O cultivo de plantas de cobertura no sistema plantio direto contribui para a diversificação de culturas, trazendo benefícios aos sistemas de produção que vão desde o controle das erosões superficiais á ciclagem de nutrientes e muito mais. Diante da diversidade de condições edafoclimáticas e de manejo adotados de sul a norte do país, há uma ampla variedade de opções de plantas de cobertura que podem ser cultivadas nas diferentes épocas do ano agrícola (Cherubin, 2022), cabe então, realizar o adequado planejamento e posicionamento dessas culturas de cobertura.

De maneira geral, pode-se dizer que além de proporcionar boa cobertura do solo, as plantas de cobertura contribuem para e melhoria da saúde do solo, atuando em aspectos químicos, físicos e biológicos que contribuem para o aumento da sustentabilidade e rentabilidade das culturas agrícolas.

Figura 1. Benefícios ao funcionamento do solo fornecidos pela utilização de plantas de cobertura.

Imagem: Bruna Emanuele Schiebelbein

Buscando maximizar os benefícios ofertados pelas plantas de cobertura, é fundamental atentar para o posicionamento delas, principalmente buscando agregar benefícios á cultura sucessora. Levando em consideração que o milho é uma das culturas mais exigentes em nitrogênio para a obtenção de altas produtividades (Carvalho et al., 2018), o cultivo de plantas de cobertura com capacidade em fixar nitrogênio atmosférico, antecedendo a cultura do milho pode ser considerada uma importante estratégia de manejo para reduzir os custos com o uso de fertilizantes nitrogenados e maximizar o rendimento do milho.



Uma das plantas de cobertura com essa característica é a ervilhaca comum (Vicia sativa), a qual pode ser cultivada de forma “solteira” ou consorciada com outras culturas de cobertura. Seu ciclo até o florescimento normalmente varia entre 120 a 150 dias, com produção de biomassa variando entre 20 – 30 t ha-1 e massa seca de 4 – 7 t ha-1 (Carvalho et al., 2022).

Figura 2. Ervilhaca-comum (Vicia sativa).

Fonte: Carvalho et al. (2022)

É considerada uma planta de cobertura de outono/inverno, tolerante a geadas a adaptada ao clima temperado a subtropical. O nitrogênio fixado por essa planta de cobertura pode variar de 0,20 a 3,47 (%) na matéria seca (Calegari, 2016). Após decomposição e mineralização dos resíduos culturais, esse nitrogênio tende a ficar disponível para a cultura sucessora, contribuindo para o aumento da produtividade. Conforme destacado por Santos et al. (2017), em sistema de plantio direto, o milho cultivado após ervilhaca apresenta aumento médio de produtividade de aproximadamente 8% em comparação ao milho cultivado após aveia-preta.

Tabela 1. Caracterização da ervilhaca comum.

Adaptado: Calegari (2016)

A aptidão da ervilhaca para cultivo no período outono inverno possibilita a inserção dela com facilidade no sistema de produção antecedendo a cultura do milho. Contudo, visando maximizar a produção de biomassa e acúmulo de nitrogênio pela ervilhaca, o planejamento e posicionamento dela no sistema de produção, assim como das demais culturas de cobertura é determinante.

O consorcio com demais culturas de cobertura a exemplo da aveia também contribui para a melhoria da cobertura do solo, possibilitando maior persistência da palhada na superfície do solo.  Além disso, conforme destacado pelo pesquisador da CCGL, Tiago Hörbe, o planejamento da propriedade e sincronização das culturas é fundamental para potencializar a produção de biomassa.

Confira o vídeo abaixo com as dicas do pesquisador da CCGL, Tiago Hörbe.


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Referências:

CALEGARIN, A. PLANTAS DE COBERTURA: MANUAL TÉCNICO. Webbio Academy®, ed. 2, 2016. Disponível em: < http://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/Plantas-de-Cobertura-%E2%80%93-Manual-T%C3%A9cnico.pdf >, acesso em: 03/08/2022.

CARVALHO, A. M. et al. PLANTAS DE COBERTURA DO SOLO RECOMENDADAS PARA A ENTRESSAFRA DE MILHO EM SISTEMA PLANTIO DIRETO NO CERRADO. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 181, 2018. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/184756/1/CT-181.pdf >, acesso em: 03/08/2022.

CARVALHO, M. L. et al. GUIA PRÁTICO DE PLANTAS DE COBERTURA: ASPECTOS FILOTÉCNICOS E IMPACTOS SOBRE A SAÚDE DO SOLO. ESALQ-USP, 2022. Disponível em: < https://www.esalq.usp.br/biblioteca/pdf/Livro_Plantas_de_Cobertura_completo.pdf >, acesso em: 03/08/2022.

SANTOS, H. P. et al. SISTEMAS DE MANEJOS DE SOLO E DE PRODUÇÃO COM INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA: RENDIMENTO DE GRÃOS DE MILHO. 62° Reunião Técnica Anual de Pesquisa do Milho & 45° Reunião Técnica Anual de Pesquisa do Sorgo, 2017. Disponível em: < https://www.alice.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/1074809/1/ID441052017RTAM1366.pdf >, acesso em: 03/08/2022.

 

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