O controle de plantas daninhas é uma prática indispensável para evitar a matocompetição. Além de consumir os recursos disponibilizados à cultura agrícola, a matocompetição influi negativamente na produtividade da cultura, impactando de forma negativa o desempenho das plantas cultivadas.

O controle químico é a ferramenta mais utilizada atualmente para o controle de plantas daninhas em larga escala, entretanto, a pressão de seleção imposta pela utilização fiel de herbicidas com mesmo mecanismo de ação acarretou na seleção de alguns biótipos de plantas daninhas resistentes, resultando no aumento de casos de resistência de plantas daninhas a herbicidas em um cenário global.

Figura 1. Evolução da resistência de plantas daninhas a diferentes mecanismos de ação a nível global.

Adaptado: Heap (2020).

Com o advento da tecnologia RR, a soja cultivada com essa tecnologia passou a utilizar cada vez mais o glifosato no controle das plantas daninhas, entretanto, essa utilização acabou desencadeando casos de resistência de plantas daninhas como a Buva (Conyza spp.) ao herbicida.



A Buva é uma planta daninha de rápido crescimento, elevada produção de sementes as quais apresentam dispersão facilitada, a planta também apresenta elevada capacidade competitiva. Segundo dados do grupo Supra Pesquisa, uma planta de Buva por metro quadrado de área quando no cultivo da soja pode acarretar em perdas de produtividade de até 14% na cultura. Dentre as principais espécies de Buva comumente encontradas nos cultivos agrícolas destacam-se a Conyza bonariensis, Conyza canadensis e Conyza sumatrensis.

Figura 2. Conyza bonariensis

Fonte: Lorenzi (2014).

Segundo Lorenzi (2014), a C.bonariensis é uma planta anual, com altura variando normalmente entre 0,6 e 1,2m que apresenta caule folioso e quase sem ramificações, tem como característica a florescência na coloração branca, sendo muito parecida com a C.sumatrensis.

Figura 3. Conyza canadensis

Fonte: Lorenzi (2014).

A C.canadensis também é uma planta anual de caule folioso, difere-se da C.bonariensis por possuir panícula por possuir panícula maior (Lorenzi, 2014), além disso, as diferenças no limbo foliar são nítidas, sendo que a C.canadensis apresenta folha “mais recortada” quando comparada a C.bonariensis.

Figura 4. Conyza sumatrensis

Fonte: invasoras.pt

A C.sumatrensis por sua vez apresenta porte um pouco superior, podendo alcançar até 2m, sendo uma planta de aspecto mais robusto.

No Brasil, Segundo Heap (2020), os primeiros casos de Buva resistente ao glifosato foram observados em 2005 para as espécies de C.bonariensis e C.canadensis, posteriormente em 2010 casos de resistência de C.sumatrensis foram observados em território nacional.

A partir desse eventos, novas estratégias de manejo tiveram que ser tomadas para evitar o avanço dos casos de resistência, sendo uma delas a rotação de mecanismos de ação de herbicidas. Entretanto, Heap (2020) destaca que além da conhecida resistência ao glifosato, casos de resistência de C. sumatrensis foram observados sobre:

  • inibidores de ALS (clorimurom-etil) em 2011;
  • clorimurom-etil e glifosato em 2011, configurando casos de resistência múltipla;
  • paraquat em 2016;
  • saflufenacil em 2017;
  • clorimuron-etil, glifosato e paraquat também em 2017;
  • 2,4-D, diuron, glifosato, paraquat e saflufenacil também em 2017 destacando assim o crescente aumento no número de casos de resistência da planta daninha a diferentes mecanismos de ação, somando-se ao todo seis mecanismos de ação diferentes, sendo eles (EPSPS, ALS, PSI, inibidores de PPO, PSII e mimetizadores de auxinas).

Tendo em vista a crescente expansão dos casos de resistência e o importante papel do glifosato no sistema de produção, é fundamental pensar em estratégias que possibilitem a continuidade e viabilidade da utilização do produto no sistema de produção. Além da conhecida recomendação da rotação de mecanismos de ação de herbicidas, cabe destacar que medidas culturais apresentam considerável efeito na redução da incidência da Buva, sendo uma delas a cobertura do solo.

Por se tratar de uma planta fotoblásticas positiva, a buva necessita de radiação solar pra a realização do processo germinativo, sendo assim, adotar culturas que possibilitem maior cobertura do solo tende a “frear” os fluxos de emergência da planta daninha nas áreas de cultivo.

Outra alternativa interessante é a utilização de herbicidas pré-emergentes, possibilitando o controle das plantas daninhas no bando de sementes do solo e viabilizando a semeadura da soja em ambiente mais propício. Atenção especial deve ser dada ao período anterior a interferência (PAI), visando aumentar esse período e consequentemente diminuindo o período crítico de prevenção a interferência (PCPI).

Na utilização de herbicidas pós-emergentes, deve-se dar prioridade para a dessecação da buva nos estádios iniciais do seu desenvolvimento, período esse em que a planta torna-se mais vulnerável a ação dos herbicidas.

Confira também: Herbicidas pré e pós emergentes na dessecação e controle de buva na cultura do milho

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Referências:

HEAP, I. ABELHA-PULGA DE SUMATRANA RESISTENTE A HERBICIDAS GLOBALMENTE (Conyza sumatrensis). weedscienci.org, disponível em: < http://weedscience.org/Pages/Species.aspx>, acesso em: 02/09/2020.

HEAP, I. CHRONOLOGICAL INCREASE INRESISTANT WEEDS GLOBALLY. weedscience. Disponível em: <http://weedscience.org/Pages/Graphs/SOAGraph.aspx>, acesso em: 02/09/2020.

INVASORAS.PT. Conyza sumatrensis (AVOADIHA-MARFIM). Invasoras,pt, disponível em: <https://saidaslagunadeaveiro.files.wordpress.com/2014/05/n_conyza-sumatrensis.pdf>, acesso em: 02/09/2020.

LORENZI, H. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO E CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS: PLANTIO DIRETO E CONVENSIONAL. Instituto Plantarum, 2014.

 

 

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