Objetivou-se avaliar a influência de extratos aquosos de trapoeraba sobre a germinação de sementes de soja.

Autores: Anderson Marcel Gibbert1; Neumárcio Vilanova da Costa2; Silvio Douglas Ferreira3; Jaqueline de Araújo Barbosa4; Vitor Gustavo Kuhn5; Daiane Bernardi6; Hiago Canavessi7

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

As plantas daninhas estão entre os principais fatores limitantes de produção da cultura da soja (Glycine max (L.) Merrill). Estas plantas não competem apenas com a cultura por recursos como nutrientes, água, luz e espaço, pois frequentemente elas afetam o seu crescimento e desenvolvimento com a liberação de compostos alelopáticos no ambiente de produção (Farooq et al., 2011).

Esses compostos provenientes de diferentes partes das plantas daninhas, principalmente da parte aérea, quando presentes na solução do solo, podem afetar a germinação das culturas de interesse econômico (INDERJIT, 2006).

Com isso, plantas daninhas de relativa importância para áreas de cultivo de soja da região oeste do Paraná, podem interferir negativamente na sua germinação com a liberação de substâncias aleloquímicas. Dessa forma, objetivou-se avaliar a influência de extratos aquosos de trapoeraba sobre a germinação de sementes de soja.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado no Laboratório de Fisiologia Vegetal da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Campus de Marechal Cândido Rondon/PR, durante o período de 26 de janeiro de 2018 a 03 de fevereiro de 2018. Os extratos aquosos de trapoeraba (C. benghalensis L.) foram obtidos através da trituração da parte aérea [material fresco (MF)] destas plantas com auxílio de um liquidificador, acrescentando-se água destilada até alcançar as concentrações de 0; 25; 50; 100 e 200 g MF L-1, sendo 0 g MF L-1 a testemunha com somente água destilada.

Os extratos foram filtrados em papel filtro e ficaram em repouso por 24 horas. Foram posicionadas 2 folhas de papel germitest autoclavadas (121°C± 2°C/20 min) por gerbox e acrescentados 10 mL de extrato. Após isso, procedeu-se a disposição de 25 sementes de soja da cultivar TMG 7262 RR por gerbox e dispostas em BOD, onde foram mantidas à temperatura de 25 °C ± 2°C, e com fotoperíodo 24 horas de luz. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente casualizado, com quatro repetições, sendo cada gerbox uma parcela.

As avaliações foram realizadas a cada 24 horas, sendo consideradas germinadas as sementes que apresentaram emissão da radícula (Ferreira & Borghetti, 2004). Determinou-se a primeira contagem de germinação (%) ao 5º dia de teste e a contagem final para determinação da germinação total (%) foi realizada ao 8º dia. Conjuntamente, foi determinado o índice de velocidade de germinação.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de regressão utilizando o programa estatístico SigmaPlot 12.0

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observa-se o decaimento exponencial da germinação de sementes de soja na primeira contagem (5º dia de teste) conforme aumentou-se a concentração dos extratos aquosos de trapoeraba (Figura 1), alcançando a maior redução na germinação com a concentração de 200 g L-1, sendo este valor de 11,83% em relação à testemunha.

Figura 1 – Primeira contagem de germinação de sementes de soja submetidas a diferentes concentrações de extratos de trapoeraba. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018. *Significativo a 5%.

Conforme as plântulas foram se desenvolvendo, percebeu-se que a ação alelopática dos extratos aquosos foi menos influente sobre germinação da soja ao 8º dia de teste, apesar de ainda ter reduzido esta variável (Figura 2). Novamente a maior concentração (200 g L-1) promoveu a maior redução, 7,78% em comparação à testemunha.

Figura 2 – Porcentagem de germinação total de sementes de soja submetidas a diferentes concentrações de extratos de trapoeraba. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018. *Significativo a 5%.

Em relação ao índice de velocidade de germinação, é possível observar que houve um decaimento exponencial conforme ocorreu o aumento da concentração dos extratos, sendo que a concentração de 200 g L-1 gerou 16,62% de redução em comparação à testemunha (Figura 3).

Figura 3 – Índice de velocidade de germinação de sementes de soja submetidas a diferentes concentrações de extratos de trapoeraba. Marechal Cândido Rondon/PR, 2018. **Significativo a 1%.

Como o índice de velocidade de germinação determina o tempo que as sementes de uma espécie levam para germinar, e assim, quanto maior o índice mais rápido as sementes germinam. Dessa forma, pode-se inferir que a alelopatia da trapoeraba aumentou o tempo necessário para as sementes de soja germinarem, pois reduziu o valor do índice de velocidade de germinação.


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Em condições de campo, isto pode ter graves consequências, pois o atraso na germinação pode comprometer todo o desenvolvimento da cultura. Melhorança Filho et al. (2011), avaliaram o potencial alelopático das plantas daninhas tiririca, citronela e trapoeraba sobre a germinação e desenvolvimento inicial de feijão (Phaseolus vulgaris L. Var. Branco) e concluíram que o extrato aquoso de trapoeraba possui potencial alelopático sobre o feijoeiro, chegando a reduzir a primeira contagem de germinação em 3,45%, a germinação em 3,23% e o índice de velocidade de germinação em 2,63% quando utilizada a dose de 4,5%.

CONCLUSÃO

Concluiu-se que os extratos aquosos de trapoeraba possuem potencial alelopático negativo sobre a germinação de sementes de soja, afetando a porcentagem de germinação e a velocidade de germinação desta espécie.

REFERÊNCIAS

Farooq, M.; Jabran, K.; Cheema, Z. A.; Wahid, A.; Siddique, K. H. M. The role of allelopathy in agricultural pest management. Pest Management Science, v. 67, n. 5, p. 493-506, 2011.

Ferreira, A. G.; Borghetti, F. Germinação: do básico ao aplicado. Porto Alegre: Artmed, 2004.

INDERJIT. Experimental complexities in evaluating the allelopathic activities in laboratory bioassays: A case study. Soil Biology & Biochemistry, v. 38, p. 256-262, 2006.

Melhorança Filho, A. L. M.; Oliveira, W. S.; Oliveira Junior, P. P. & Araújo, M. L. Potencial alelopático de diferentes espécies de plantas daninhas sobre o desenvolvimento de plântulas de feijão. Em saios e Ciência: Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde, v. 15, p. 31-40, 2011.

Informações dos autores:  

Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

Docente/Orientador, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

Doutorando em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

outoranda em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

Mestrando em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

Mestranda em Agronomia/PPGA, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

Acadêmico do curso de Agronomia, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Marechal Cândido Rondon/PR.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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