Uma das premissas importantes do manejo integrado de pragas (MIP) se fixa em monitorar, ou seja avaliar a presença e mensurar a pressão de um determinado inseto. Com os percevejos esta operação se configura em uma estratégia importantíssima pensando em nível de dano e controle.

Tanto em produção de semente quanto grãos os danos decorrentes do ataque de percevejos acarretam em prejuízo no bolso do produtor. Tendo em vista a quantificação da presença da praga em áreas de cultivo é que estudos tem sido desenvolvidos a respeito da distribuição e amostragem de percevejos das espécies de maior relevância e ocorrência, atualmente em soja.

Os trabalhos vistos em sequencia foram feitos tendo em vista a inexistencia de  uma metodologia universal para amostrar insetos. E para que se haja realmente uma amostragem representativa deve-se levar em conta alguns parâmetros como: base estatística, conhecimento da distribuição da praga, bem como seu ciclo e alimentação, além é claro do cunho financeiro e operacionalidade.



Basicamente, o objetivo dos três trabalhos é facilitar e assegurar uma representatividade na amostragem, bem como dispor de uma tomada de decisão com bases estatísticas de probabilidade.

Percevejos em geral

No trabalho realizado por Stefanelo em 2017, a amostragem foi feita de forma geral (ninfas e adultos), sendo encontrados indivíduos de Euchistus heros, Nezara viridula, Piezodorus guildinii, Dichelops furcatus, Edessa meditabunda, Chinavia sp.. O experimento foi conduzido nas safras agrícolas de 2010/11 e 2012/13. Para a amostragem foi utilizado pano de batida vertical, foram feitas 2156 coletas, na primeira safra em 14 estádios fenológicos e na segunda 8. Após as analises estatísticas foi observado que a distribuição de ninfas se deu ao acaso, e a de adultos é moderadamente agregada à aleatória. O número máximo de unidades amostradas é 16, e a média é de 2 percevejos adultos/batida de pano.

Com base nas análises estatísticas e na distribuição encontrada foi possível gerar um gráfico de amostragem, este que serviu de base para construção da fixa de campo:


AMOSTRAGEM A CAMPO:  A amostragem é feita de forma aleatória e são considerados percevejos adultos, após a contagem de cada ponto amostral é anotado na planilha de campo, até que o número de amostragem seja o suficiente para tomada de decisão, onde o número minimo de amostragem é 6.

A cada unidade amostrada compara-se o valor acumulado com os valores dos limites do gráfico (inferior e superior).

Euchistus heros

O trabalho realizado por Souza, sobre amostragem de Euchistus heros foi feito na safra agrícola de 2010/2011, e este, mostra que as ninfas e adultos apresentaram o mesmo padrão de distribuição espacial na cultivar convencional e transgênica, onde a distribuição espacial de ninfas de 1º ao 3º instar é agregada e de adultos e ninfas de 4º e 5º instar mais adultos, apresentaram variação na disposição, de moderadamente agregada à aleatória, número máximo de unidades amostrais esperado, para se tomar a decisão, encontra-se em torno de nove.

Através da figura abaixo foi possível confeccionar uma ficha de campo para facilitar o trabalho de amostragem sequencial no campo:

AMOSTRAGEM A CAMPO: Percorre-se a área, realizando a batida de pano ao acaso e realiza-se a contagem de ninfas de 4º e 5º ínstar e adultos encontrados, esse número vai sendo acumulado após cada unidade amostral ou pano de batida.

A cada unidade amostrada compara-se o valor acumulado com os valores dos limites do gráfico (inferior e superior).

Se o valor acumulado permanecer entre as duas linhas, deve-se continuar amostrando até atingir o número máximo esperado de ninfas e adultos para a tomada de decisão, quando suspende-se a amostragem, devendo repeti-la antes da próxima amostragem programada, que deve ser de uma semana (GALLO et al. 2002).

Piezodorus guildinii

No trabalho realizado por Santos conduzido na safra 2012/2013, verifica-se que a distribuição espacial da população de ninfas de 1º ao 3º instares, 3º instar, 4º e 5º instares, adultos distribuem-se de forma agregada na cultura de soja. O número máximo de unidades amostrais esperado, para se tomar a decisão, encontra-se em torno de 23 em campos para produção de grãos e 29 em campos para produção de sementes.

Neste trabalho foram criados planos para soja destinada a grãos para a indústria, e outro para soja destinada a sementes. Os planos foram elaborados para amostragem de ninfas de 4º e 5º ínstar mais adultos, sendo que a tomada de decisão de controle é realizada quando se encontra nas amostragens ninfas maiores que 5 mm (4º e 5º ínstar e adultos) (HOFFMANN-CAMPO et al., 2000).

Na construção do plano de amostragem sequencial para campos de soja destinada a grãos, o nível de controle (m1) adotado foi de 4,0 percevejos maiores que 5 mm (4º e 5º ínstar mais adultos) por pano de batida e o nível de segurança (m0) adotado foi fixado em 2,0 percevejos maiores que 5 mm (4º e 5º ínstar mais adultos). E para os campos de produção de soja para sementes, o nível de controle (m1) foi fixado em 2,0 percevejos maiores que 5 mm por pano de batida. O nível de segurança (m0) foi fixado em 1,0 percevejos maiores que 5 mm com base na hipótese H0 : m0 = 1,0 versus H1 : m1 = 2,0.

O nível de controle adotado teve como base a circular técnica da Embrapa Soja (HOFFMANN-CAMPO et al., 2000) e o nível de segurança (m0) foi obtido com base na metade dos níveis de controle (limite inferior) para a produção de grãos e sementes.

A partir da Figura 1 e 2 foi possível confeccionar uma ficha de campo para facilitar o trabalho de amostragem sequencial no campo de produção de grãos e sementes.

AMOSTRAGEM Á CAMPO: Percorre-se a área, realizando a batida de pano ao acaso e realiza-se a contagem de ninfas de 4º e 5º ínstar e adultos encontrados; esse número vai sendo acumulado após cada unidade amostral ou pano de batida. A cada unidade amostrada compara-se o valor acumulado com os valores dos limites do gráfico (inferior e superior).

Os limites inferior e superior são empregados para tomada de decisão e em caso de suspensão da amostragem, repeita-se o parâmetro mencionado no trabalho anterior.

Bibliografia de apoio

SANTOS, Leticia Serpa dos. Distribuição espacial e plano de amostragem sequencial para Piezodorus guildinii (Westwood, 1837) (Hemiptera: Pentatomidae) na cultura de soja transgênica RR®. 2014. iii, 47 p. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2014. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/111047>.

SOUZA, Leandro Aparecido de. Distribuição espacial e plano de amostragem sequencial para Euschistus heros (Fabricius, 1794) (Heteroptera: Pentatomidae) na cultura da soja convencional e transgênica. 2012. iii, 52 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/91323>.

STEFANELO, Lucas da Silva. Amostragem Sequencial para avaliação de lagartas e percevejos em soja. 2017. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Santa Maria. Disponível em: <https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/11639/Stefanelo,%20Lucas%20da%20Silva.pdf?sequence=1>

 

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