Os fatores climáticos são de extrema importância na produção agrícola, visto que as condições meteorológicas são consideradas limitantes e determinam se a cultura conseguirá expressar, ou não, seu máximo potencial produtivo. Desse modo, em anos que ocorrem os fenômenos El Niño ou La Niña, os agricultores se atentam às decisões a serem tomadas e aos respectivos manejos adequados para a lavoura.

Mas como ocorrem esses eventos? Os fenômenos El Niño e La Niña podem ser caracterizados através de duas variáveis, uma de ordem da natureza oceânica, pela variação de temperatura na porção equatorial do oceano Pacífico, e outra de ordem da natureza atmosférica, representado pelas oscilações do Sul (correlação inversa entre a pressão na superfície sobre os oceanos Pacífico e Índico).

O evento climático chamado de La Niña, ocorre de forma resumida quando ocorre uma diminuição da temperatura média das águas do Oceano Pacífico. Essa alteração nas temperaturas do Oceano Pacífico resulta em consequências climáticas que afetam a concentração de chuvas, determinam locais de secas e a distribuição de calor. No Brasil, esses fenômenos acarretam em estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e, principalmente, Sul, ocorrendo exatamente o oposto no Norte e Nordeste do país, onde se verifica aumento da estação chuvosa e enchentes mais vigorosas.

O ano de 2020 se caracteriza pela ocorrência do fenômeno La Niña, onde, assim como no ano anterior, a agricultura no Sul do país sofre com a falta de chuvas. Anos como esse, fazem os produtores perceberem o quão relevante é o planejamento agrícola, já que manejos culturais para enfrentar uma estiagem requerem cuidados antes mesmo da instalação de uma lavoura. O planejamento se refere principalmente a época de plantio, ciclo das cultivares e se há ou não a possibilidade de irrigação das lavouras.

Estando dentro do zoneamento climático da cultura, a semeadura deve ser efetuada em uma condição de solo adequada para que ocorra a germinação das sementes, visto que, como já colocado anteriormente, as chuvas são raras em anos de La Niña. Aliado a isso, deve-se observar o ciclo das cultivares, onde, cultivares tardias, que possuem ciclo mais longo, devem ser priorizadas para esses anos atípicos onde há escassez de chuvas, uma vez que a falta de água em determinado momento do ciclo pode ser minimizada com uma chuva mais tardia, a qual não traria efeito para uma cultivar de ciclo curto. O decréscimo na produtividade pela falta de água é irreversível, principalmente em períodos como o de enchimento de grãos, mas estratégias, como a escolha correta da cultivar, o cuidado com o solo sob o ponto de vista de melhorar sua capacidade de armazenamento de água podem reduzir essas perdas.

Por último, um dos manejos mais eficientes para se enfrentar uma estiagem é o uso de irrigação, o qual suprirá com eficiência as exigências de água das plantas. Contudo, esse manejo está diretamente ligado à outros fatores que não são culturais e que podem impedir os agricultores de fazerem uso dessa técnica, tais como o tamanho da área, água disponível para a irrigação e, principalmente, o fator capital, já que a instalação de irrigação em lavouras comerciais exige alto valor de investimento e alto custo de manutenção.

Autores: Denise Maria Vicente e Gabriel Augusto Rambo Soares, acadêmicos do curso de Agronomia da UFSM, campus Frederico Westphalen, membros do Programa de Educação Tutorial – PET Ciências Agrárias, sob acompanhamento do tutor professor Dr. Claudir José Basso.

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.