As legislações que instituem o vazio sanitário nos estados foram criadas, em sua maioria, entre 2006 a 2008. Naquela época, a resistência das pragas aos defensivos agrícolas não era vista como um problema, por uma razão simples: havia grande oferta de novos ingredientes ativos. Em 2005, 27 novos ingredientes ativos foram registrados, ao passo em que em 2018 apenas um novo ingrediente ativo foi registrado (um nematicida). Dessa forma, se as legislações fossem propostas hoje, provavelmente a calendarização e o vazio seriam recomendados conjuntamente.

O vazio sanitário seria suficiente para acabar com os problemas da ferrugem se ele eliminasse a totalidade dos patógenos pois alguns fungos patogênicos (principalmente o da ferrugem asiática) necessitam se hospedar em tecidos vivos da planta de soja. No entanto, é impossível controlar o sistema a fim de eliminar totalmente as plantas hospedeiras, principalmente devido a plantas de beira de rodovias, escape de controle, agricultores que não respeitam o vazio, estados que ainda não adotaram o vazio sanitário etc. No caso da ferrugem, apesar da soja ser a principal hospedeira, há várias outras leguminosas que hospedam o fungo na entressafra, embora nem todas sejam boas hospedeiras. Adicionalmente, há pragas que completam o ciclo todo em outras hospedeiras que não dependem de que haja plantas vivas de soja.

Vale a pena lembrar que, no momento atual, além de buscar um sistema para que os registros de ingredientes ativos novos sejam acelerados, é fundamental proteger e manter a eficácia dos produtos que já estão no mercado e são fundamentais para manter a competitividade dos agricultores brasileiros.

Este post faz parte de documento elaborado pela Andef, Sindiveg, AgroBio Brasil CIB, Abrass, Abrasem, Braspov, Fundação MT, Consórcio Anti Ferrugem e CESB, com apoio do FRAC, IRAC e HRAC. Acesse o documento completo aqui.

Se você concorda com a posição destas instituições, acesse e confira o Manifesto em favor da sustentabilidade de sojicultura Brasileira aqui.

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