O objetivo do trabalho foi avaliar a produtividade de grãos de soja em diferentes arranjos espaciais de semeadura na região do planalto central brasileiro.

Autores: Tiago Pereira da S. Correia1; Francisco Faggion1; Alexandre P. F. de Almeida Faria2, Karen Pereira da S. Carneiro3, Arthur Gabriel C. Lopes3 Guilherme R. de Brito3, Paulo Roberto A. Silva4

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O arranjo espacial de plantas, ou seja, a forma como as plantas são dispostas na área, pode influenciar diretamente nos resultados de produtividade das lavouras. Esse arranjo é definido pela densidade de semeadura (plantas por hectare), pelo espaçamento entre as fileiras e pela uniformidade de distribuição de plantas dentro dessas fileiras.

Balbinot Junior et al., (2017) explica que o arranjo pode alterar o crescimento da cultura, a incidência de estresses bióticos (plantas daninhas, insetos-praga e doenças) e abióticos (déficit hídrico, por exemplo), a qualidade das pulverizações, o acamamento e, consequentemente, a produtividade e qualidade dos grãos. Procópio et al., (2014) destacam que os estudos sobre os arranjos espaciais das plantas são necessários e devem ser atualizados, pois as mudanças nas características morfofisiológicas das cultivares de soja e as práticas de manejo são constantemente modificadas.

O objetivo do trabalho foi avaliar a produtividade de grãos de soja em diferentes arranjos espaciais de semeadura na região do planalto central brasileiro.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na Fazenda Experimental Água Limpa (FAL), pertencente à Universidade de Brasília (UnB), em Brasília/DF, durante o ano agrícola 2015/2016. A área experimental, possui 1100 m de altitude, é utilizada em sucessão com milho há oito anos e o clima predominante na região é o subtropical de inverno seco (com temperaturas inferiores a 18°C) e verão quente (com temperaturas superiores a 22°C).

Os tratamentos utilizados foram à combinação de diferentes espaçamentos entre linhas no momento da semeadura da cultura da soja, sendo eles: Semeadura convencional com espaçamento entre linhas de 0,45 m; semeadura com espaçamento entre linhas de 0,6 m; semeadura cruzada com espaçamento entre linhas de 0,45 m; semeadura adensada com espaçamento entre linhas de 0,20 m; e semeadura em linha dupla com espaçamento entre linhas alternando em 0,20 m e 0,60 m. Os tratamentos foram semeados seguindo o delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições, sendo cada parcela constituída por 3,5 m de largura e 10 m de comprimento.

As sementes de soja utilizadas foram da variedade W842 RR, de crescimento indeterminado, grupo de maturação 8.3 e densidade de semeadura de 18 sementes por metro de linhas. A semeadura foi realizada mecanizadamente em sistema plantio direto sob palhada dessecada de Braquiária ruziziensi. A adubação de base foi realizada com 550 kg ha-1 do formulado NPK 00-30-10 + 0,3% Zn, sendo realizados tratos culturais com duas aplicações pós-emergente de Glifosato na dosagem de 2,5 L ha-1, quatro aplicações de inseticida Acefato na dosagem de 1 kg ha-1 e três aplicações de fungicida Piraclostrobina + Epoxiconazol na dosagem de 0,5 L ha-1. Todas as aplicações foram tratorizadas utilizando volume de calda de 200 L ha-1.

A avaliação de produtividade de grãos foi realizada a partir da colheita manual das plantas contidas em 5 m2 de cada parcela, aos 110 dias após a semeadura. A trilha e debulha das vagens foi realizada em trilhadora mecanizadas, sendo os grãos pesados em balança de precisão 0,001 g e submetidos a determinação do teor de água em medidor Gehaka 650. O peso dos grãos foi corrigido para 13% de teor de água e os valores extrapolados para obtenção da produtividade por hectare. 

Aos dados obtidos foram submetidos a análises de variância e as média compradas pelo teste de Tukey ao nível máximo de 5% de probabilidade de erro.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados apresentados na Tabela 1 indicam maior produtividade de grãos de soja para a semeadura com arranjo espacial de linhas duplas, sendo obtidos 3239,5 kg ha-1, quantidade 16,5% maior que a média de 2702,2 kg ha-1 obtida entre os tratamentos do experimento. A produtividade entre os demais arranjos espaciais de semeadura não diferiu.

Tabela 1. Produtividade de grãos e peso de 1000 grãos da cultura da soja em diferentes arranjos espaciais de semeadura.

Os resultados contradizem os descritos por Carvalho (2014), que analisando diferentes sistemas de semeadura da cultura da soja, verificou-se que os sistemas de semeadura não influenciaram na produtividade de grãos. Segundo a autora, os sistemas de semeadura convencional e fileira dupla apresentam melhor desempenho fisiológico, mas não refletem em melhores produtividades.


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Moreira (2013) analisou diferentes sistemas de semeadura da cultura da soja e afirma que não houve influência na produtividade de grãos. Contudo, analisando as produtividades obtidas neste estudo, observa-se que o sistema de semeadura em fileira dupla produziu mais que o sistema convencional e adensado, assim como este estudo.

Condizendo com o resultado de produtividade o peso de 1000 grãos foi maior no arranjo de linhas duplas, sendo de 148,3 g, valor 3,2% maior que a média dos tratamentos. Segundo alguns autores, pode-se encontrar efeito do arranjo de plantas de soja na massa de 1.000 grãos. Weber et al. (1966), obtiveram aumento dessa característica relacionado ao aumento da população de plantas. Peixoto et al. (2000), obtiveram resultados em que, com o aumento da densidade de plantas na linha houve incremento da massa de grãos. Heiffig et al. (2006) notaram em seu estudo que a medida em que aumentaram o espaçamento entre fileiras, o peso de 1.000 grãos também aumentou, corroborando com o que foi constatado neste ensaio.

CONCLUSÃO

A produtividade de grãos de soja é incrementada pelo arranjo espacial de semeadura em linhas duplas distantes 0,2 m e intercaladas em 0,6 m.

REFERÊNCIAS

BALBINOT JUNIOR, A. A., SANTOS, E., DEBIASI, H., RIBEIRO, R., & FRANCHINI, J. Agrupamento de plantas de soja na linha de semeadura e seu efeito no desempenho da cultura. In Embrapa Soja-Artigo em anais de congresso (ALICE). In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA, 36., 2017, Londrina, PR. Resumos expandidos… Londrina: Embrapa Soja, 2017.

PROCÓPIO, S. O.; BALBINOT JUNIOR, A. A.; DEBIASI, H.; FRANCHINI, J. C.; PANISON, F. Semeadura em fileira dupla e espaçamento reduzido na cultura da soja. Revista Agro@mbiente, v. 8, n. 2, p. 212-221, 2014.

CARVALHO, M. M. Influência de sistemas de semeadura na população de pragas e nas características morfofisiológicas em cultivares de soja. 2014. 59 f. Dissertação (Mestrado em Proteção de Plantas) Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Botucatu, 2014.

HEIFFIG, L. S.; CÂMARA, G. M. S.; MARQUES, L. A.; PEDROSO, D. B.; PIEDADE, S. M. S. Fechamento e índice de área foliar da cultura da soja em diferentes arranjos espaciais. Bragantia, Campinas, v.65, n.2, p.285-295, 2006.

MOREIRA, C. A. F. Depósitos de pulverização em diferentes sistemas de semeadura de soja no manejo da ferrugem asiática. 2013. 46 f. Dissertação (Mestrado em Agronomia) Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Botucatu, 2013.

PEIXOTO, C.P.; CÂMARA, G. M.S.; MARTINS, M.C.; MARCHIORI, L.F.S.; GUERZONI, R.A.; MATTIAZZI, P. Épocas de semeadura e densidade de plantas de soja: I. Componentes da produção e rendimentos de grãos. Piracicaba: Scientia Agricola, Piracicaba, v. 57, n. 1, p. 89 – 96, 2000.

WEBER, C.R.; SHIBLES, R.M.; BYTH, D.E. Effect of plant population and row spacing on soybean development and production. Agronomy Journal, Madison, v. 58, p. 99-102, 1966.

Informações dos autores:  

1 Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (FAV/UnB), Brasília/DF;

² Pós-graduando do curso de Agronomia, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (FAV/UnB), Brasília/DF; 

³ Acadêmico do Curso de Agronomia, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (FAV/UnB), Brasília/DF;

4 Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA/Unesp), Botucatu/SP.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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