Ocorrentes em soja, os percevejos, sobreviventes ao final de safra de soja, acabam permanecendo na lavoura após a colheita e, por serem de difícil  visualização, muitas vezes passam desapercebidos. No período pós colheita, até a reentrada de uma cultura subsequente, estes insetos encontram em plantas daninhas sobrevivência.

Quando a cultura do milho é implantada, espécies como Dichelops spp., Euchistus heros e Nezara viridula podem seguir seu ciclo de vida, causando danos e levando dependendo da pressão, sérios prejuízos na produtividade da cultura. Em muitas regiões, as espécies Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus, chegam a ser considerados como a principal praga da cultura vem causando grandes prejuízos nas lavouras de milho safrinha.



Por isso, antes mesmo de se pensar em semeadura do milho, é preciso pensar em monitoramento de fim de safra, se necessário aplicação de inseticida antes de fazer a dessecação. Também a dessecação antecipada, para eliminar as plantas hospedeiras, contribuindo para a supressão da população de percevejos até a emergência do milho. Outra alternativa que deve ser lembrada, é o tratamento de semente com neonicotinoides.

Quando estabelecida, a lavoura de milho deve ser constantemente monitorada, quando em alta pressão de percevejos na no inicio do desenvolvimento do milho (até V3), é necessário controle, pois danos nesta fase podem significar altos prejuízos. Quando se fala em safrinha, ou segunda safra é indispensável que pelo menor tempo a campo, recursos mais limitados, população de planta menor, os cuidados sejam redobrados, para que o lucro final da safra não seja impactado.

Danos de Dichelops sp. em milho (2º safra, IAPAR 2013)

Devido ao nosso modelo produtivo vigente, onde o plantio direto é uma prática comum na produção de grãos e no cultivo do milho segunda safra. Este sistema é recomendado, pois controla o processo erosivo do solo, armazenando mais nutrientes e melhorando a absorção de água, sendo, portanto, ecologicamente mais sustentável. Por outro lado, ele tem favorecido o crescimento da população de algumas espécies como: percevejo barriga-verde, percevejo verde e percevejo marrom.

O “percevejo-barriga-verde” tem ganhado destaque, ano após ano, como praga inicial do milho. Duarte (2009) coloca como valor do nível de dano econômico de D. melacanthus 0,58 percevejo m-2 para a cultura do milho. Para Cruz et al. (1999) este nível de controle varia de 0,6 a dois percevejos m-2 .


Leia também: Novos conceitos de amostragem de percevejos em grandes culturas


A cultura do milho apresenta-se mais sensível nos estádios iniciais do seu desenvolvimento, isso porque seu potencial produtivo é definido neste período. Como resultado do dano, as plantas apresentam sintoma de “encharutamento” e amarelecimento. E, segundo Rodrigues (2011) os danos de Dichelops spp. são maiores quanto mais precoce for a infestação e quanto maior for o tempo de convivência com a cultura.

♦Antes de realizar a semeadura do milho realize a amostragem pra quantificar a população de percevejos em sua área. Evite surpresas!♦

O controle de percevejos não só em milho como em outras culturas, é realizado geralmente utilizando inseticidas (pulverizados e tratamento de semente), sendo importante monitorar os níveis de danos e as populações presentes na área, tema abordado em posts específicos aqui no Portal Mais Soja.

Apoio bibliográfico

DUARTE, M. M. Danos causados pelo percevejo barriga-verde, Dichelops melacanthus (Dallas, 1851) (Hemiptera: Pentatomidae) nas culturas do milho, Zea mays L. e do trigo, Triticum aestivum L. 2009. 59p. Dissertação – Mestrado. Universidade Federal da Grande Dourados, Dourados, 2009.

CRUZ, I.; VIANA, P. A.; WAQUIL, J. M. Manejo das pragas iniciais de milho mediante o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos. Sete Lagoas: EMBRAPA-CNPMS, 1999. 39p. (Circular Técnica 31).

RODRIGUES, R. B. Danos do percevejo-barriga-verde dichelops melacanthus (dallas, 1851) (hemiptera: pentatomidae) na cultura do milho. Ano de 2011. Dissertação de mestrado. Disponível aqui:https://repositorio.ufsm.br/handle/1/5048

TOWNSEND L. H. Impact of Euschistus servus and E. variloarius (Heteroptera: Pentatomidae) feeding on early growth stages of corn. Journal of Economic Entomology 81: 840-844, 1988.

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