Recentemente o MAPA divulgou uma portaria com 40 pragas eleitas como prioridades para registro e alteração de registro de agrotóxicos em 2019, e o percevejo-marrom (Euschistus heros) ocupa uma das posições de destaque na cultura da soja, juntamente com a mosca-branca (Bemisia tabaci). Para acessar a portaria clique aqui.

O percevejo-marrom Euschistus heros é um dos principais percevejos que ocorrem na cultura da soja. Os adultos e ninfas da praga sugam as vagens, danificando os grãos, sendo seus danos irreversíveis em altas densidades populacionais.



Em sendo uma das pragas mais abundantes na cultura da soja no Brasil, sua ocorrência tem sido ampla por todas as regiões de cultivo, tanto em regiões mais quentes como em Tocantins, como nas regiões mais frias como no Rio Grande do Sul, onde não ocorria com tanta intensidade no passado. Em muitos locais, atualmente, o percevejo-marrom responde por mais de 80% do total de percevejos coletados em soja.

Saiba mais sobre a praga

O percevejo-marrom é considerado o percevejo que menos causa dano entre as espécies de prcevejos, porém o mais tolerante aos inseticidas.

Para identificá-lo na lavoura observa-se que o adulto possui coloração marrom-escuro com dois prolongamentos laterais no pronoto (espinho nas pontas próxima a cabeça). No centro de seu corpo, esse percevejo possui uma mancha branca, caracterizando essa espécie de percevejo. Todo seu corpo possui coloração marrom inclusive na parte ventral do inseto.

Figura 1: Exemplar de Euschistus heros.

Fonte: Portal Mais Soja.

Depois da colheita, o percevejo pode sobreviver, alimentando-se de outras plantas hospedeiras, sejam elas daninhas ou até mesmo cultivadas. Em períodos mais frios a praga entra em diapausa e reduz seu crescimento e desenvolvimento até que ocorra uma nova safra. Na figura abaixo pode-se perceber essa flutuação ao longo do ano em trabalho realizado em Brasília.

Figura 2. Sobrevivência e longevidade de adultos de Euschistus heros coletados a campo e mantidos em laboratório, simulando condições de verão (A) e de outono/inverno/primavera (B), no período de entressafra.

Fonte: Corrêa et al., 2010.

Para acessar o trabalho completo clique aqui.

O ciclo biológico do percevejo-marrom compreende na colocação dos ovos em forma de colunas, geralmente duas, de cor amarela, possuindo de 6 a 15 ovos. Logo esses ovos passam a adquirir cor bege e por fim de coloração rosada. As ninfas na fase inicial possuem cor marrom-clara ou amarelada e tornam-se acinzentadas ou esverdeadas. No total o percevejo-marrom passa por cinco instares até chegar na fase adulta, compreendendo um período de dias em cada instar, conforme ilustra o quadro abaixo:

Matéria relacionada: acesse clicando aqui.

A dinâmica do percevejo em plantas de soja pode ser observada na figura 3, indicando como o inseto se desenvolve na cultura da soja, que mostra que ações de manejo realizadas no momento da migração da praga para a lavoura são extremamente eficientes, pois o controle destes adultos reduz a quantidade de ovos na área e, consequentemente, reduz a segunda geração, causando a quebra do ciclo da praga. Assim, o tempo para a população atingir novamente o nível de controle se torna longo e os danos causados por este inseto são minimizados.

Fonte: Saran (2008)

Acesse a matéria completa clicando aqui.

Na Figura 5 pode-se observar a flutuação populacional de Euschistus heros em três talhões. O primeiro talhão sem controle da praga; o segundo talhão com 2,0 percevejos/m de linha de soja entre o período de R3 a R6 da cultura; e controle antecipado, ou seja, 2,0 percevejos/m de linha de soja independente do estádio fenológico da praga. As setas indicam a aplicação do inseticida acefato (750 gi.a. ha-1) em experimento realizado em Maracaju, MS em 2016.

Fonte: Fundação MS.

Disponível em: Pragas da Soja e seu controle. Para acessar clique aqui.

Danos

Essa praga possui o hábito de se esconder nos períodos mais quentes do dia e sai para se alimentar nos períodos mais frescos, ao amanhecer ou entardecer, ficando assim, mais exposto ao controle químico nesses períodos. Os percevejos podem atacar ramos e hastes, porém, o maior prejuízo ocorre quando atacam vagens em formação, ocasionando má formação de grãos, “grãos chochos”, ou ainda a sua ausência. Quando grãos são destinados para sementes, esses poderão ter sua qualidade fisiológica muito afetada. A fase de maior susceptibilidade da cultura da soja ocorre em R4 (final de desenvolvimento de vagens).

Figura 6: Danos nos grãos ocasionados pela alimentação do percevejo-marrom da soja.

Fonte: Bayer.

Por se alimentarem dos grãos, afetam seriamente o seu rendimento e a sua qualidade. Ao provocarem a murcha e má formação dos grãos e vagens, a planta de soja não amadurece normalmente, permanecendo verde na época da colheita. Dessa forma, os prejuízos resultam da sucção de seiva dos ramos ou hastes e de vagens, limitando a produção. Também injetam toxinas, provocando retenção foliar, também chamada de “soja louca”, que acontece quando as vagens estão maduras, mas as folhas ficam verdes e não caem.

Estima-se que um percevejo marrom/m² pode reduzir em média 80 kg de soja/ha.

Os danos se tornam maiores para ninfas a partir do terceiro instar. Lavouras atacadas podem apresentar sintomas de retenção foliar, o que pode atrapalhar na hora da colheita e aumentar a umidade dos grãos colhidos.



Dessa maneira, a praga irá gerar perdas no rendimento final e indiretamente afetará as condições para armazenamento, aumentando o custo pelo desconto “padrão” na recepção do armazém. Devido às características de comportamento do inseto, à dificuldade de controle e aos crescentes danos causados, o manejo dos percevejos tem levantado questionamentos no que se refere ao momento de controle. Afinal, os danos causados por essas pragas têm sido subestimados.

Manejo e controle

O controle químico é uma das principais estratégias para evitar ou reduzir os danos dos percevejos. A correta identificação dos mesmos é muito importante para determinar os níveis de infestação e, assim, definir a época e a prática mais adequadas para o controle

Na figura 7 pode-se observar o momento ideal e o nível de dano em que se deve adotar o controle.

Fonte: Embrapa.

De acordo com as recomendações oficiais, o controle deve ser realizado na fase reprodutiva da soja, sempre que a população for maior ou igual a 2 percevejos por pano de batida. O monitoramento deve ser intensificado no início da fase reprodutiva.

Pode-se concluir que o sucesso do controle dessa praga está no monitoramento populacional adequado, aliado à correta identificação do instar de desenvolvimento e à fase crítica de danos na cultura da soja. É importante lembrar que o agricultor deve monitorar a lavoura frequentemente, com práticas de manejo de resistência de insetos, como rotação de principio ativo.

Matéria relacionada: Percevejos da Soja e seu Manejo. Para acessar clique aqui.

Redação: Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

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