O trigo (Triticum aestivum) é uma gramínea cultivada mundialmente, sendo a segunda maior cultura de cereais, ficando atrás apenas do milho. Em 2017, a produção de trigo no Brasil somou 4,2 milhões de toneladas, sendo o Paraná e Rio Grande do Sul os Estados que concentram cerca de 90% da produção nacional.

Um dos principais entraves para a produção e comercialização do trigo são as doenças causadas por bactérias, fungos e vírus. Entre as doenças mais frequentes que afetam o cultivo de trigo no Brasil, destaca-se a mosaico-do-trigo, normalmente ocasionada pelos vírus Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV) e Wheat spindle streak mosaic virus (WSSMV).

Recentemente, pesquisadores brasileiros caracterizaram molecularmente espécies virais associadas a plantas de trigo que apresentavam sintomas de mosaico, como clorose, necrose, limbo foliar deformado, tamanho reduzido, entre outros. A coleta das folhas e hastes sintomáticas foi feita em diferentes cultivares de trigo do município de Passo Fundo (RS).



Os resultados mostraram que a sequência genômica encontrada não se referia aos vírus SBWMV e WSSMV, e sim a um novo membro da família Benyviridae, cujo nome proposto foi Wheat stripe mosaic virus (WhSMV).

Além disso, também foi demonstrado que Polymyxa graminis está associado a raízes de plantas de trigo apresentando sintomas do mosaico-do-trigo, podendo ser um possível vetor dessa nova espécie.

Vale lembrar que P. graminis é uma espécie de solo, parasita obrigatório comum em raízes de gramíneas e, embora não seja patogênico, é responsável pela transmissão de alguns vírus de importância agrícola, incluindo o SBWMV.

Considerando a importância da cultura do trigo, é necessário que sejam feitos estudos mais aprofundados sobre o vírus WhSMV para determinar seu potencial de dano tanto no trigo como em outras culturas e para o estabelecimento de métodos de controle.

Os produtores devem ficar atentos ao aparecimento dos sintomas e à presença do vírus na lavoura, pois pode resultar na redução da produção e comprometer os produtos finais.

Para saber mais: Valente et al. (2018)

Fonte: Defesavegetal.net

Texto originalmente publicado em:
Defesavegetal.net
Autor: Defesa Vegetal

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