas, além das folhas largas, nesse caso também terá uma ação específica sobre gramíneas, sobretudo em relação ao capim-amargoso.

Por fim, o pesquisador da ESALQ coloca que as novas tecnologias serão uma ferramenta a mais no manejo integrado de plantas daninhas, porém nunca serão a solução, pois uma solução sozinha não dura muito tempo, devendo ser integrada em outras várias soluções, para que assim possamos preservar essas tecnologias por muitos anos.

Para ouvir a conversa do pesquisador com o Mais Soja, assista o vídeo abaixo.



Elaboração: Engenheira Agrônoma Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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