Diversas pragas podem atacar as vagens na cultura da soja. Em especial, as lagartas do gênero Spodoptera.

As principais espécies na soja são S. eridania e S. cosmioides. No milho, a praga mais frequente é S. frugiperda, podendo ocorrer também na soja no início do seu desenvolvimento.

Entretanto, S. cosmioides apresenta injúrias mais severas que as demais lagartas, principalmente na soja e no algodão.

Figura 1. S. cosmioides em soja.

                                                                             Foto: Adeney Bueno

Inicialmente você precisa saber identificar corretamente qual lagarta estamos enfrentando na lavoura. Você sabe diferenciá-las?

Figura 2. Identificação do Complexo Spodoptera. 

É importante identificarmos corretamente a espécie de Spodoptera, pois um método de controle pode ser mais eficaz para uma lagarta que para as demais.

Causas do aumento populacional da praga?

  • Aplicações de fungicidas para controle de doenças afetam diretamente a população de inimigos das lagartas;
  • Oferta contínua de alimento: possuem preferência por soja e algodão (cenário do Cerrado), como mostra a Figura 3;
  • Plantas daninhas no entorno de soja e algodão servem de hospedeiros.

Figura 3. Preferência por plantas de soja e algodão por S. cosmioides.

Fonte: Da Silva et al. (2017).

É possível observar na figura anterior que o milho é o pior hospedeiro para desenvolvimento da lagarta.

O que faz as lagartas-das-vagens apresentarem importância econômica?

  • Consomem principalmente as partes reprodutivas das plantas;
  • São polífagas: alimentam-se de diversos hospedeiros, incluindo plantas daninhas, como corda-de-viola (Ipomoea grandifolia);
  • Podem permanecer nas lavouras durante longo período;
  • Dificuldade de controle: localizam-se preferencialmente no baixeiro.

Em um trabalho de Oliveira (2014), nota-se que a maior presença das pragas do complexo Spodoptera é vista no enchimento de grãos (R5) na soja. Exatamente neste momento podem causar os maiores prejuízos ao produtor.



Figura 4. Flutuação populacional de lagartas da soja.

Fonte: Oliveira (2014).

Em um trabalho de Santos et al. (2010), verificou-se o consumo de S. eridania e S. cosmioides nas estruturas das plantas de algodão.

Na tabela 1, observa-se que S. cosmioides consome notavelmente uma parcela muito maior que S. eridania. Ainda, ambas apresentam preferência por se alimentar do botão floral e maçãs, evidenciando a importância do manejo na fase reprodutiva das plantas.

Tabela 1. Área de bráctea consumida (%) de diferentes estruturas do algodoeiro por lagartas de Spodoptera eridania e S. cosmioides. 

Fonte: Santos et al. (2010).

No entanto, além de serem pragas que atacam as estruturas reprodutivas, causam grande nível de desfolha. Se compararmos entre todas as lagartas, S. cosmioides apresenta um elevado potencial de desfolha.

Como visualizamos na Tabela 2, independente da cultivar estudada, S. cosmioides geralmente consome o dobro de folhas que as demais lagartas.

Tabela 2. Consumo foliar (cm2) de diferentes lagartas alimentadas com soja.

Fonte: Moscardi et al. (2012).

Como o nível de desfolha é superior a 30% em soja Bt, pode-se determinar o nível de dano de apenas 1 lagarta.planta-1 (Padilha et al., 2017). Lembre-se que as sojas transgênicas com proteína bioinseticida Bt não apresentam controle sobre as lagartas do Complexo Spodoptera.

Além do consumo disparado de S. cosmioides em relação as demais lagartas, a capacidade de sobrevivência da praga é muito elevada, exceto quando alimentadas com a maçã do algodão, como segue na Figura 5.

Figura 5. Sobrevivência (%) de lagartas de Spodoptera e criadas confinadas em diferentes estruturas da planta de algodoeiro.

Fonte: Santos et al. (2010).

Controles biológicos e químicos

Loureiro et al. (2020), em seu trabalho intitulado “Manejo de Spodoptera cosmioides (Walker) (Lepidoptera: Noctuidae) com bioinseticidas”, testou-se a eficiência de táticas de controle para a praga.

Como visualizamos na tabela 3, B. thuringiensis apresentou eficiência próxima a 80% em todas as aplicações. O bioinseticida Dipel demonstrou virulência para a lagarta, possivelmente devido a presença de um conjunto de proteínas que o produto engloba.

O tamanho das lagartas influencia no controle, pois lagartas de 3° instar já apresentam eficiência inferior as menores (1 e 2° instar).

Tabela 3. Eficiência de ferramentas biológicas e químicas para controle de S. cosmioides.

Fonte: Loureiro et al. (2020).

Plantas de soja Bt

Soja Bt, produzidas em pequenas quantidades no interior da planta, não possui eficiência de controle no desenvolvimento e reprodução de S. cosmioides, permitindo sobrevivência superior a 80% da praga com a proteína Cry1Ac (Silva et al., 2016).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Lagartas do Complexo Spodoptera apresentam grande potencial de danos nas principais culturas agrícolas. Entre as mais severas, destaca-se S. cosmioides, com elevado potencial de desfolha e ataque nas fases reprodutivas das plantas.

Além de injúrias significativas, apresenta alta capacidade de sobrevivência tanto nas plantas cultivadas quanto em plantas daninhas situadas ao redor das lavouras de soja e algodão.

O monitoramento é a melhor estratégia inicial no controle da praga. Aplicações de bioinseticidas a base de Bt apresentam grande efeito supressor na população, destacando-se em relação a produtos químicos. Entretanto, plantas de soja Bt não são adequadas para o controle da praga.

REFERÊNCIAS

DA SILVA, D. M. et al. Biology of Spodoptera eridania and Spodoptera cosmioides (Lepidoptera: Noctuidae) on different host plants. Florida Entomologist, v. 100, n. 4, p. 752-760, 2017.

LOUREIRO, S. E. et al. Management of Spodoptera cosmioides (Walker)(Lepidoptera: Noctuidae) with bioinsecticides. Research, Society and Development, v. 9, n. 7, p. 280974142, 2020.

MOSCARDI, F. et al. Artrópodes que atacam as folhas da soja. Soja: manejo integrado de insetos e outros artrópodes-praga, p. 213-309, 2012.

OLIVEIRA, T. C. et al. Flutuação populacional de lagartas desfolhadoras e distribuição espacial de Plusiinae na cultura da soja [Glycine Max (L.) Merril]. 2014.

PADILHA, I. M. N. et al. NÍVEL DE DANO DE Spodoptera frugiperda, S. albula, S. cosmioides E Chrysodeixis includens EM PLANTAS DE SOJA TRANSGÊNICA Bt. In: Anais do Congresso Brasileiro de Fitossanidade. 2017.

PORTFÓLIO FMC. Dipel. Disponível em: < https://www.apoiotecnet.com.br/assets/upload/files/Linha-Florestas-2013-final-DIPEL.pdf>. Acesso em: 02.07.2020

SANTOS, K. B. et al. Caracterização dos danos de Spodoptera eridania (Cramer) e Spodoptera cosmioides (Walker)(Lepidoptera: Noctuidae) a estruturas de algodoeiro. Neotrop. entomol, p. 626-631, 2010.

SILVA, G. V. et al. Biological characteristics of black armyworm Spodoptera cosmioides on genetically modified soybean and corn crops that express insecticide Cry proteins. Revista Brasileira de Entomologia, v. 60, n. 3, p. 255-259, 2016.

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Redação: Equipe Mais Soja.

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