O controle de plantas daninhas é indispensável para a manutenção da produtividade da soja, evitando a competição entre plantas daninhas e cultivadas por água, radiação solar e nutrientes, possibilitando assim, o melhor crescimento e desenvolvimento da cultura. Embora possam existir outros métodos de controle, a nível de campo e comercial, o controle químico com o uso de herbicidas é o mais utilizado atualmente.

Após o surgimento da soja RR (roundup ready), o glifosato passou a ser o herbicida mais utilizado no controle de plantas daninhas em lavouras de soja, possibilitando o controle eficiente de diversas espécies em meio a soja. Contudo, além do adequado posicionamento do herbicida, a tecnologia de aplicação e as condições ambientais no momento da aplicação, são determinantes para o controle eficiente de plantas daninhas.

Embora seja comum avaliar condições de temperatura e umidade relativa do ar visando definir o melhor momento de aplicação de herbicidas, a nível de campo, algumas adversidades podem ocorrer durante ou após a aplicação dos defensivos, podendo até mesmo comprometer a eficácia da aplicação, a exemplo de chuvas após a aplicação.

Qual o intervalo necessário entre a aplicação do glifosato e a ocorrência de chuvas para um controle eficiente de plantas daninhas?

O tempo necessário para a absorção do glifosato por uma planta varia de acordo com as características do herbicida e folha, tais como limbo foliar e espessura da cutícula e lipofilicidade do herbicida. Alguns herbicidas necessitam de até seis horas sem chuva, após a aplicação, para serem absorvidos em quantidade suficiente para um bom controle de plantas daninhas (Vargas; Gleber, 2005).



Um desses herbicidas é o glifosato, sua absorção pela cutícula é lenta e dependendo da formulação, pode requerer um período de até 6 horas sem chuvas após a aplicação para que o controle de plantas suscetíveis seja satisfatório (Vidal et al., 2014). Cabe destacar que conforme observado por Martini; Pedrinho Junior; Durigan (2003), o tipo de formulação do herbicida também pode influenciar no intervalo entre aplicação e chuva, sendo que para a formulação glifosato potássico, os autores observaram valores de intervalo entre aplicação e chuva de 4 horas para um controle eficiente de plantas daninhas.

Valores ainda inferiores foram obtidos por Souza et al. (2011) no controle de Eichhornia crassipes e Pistia stratiotes, onde os autores observaram que o intervalo de apenas 2 horas entre aplicação e chuva já foi suficiente para proporcionar controle satisfatório dessas plantas. Atualmente, os avanços tecnológicos e investimentos em novos produtos, possibilitaram o desenvolvimento de algumas formulações modernas de glifosato com rápida absorção, sendo possível em alguns casos que o intervalo de apenas 1 hora entre aplicação e chuva já seja o suficiente para não comprometer a eficácia do controle (Sumitomo Chemical).

Contudo, cabe destacar que esse intervalo pode variar de acordo com características do produto, dos sais que compõem a formulação e a planta a ser controlada, sendo mais prudente estabelecer um período mínimo de intervalo entre aplicação e chuva para o adequado controle de plantas daninhas. Consulte um Engenheiro(a) Agrônomo(a).

Referências:

MARTINI, G.; PEDRINHO JUNIOR, A. F. F.; DURIGAN, J. C. EFICÁCIA DO HERBICIDA GLIFOSATO-POTÁSSICO SUBMETIDO À CHUVA SIMULADA APÓS A APLICAÇÃO. Bragantia, Campinas, v.62, n.1, p.39-45, 2003. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/brag/a/jZTpdp3nwNdsCyFJcQnpbbK/?lang=pt >, acesso em: 29/12/2021.

SOUZA, G. S. F. et al. AÇÃO DA CHUVA SOBRE A EFICIÊNCIA DE GLYPHOSATE NO CONTROLE DE Eichhornia crassipes E Pistia stratiotes. Planta Daninha, Viçosa-MG, v. 29, n. 1, p. 59-64, 2011. Disponível em: < https://www.scielo.br/j/pd/a/PRmTHZ5t5JgrHSLm4j3CtFy/?lang=pt&format=html >, acesso em: 29/11/2021.

SUMITOMO CHEMICAL. CRUSCIAL: HERBICIDA. Disponível em: < https://www.adapar.pr.gov.br/sites/adapar/arquivos_restritos/files/documento/2020-10/crucial0920.pdf >, acesso em: 30/12/2021.

VARGAS, L.; GLEBER, L. SISTEMA DE PRODUÇÃO DE AMEIXA EUROPÉIA. Embrapa, 2005. Disponível em: < https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Ameixa/AmeixaEuropeia/tecnologia.htm >, acesso em: 29/12/2021.

VIDAL, R. A. et al. FATORES AMBIENTAIS QUE AFETAM A EFICÁCIA DE GLIFOSATO: SÍNTESE DO CONHECIMENTO. Pesticidas: r. ecotoxicol. e meio ambiente, Curitiba, v. 24, p. 43-52, jan./dez. 2014. Disponível em: < https://revistas.ufpr.br/pesticidas/article/view/39028/23775 >, acesso em: 29/12/2021.

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