O percevejo verde, Nezara viridula é um inseto que tem sua melhor adaptação em regiões de climas amenos a frios do território brasileiro, principalmente na região Sul do país. De habito polífago ou seja, podendo se aproveitar do exsudato de diferentes plantas, na ausência da cultura da soja este inseto pode sobreviver em outros hospedeiros ou mesmo hibernar até o próximo cultivo. Outros hospedeiros segundo a Embrapa: desmódio, nabo-bravo, mostarda e guandu, oq ue destaca a importância de um manejo correto de plantas daninhas na lavoura.

Veja o ciclo da praga:

Fonte da imagem: Embrapa

Este percevejo já foi mais frequente e registrado nos anos 80 – 90, atualmente seu relato é menos expressivo em soja. Mas como outras pragas que hoje são menos frequentes, é importante que sua existência seja considerada e atenção seja voltada para eventuais surtos isolados.


Leia também –  Série Percevejos em Soja: Euchistus heros


É uma espécie polífaga, utilizando várias plantas hospedeiras para completar suas gerações ate colonizar novamente a cultura. As formas jovens, desde que nascem, alimentam-se da seiva, introduzindo seu aparelho bucal nos tecidos das folhas, hastes e frutos. Os adultos tem o mesmo hábito das ninfas, com uma longevidade de 70 dias aproximadamente Apresenta diapausa hibernal facultativa na fase adulta, provavelmente devido à redução de temperatura e falta de alimento,. No início da primavera, os adultos migram das matas, capoeiras e outros refúgios em busca de alimento, mudando de cor, passando de verde para castanho arroxeado (Insetário via site da Universidade Estadual de Maringá).

Quando comparado a outras espécies, dentro do mesmo nível populacional, Nezara viridula  (L.) perde em agressividade para Piezodorus guildinii, as fica a frente de Euschistus heros (F.) (Corrêa-Ferreira & Azevedo 2002, Sosa-Gomez et al. 2004). O que ocorre é que, como os inseticidas utilizados normalmente apresentam um eficácia superior em seu controle, suas populações normalmente são baixas, perdendo em importância para as 03 espécies.

Alguns trabalhos já foram feitos a cerca da biologia, danos e controle desta espécie praga:

Em soja, foi observado em um trabalho feito por pesquisador da UFGD , comparando duas cultivares (sendo uma convencional e outra RR), que:

  • Existe diferença de alimentação entre ninfas e adultos de N. viridula, e isso é justificado pela composição bioquímica dos legumes de soja, que causam a níveis de aceitabilidade entre as fases de vida do inseto;
  • A baixa longevidade de adultos alimentados com vagens de soja convencional e RR pode estar relacionada à baixa qualidade nutricional deste alimento;

Em 2002, N. viridula foi tida como praga nova em cultivos de algodão, e embora já existissem estudos a cerca de seus danos, em algodão não se conhecia muito bem a influencia da alimentação do inseto com relação ao prejuízo às maçãs da cultura. Sendo assim, pesquisadores da USP, avaliaram tanto dano de N. viridula quanto Piezodorus guildini e através de sua pesquisa puderam atestar que para a cultivar de algodão Delta Opal, a atividade de sucção dos percevejos causa a queda de maçãs, e isso é mais evidente nos primeiros 10 dias de desenvolvimento das mesmas. As densidades de infestação e queda podem ser observadas na tabela abaixo:

Confira a tese deste trabalho:

”Para a porcentagem de fibras, Nezara viridula foi mais prejudicial ao algodão”

Já AZAMBUJA em seu trabalho (confira clicando aqui), observou que o desenvolvimento de ninfas de N. viridula foi melhor em soja que em algodoeiro. Adultos alimentados com botão floral e semente de algodoeiro não se reproduziram. Adultos de N. viridula se reproduzem quando alimentados com maçã de algodoeiro, no entanto, não há desenvolvimento das ninfas neste alimento pois  as ninfas de N. viridula alimentadas com estruturas reprodutiva do algodoeiro morreram no segundo ou no terceiro instar.

A Embrapa Meio-Norte desenvolveu estudos a cerca da infestação e dano de percevejo verde em feijão-caupi, tendo em vista a importância deste cultivo em sucessão a soja, e também por não haver estudos sobre o nível de controle em feijão-caupi.

Com base neste estudo as considerações dos autores foram:

  • O aumento de um percevejo N. viridula por metro de fileira de feijão-caupi proporciona uma perda na produção em 6,36%;
  • O nível de controle do percevejo N. viridula em feijão-caupi estabelecido é de 0,7 percevejo metro de fileira.
  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para controle de N. viridula em feijão-caupi, o controle biológico por meio da liberação inundativa de parasitoides de ovos de Telenomus podisi e Trissolcus basalis, os quais já são produzidos em escala comercial para controle de percevejos, pode ser uma alternativa de controle dessa praga.

Manejo de Nezara em soja:

O nível de ação, a partir do qual o controle químico dos percevejos deve ser realizado, é de quatro percevejos adultos ou ninfas com mais de 0,5cm, observados na média das amostragens pelo pano-de-batida.

Para o caso de campos de produção de semente, esse nível deve ser reduzido para dois percevejos por pano-de-batida. Embora os percevejos possam estar presentes na cultura, em diferentes períodos do desenvolvimento da planta, causam problemas apenas na fase de desenvolvimento de vagens e enchimentos de grãos de soja segundo trabalhos realizados pela Embrapa. Segundo relatos de pesquisas, no estádio R5 são registrados os maiores danos, tanto na qualidade de grãos como na produtividade da cultura.

O controle de percevejos, é realizado geralmente utilizando inseticidas, sendo importante monitorar os níveis de danos e as populações presentes na área, tema abordado em posts específicos aqui no Portal Mais Soja.

Elaboração: Daniela Moro – Equipe Mais Soja

 

 

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