Atualmente, dentre o grupo de percevejos que atacam a cultura do milho, destacam-se as espécies Diceraeus furcatus e Diceraeus melacanthus, anteriormente classificados no gênero Dichelops e comumente chamados de percevejos barriga-verde. Essas duas espécies estão amplamente distribuídas no Brasil e apresentam capacidade de causar perdas significativas na produção de milho (SILVA, 2019).

Figura 1. Percevejo barriga-verde em milho.

Fonte: Pioneer sementes

Na fase inicial de desenvolvimento da cultura, entre o surgimento do primeiro par de folhas até a sexta folha, a planta de milho é mais sensível ao ataque de percevejos. Entretanto, é também nesta fase inicial que as plantas definem seu potencial produtivo, gerando uma preocupação crescente com o ataque de D. furcatus e D. melacanthus durante esse período (BIANCO, 2005).

Figura 2. Percevejo D. furcatus à esquerda e percevejo D. melacanthus à direita.

Fonte: Pioneer sementes

Os percevejos atacam a região do colo das plântulas de milho, causando pequenas perfurações devido à introdução do aparelho bucal. A lesão aumenta à medida que a planta cresce e as folhas se desenvolvem, formando áreas necrosadas no sentido transversal da folha, as quais podem quebrar na região danificada. Os prejuízos causados pelo ataque desses insetos são o atraso no desenvolvimento das plantas, diminuição do estande e do rendimento de grãos da cultura (BRIDI et al., 2017).

Segundo Duarte et al. (2015), o percevejo barriga-verde causa danos significativos em milho, especialmente quando a infestação ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento da planta (V1 a V3), repercutindo negativamente no potencial produtivo da cultura. O nível de dano econômico (NDE) do percevejo barriga-verde para a cultura do milho é de 0,8 percevejos por m2, quando esta praga for constatada no estádio de desenvolvimento de uma folha (V1). Naturalmente, o NDE pode variar de ano para ano, dependendo do estádio de desenvolvimento da planta em que ocorre a infestação do percevejo, do nível de produtividade da cultura, do grau de suscetibilidade do híbrido, bem como do custo de controle da praga.

O controle do percevejo barriga-verde pode ser realizado preventivamente, através do tratamento de semente ou em pulverizações sobre a cultura. Recomenda-se o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos, além do constante monitoramento das populações na pós-emergência das plantas, a fim de subsidiar a tomada de decisão quanto à necessidade de controle químico complementar.

Segundo Vieira et al. (2015), os tratamentos de sementes de milho com inseticidas apresentam, de maneira geral, eficácia satisfatória no controle do percevejo barriga-verde. O tratamento de sementes com inseticidas neonicotinoides tem sido uma estratégia adequada para evitar perdas decorrentes do ataque de D. melacanthus (BORGES et al., 2020).

Uma vez constatada a presença da praga durante os estágios iniciais da cultura e após o término do residual do tratamento de sementes, recomenda-se a pulverização foliar de inseticidas visando minimizar a ação da praga e evitar perdas no rendimento de grãos. Os ingredientes ativos indicados e com registro para o controle de percevejos na cultura do milho são os neonicotinoides (acetamiprido, clotianidina, imidacloprido e tiametoxam), os piretroides (alfa-cipermetrina, beta-ciflutrina, bifentrina, cipermetrina, fenpropatrina, lambda-cialotrina), carbamatos (tiodicarbe) e organofosforados (acefato) (BORGES et al., 2020).

Como alternativa, ainda em estágios iniciais de pesquisas que buscam um possível uso em larga escala, tem-se o controle biológico através do parasitismo de ovos dos percevejos pelos agentes Telenomus podisi e Trissolcus basalis (LAUMANN et al., 2010; TAGUTI et al., 2019). Ademais, vale ressaltar que a tecnologia do milho geneticamente modificado (Bt), apesar de ser uma importante ferramenta para o controle de lagartas e de ser amplamente cultivado no Brasil, não apresenta efeito sobre os insetos da ordem Hemiptera, à qual pertencem os percevejos. Para estes insetos, é imprescindível a intervenção com outro método de controle quando a sua população atinge níveis elevados no campo.

Revisão: Henrique Pozebon, Doutorando PPGAgro  e Prof. Jonas Arnemann, PhD. e Coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS:

BIANCO, R. Manejo de pragas do milho em plantio direto. Anais IX Reunião Itinerante de Fitossanidade do Instituto Biológico. Emopi, Campinas, São Paulo, Brazil, p. 8-17, 2005.

BRIDI, Marcelo; KAWAKAMI, Jackson; HIROSE, Edson. Danos do percevejo Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) (Heteroptera: Pentatomidae) na cultura do milho. Magistra, v. 28, n. 3/4, p. 301-307, 2017.

BORGES, Tiago Norton Sousa et al. INTERAÇÃO DE BIOESTIMULANTE ASSOCIADO A INSETICIDAS NO TRATAMENTO DE SEMENTES DA CULTURA DO MILHO PARA CONTROLE DO PERCEVEJO-BARRIGA-VERDE. 2020.

DUARTE, MARCELA MARCELINO; ÁVILA, CRÉBIO JOSÉ; SANTOS, VIVIANE. Danos e nível de dano econômico do percevejo barriga-verde na cultura do milho. Brazilian Journal of Maize and Sorghum, v. 14, n. 3, p. 291-299, 2015.

LAUMANN, Raúl Alberto et al. Egg parasitoid wasps as natural enemies of the neotropical stink bug Dichelops melacanthus. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 45, p. 442-449, 2010.

SILVA, Paulo Roberto da. Suscetibilidade do milho ao percevejo Barriga Verde, tomada de decisão e controle químico. 2019.

TAGUTI, Érica Ayumi et al. Telenomus podisi parasitism on Dichelops melacanthus and Podisus nigrispinus eggs at different temperatures. Florida Entomologist, v. 102, n. 3, p. 607-613, 2019.

VIEIRA, EC de S.; VIVAN, Lúcia Madalena; ÁVILA, Crébio José. Eficácia de inseticidas aplicados nas sementes visando o controle do percevejo Barriga-verde, Dichelops melacanthus, na cultura do milho. In: Embrapa Agropecuária Oeste-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: SEMINÁRIO NACIONAL [DE] MILHO SAFRINHA, 13., 2015, Maringá. 30 anos de inovação em produtividade e qualidade. Maringá: ABMS, 2015.

 

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