O tamanduá-da-soja, Sternechus subsignatus (Boheman) (Coleoptera: Curculionidae), chamado também de bicudo-da-soja, anualmente ocorre em lavouras de soja do estado do Rio Grande do Sul, destacando-se as localidades de Catuipe, Cruz alta, Ijuí, Ibirubá, Itaara, Júlio de Castilhos, Quevedos, São Martinho, e Tupaciretã, com surtos de emergência dos adultos e injúrias concentradas  entre o final do mês dezembro e início de janeiro. 

Tal ocorrência também foi mencionada pela Emater – RS (acesse clicando aqui), em seu boletim publicado na quinta feira (03/01), onde menciona que no RS, está sendo realizada a primeira aplicação de fungicida, no entanto o que preocupa é o intenso ataque do tamanduá da soja em áreas próximas a Ijuí e Ibirubá. Nestas, o uso de Fipronil para realizar o controle preocupa os apicultores com cultivos próximos.



Essa praga já foi reportada por Hoffmann-Campo et al. (1990) neste estado, e apresenta ampla distribuição geográfica, do Rio Grande do Sul à Bahia. O sistema plantio direto favorece a ocorrência da praga, especialmente quando não há rotação de culturas (SILVA & KLEIN, 1997).

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Nessa época do ano, os adultos, com listras amarelas no dorso da cabeça e nos élitros, emergem do solo e raspam caules e pecíolos de plantas de soja, onde as fêmeas realizam a postura. Com o passar do tempo, nesse local ocorre engrossamento do caule, formando uma galha, podendo levar a quebra de plantas de soja com a ação do vento. A partir disso se desenvolvem as larvas que no quinto instar hibernam novamente no solo a uma profundidade de cerca de 10 cm, onde passam para a fase de pupas também apresentam coloração esbranquiçada e seu ciclo 17,2 dias (HOFFMANN-CAMPO et al. 1991).

Adulto do Tamanduá da soja

O S. subsignatus apresenta uma única geração por ano, e seus estádios ocorrem em épocas bem definidas. Segundo Ávila e Grigolli (2014), observa-se um pico populacional em dezembro na região Centro-Sul do País, mas pode ser encontrado causando danos durante todo ciclo da soja.

Fonte da Imagem: Embrapa

O tamanduá da soja é uma paga que preocupa produtores nos estádios iniciais da cultura da soja, sendo um fator limitante a produção com danos até irreversíveis quando em elevado nível populacional. A preocupação maior é quando produtor trabalha em monocultivo de soja, e embora seja sentida nos estágios iniciais com maior intensidade devido a baixa no stand de plantas, o ataque pode ser sentido mais tardiamente, por ocasião do desenvolvimento da fase larval (galhas), onde a planta fica fragilizada e propensa a quebra por ocasião de chuvas ou ventos fortes (HOFFMANN-CAMPO et al., 1990).


Você pode conferir a lista de produtos registrados acessando o Sistema Agrofit, clicando aqui.


Dicas de manejo e controle:

  • Respeitar os pilares do Manejo Integrado de Pragas: monitorar semanalmente as áreas com amostragem das pragas, sua identificação e uso de níveis de controle flexíveis.
  • Atentar para o comportamento dos adultos: a amostragem e a aplicação de inseticidas para o controle devem ser realizadas no final do dia ou início da manhã, quando os insetos encontram-se nas partes superiores das plantas de soja (Grellmann et al. 2004)
  • Controle em bordadura ou localizado de adultos de tamanduá-da-soja, realizado com o ingrediente ativo fipronil (atentar para a proibição de seu uso na fase de florescimento da cultura).
  • Em áreas onde foram registrados ataques nessa safra, realizar amostragem na entressafra, abrindo trincheiras (nos meses de maio a setembro) nas linhas onde anteriormente se cultivou soja, onde possivelmente serão encontradas as larvas em estádio de hibernação.
  • Confirmada a presença de mais de 2 larvas/m² de solo do tamanduá-da-soja, a soja deve ser substituída na próxima safra por uma cultura não hospedeira (SILVA & KLEIN, 1997), como o milho ou girassol.
  • Tratamento de semente e/ou controle químico com inseticida (avaliar aplicação em bordadura ou área total);
  • Nível de dano foi estudado por Hoffmann-Campo et al. (1990), que atribuiu a aplicação de inseticida até V3 com 1 adulto por metro; V4-V6 2 adultos por metro.

Elaboração: Daniela Moro, Leonardo Patias e Prof. Jonas Arnemann, PhD.

Molecular Insect Lab – Universidade Federal de Santa Maria


Bibliografia de apoio:

ÁVILA, C.J.; GRIGOLLI, J.F.J.G. Pragas da soja e seu controle. In: LOURENÇÃO, A.L.F.; GRIGOLLI, J.F.J.; MELOTTO, A.M.; PITOL, C.; GITTI, D.C.; ROSCOE, R. Tecnologia e produção soja 2013/2014. Curitiba: Midiograf, 2014. p.109-169.

GRELLMANN et al. Anais da 56ª Reunião Anual da SBPC – Cuiabá, MT – Julho/2004. Disponível em: < http://www.sbpcnet.org.br/livro/56ra/banco_senior/RESUMOS/resumo_1032.html>.

HOFFMANN-CAMPO, C.B., PARRA, J.R.P., MAZZARIN, R.M. Ciclo biológico, comportamento e distribuição estacional de Sternechus subsignatus Boheman, 1836 (Coleoptera: Curculionidae) em soja, no norte do Paraná. Revista Brasileira de Biologia, Rio de Janeiro, v. 51, n. 3, p. 615-621, 1991.

GRIGOLLI, J. F. J. Pragas da Soja e Seu Controle, 2015. Tecnologia e Produção: Soja 2014/2015. GEMIP – ESALQ. Disponível para acesso: http://www.gemip.com.br/capitulos/jurca_pragas_da_soja.pdf

SILVA, M.T.B. da, KLEIN, V.A. Efeito de diferentes métodos de preparo do solo na infestação e danos de Sternechus subsignatus (Boheman) em soja. Ciência Rural, Santa Maria, v. 27, n. 4, p. 533-536, 1997.

 

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