Recentemente o MAPA divulgou uma portaria com 40 pragas eleitas como prioridades para registro e alteração de registro de agrotóxicos em 2019, e a lagarta-do-cartucho ocupa a posição destaque dessa lista. Para acessar a portaria clique aqui.

Ocorrendo em uma série de culturas, a lagarta-do-cartucho tem grande destaque nas lavouras de milho, soja e algodão, que são largamente cultivadas no Brasil e possuem grande influência socioeconômica no território nacional.

A lagarta do cartucho pode ocorrer desde a emergência (cortando as plântulas) até as fases vegetativa e reprodutiva (raspando as folhas e desfolhando ou causando danos às espigas). O nível de controle para o inseto é de 20% de incidência de plantas raspadas (nível 3 da Escala Davis). O período de maior ocorrência é de outubro a janeiro, mas também podem ocorrer ataques severos na segunda safra de milho, se houver condições de baixa precipitação, temperaturas diurnas elevadas e temperaturas noturnas amenas, condições ideais para o desenvolvimento da praga.



Saiba mais sobre a praga

Os problemas com esse inseto-praga foram agravados na medida em que houve evolução da resistência aos inseticidas. Com a intensificação da agricultura (mais de um ciclo de cultivo anual), os cultivos sucessivos possibilitam a sobrevivência de elevadas populações de S. frugiperda e o fluxo contínuo de mariposas entre culturas hospedeiras, que ocasionam grandes infestações da praga, independentemente da fase de desenvolvimento das plantas e época de cultivo.

As larvas de 1º instar são inicialmente de coloração clara, passando para pardo-escuro até quase preta dependendo da idade. Apresentam um “Y” invertido na parte frontal da cabeça. O período larval varia de 15 a 25 dias, com 4 a 7 instares dependendo da temperatura, planta hospedeira, sexo e biótipo. As pupas são de coloração marrom-avermelhada e ficam abrigadas no solo. Após aproximadamente 10 dias de período de pupa ocorre a emergência dos adultos.

Os adultos são mariposas com alta mobilidade, medindo em torno de 4 cm de envergadura, com as asas anteriores de coloração cinza escuro e posteriores branco acinzentadas. As fêmeas apresentam elevado potencial reprodutivo, com capacidade de ovipositar mais de 1000 ovos. O ciclo de ovo a adulto é relativamente curto de 25 a 30 dias, dependendo da temperatura. A longevidade dos adultos é de aproximadamente 12 dias.

A matéria completa pode ser acessada aqui.

Danos

 Esta espécie ataca preferencialmente o cartucho, mas também podem ser encontradas atacando plântulas, com hábito semelhante ao da lagarta rosca, espigas e, também, perfurando a base da planta, atingindo o ponto de crescimento e provocando o sintoma de “coração morto”, típico da lagarta elasmo.

Em estudos desenvolvidos pela DuPont Pioneer com o objetivo de determinar as fases de desenvolvimento da cultura do milho de maior ou menor sensibilidade ao ataque da lagarta-do-cartucho. Observações dos experimentos mostraram uma maior sobrevivência de lagartas em plantas mais jovens do que em plantas mais velhas, evidenciando que as fases iniciais de crescimento são as mais sensíveis aos danos nas folhas, cartuchos e colmos. Essas fases iniciais correspondem ao período de VE até V6, que representam um período de tempo aproximado de até 30 dias após a semeadura (tempo este muito dependente da temperatura ambiente), nas condições da região centro-oeste do Brasil.



Na figura a baixo pode-se observar a severidade do dano quando as plantas de milho foram submetidas à presença das lagartas na fase inicial do desenvolvimento.

 Figura 1: Parcelas não infestadas (A, B e C) e parcelas infestadas (D, E e F) com 20 lagartas-do-cartucho por planta, nos estádios V2(A e D), V4 (B e E) e V6 (C e F), 14 dias após a infestação.

Fonte: Pioneer sementes

Em relação ao dano causado na espiga, o período mais sensível é quando a infestação ocorre entre V15 (pré-florescimento) e R2 (uma semana após o florescimento). Evidentemente não há espigas formadas no estádio V15, porém, as lagartas iniciam sua alimentação nas folhas e migram posteriormente para espiga, justamente no início da emissão dos estilos-estigmas.

Figura 2: Presença da lagarta-do-cartucho na espiga do milho durante fase final de desenvolvimento da cultura.

Fonte: Pioneer sementes

Dessa forma, é recomendado que em ocorrência de infestações tardias, atenção especial deve ser tomada durante o início do florescimento, período em que as lagartas migram das folhas e entram na espiga provocando perda quase que total, seja pelo corte dos estilo-estigmas, não permitindo a fecundação, seja pela própria alimentação na espiga muito jovem. A partir de R3 as lagartas não conseguem mais penetrar na palha da espiga e o dano, além de diminuir consideravelmente, ocorre apenas na ponta da espiga.

Sendo assim, fica evidente para o agricultor que os dois períodos críticos para o manejo de controle da lagarta-do-cartucho no milho, durante os estádios vegetativos e reprodutivos do milho, são:

1- da emergência das plântulas até 30 dias após a semeadura (VE até V6), onde há grandes danos iniciais nas folhas e no colmo do milho;

2 – de uma semana antes, até duas semanas após o florescimento (V15 até R2), onde ocorrem grandes perdas por danos na espiga, totalizando cerca de 20 dias.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Controle

Não tem sido uma tarefa fácil controlar S. frugiperda, os inseticidas, com frequência têm apresentado falhas de controle, devido ao aumento de indivíduos resistentes no campo, em consequência da pulverização de inseticidas com mesmo mecanismo de ação. Nessa situação, a efetiva implementação de estratégias de manejo da resistência é de extrema importância para garantir a durabilidade de qualquer tática de controle.

Manejo da resistência

Para o manejo da resistência de S. frugiperda a inseticidas e plantas Bt são necessárias diversas práticas de manejo, como as que seguem abaixo:

  • Permitir períodos com ausência de plantas hospedeiras da praga, para assim reduzir a pressão de seleção em favor dos resistentes;
  • Recomenda-se o uso de rotação de inseticidas com diferentes mecanismos de ação;
  • Usar as doses recomendadas no rótulo ou bula de cada inseticida e priorizar o uso de inseticidas seletivos para a preservação de inimigos naturais;
  • Implementação de áreas de refúgio efetivas para a preservação da suscetibilidade da praga as proteínas de Bt e, consequentemente da durabilidade dessas tecnologias para o MIP;
  • Estabelecer essas estratégias de manejo em âmbito regional, já que a praga possui alta mobilidade;
  • Dar preferência para os cultivos Bt que expressam mais de uma proteína inseticida para o controle de pragas;
  • Planejar o sistema de produção de cultivos (rotação de culturas) da propriedade para garantir um período do ano sem plantas hospedeiras de S. frugiperda.

Dessa maneira, conhecer seu ciclo, realizar o MIP e medidas preventivas são as formas mais eficazes de controle desse tipo de lagarta, juntamente com um bom planejamento agrícola. Com essas informações, sem dúvida, o agricultor dispõe de uma ferramenta a mais para auxiliar na tomada de decisão do momento ideal de realizar o manejo de controle da lagarta-do-cartucho, podendo assim potencializar o rendimento de seus campos.

Redação – Andréia Procedi – Equipe Mais Soja.

 

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