A última semana foi marcada pelas movimentações políticas nos Estados Unidos, que na terça-feira (06) realizaram eleições para os cargos na Câmara e Senado Federal, além de eleições estaduais para governadores. Outro ponto de destaque foi a divulgação do novo relatório de Oferta e Demanda do USDA, que trouxe alterações importantes em relação aos números da safra americana, porém com efeitos limitados aos preços ao longo da semana.

Na América do Sul o foco segue no plantio e desenvolvimento inicial da safra, que até o momento se mostra bastante positivo aos cultivos e já exerce pressão sobre os preços
da oleaginosa. Os contratos na Bolsa de Chicago com vencimento em janeiro/2019 registraram leve queda de 0,11% em relação ao fechamento da semana anterior, cotados na sexta-feira (09) a US$8,86 por bushel. Já nos contratos com vencimento em maio/2019, principal referência para a safra brasileira, a variação foi praticamente nula, permanecendo cotados a US$9,13 por bushel no fechamento da semana.

No início da semana os principais vencimentos registraram pequenas quedas, reagindo as fortes altas no encerramento da semana anterior. Já na terça-feira as atenções dos agentes do mercado ficaram voltadas as eleições americanas. De forma geral o resultado não afetará de forma direta a agricultura do país, já que o presidente Donald Trump manteve uma forte base de apoio, em especial nos principais estados de produção agrícola. Na Câmara, os republicanos de Trump perderam a maioria, com composição de 219 deputados Democratas contra 193 Republicanos. Já no Senado Federal a base do governo foi ampliada, agora com 51 senadores Republicanos contra 45 Democratas. Entre os governadores, os Republicanos elegeram 25, contra 22 dos Democratas. Com esta composição os agentes de mercado avaliam que Trump ainda mantêm o apoio político para implementação ou corte de novas medidas econômicas, como as definidas ao longo da guerra comercial travada com a China.



Outro destaque da semana foi a divulgação do relatório de Oferta e Demanda do USDA. O departamento de agricultura reduziu a expectativa de produção total da safra americana, passando de 127,64 para 125,19 milhões de toneladas. O esmagamento interno foi ampliado para 56,61 milhões de toneladas, porém com a forte redução na projeção de exportações – que passaram de 56,06 para 51,71 milhões de toneladas – os estoques finais foram elevados,chegando ao total de 25,99 milhões de toneladas. Este resultado exerceu pressão negativa sobre as cotações em Chicago (CBOT), porém o efeito foi limitado, não consolidando em baixa significativas nas últimas sessões da semana.

Para o Brasil o USDA manteve a expectativa de produção total em 120,5 milhões de toneladas, porém elevou as exportações para 77 milhões de toneladas. Já no caso da Argentina, terceira maior produtora mundial da oleaginosa, a produção foi reduzida para 55,5 milhões de toneladas. Com as mudanças na oferta e na demanda, os estoques mundiais foram atualizados para cima, passando de 110,04 milhões de toneladas no relatório de outubro para 112,08 milhões no atual.

A demanda externa pela soja americana segue afetada pela guerra comercial com a China, sendo que no último relatório de vendas semanais para exportação do USDA, referente ao período encerrado em 1o de novembro, o número novamente veio abaixo das expectativas do mercado. No período foram comercializadas 388,4 mil toneladas, com acumulados chegando a 21,83 milhões de toneladas, contra mais de 30 milhões no mesmo período de 2017. A principal província chinesa produtora de soja e milho (Heilongjiang) divulgou nesta semana uma ampliação dos subsídios a produção de soja, estratégia implementada para
incentivar o incremento da produção e diminuir da dependência pela soja americana. Por outro lado, a demanda interna nos Estados Unidos se mostrou forte ao longo da semana, o que junto a retenção de vendas por parte dos produtores americanos, deu sustentação as cotações em Chicago.

Na Argentina o plantio da safra de soja já alcançou 9,4% da área projetada para este ano (17,9 milhões de hectares), com ritmo um pouco mais lento do que registrado no mesmo período da safra passada (12%). Seguindo o exemplo do governo argentino, o
governo Paraguaio está avançando um projeto para instituir uma tarifa de 10% sobre as exportações de soja em grão, o que deve afetar a rentabilidade dos produtores rurais e trazer desestímulo ao avanço da área plantada no país.

Fonte: Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás

Texto originalmente publicado em:
Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás
Autor: IFAG

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