A ocorrência de lagartas na soja apresenta variações significativas ao longo do ciclo da cultura. Essa dinâmica está ligada à capacidade de estabelecimento das espécies de lagartas e aos aspectos fenológicos da cultura da soja, que favorecem a ocorrência de determinadas espécies de acordo com a fase de desenvolvimento das plantas.

Segundo Guedes et al. (2015), as principais lagartas que ocorrem nos estágios iniciais de desenvolvimento da soja (V1 a V3) são aquelas capazes de seccionar (cortar) as plântulas, como as espécies do complexo Spodoptera e a lagarta Helicoverpa armigera (Figura 1). Portanto, o principal dano associado à ocorrência dessas lagartas no estabelecimento da cultura é a redução do estande da lavoura.

Figura 1. Lagarta Helicoverpa armigera atacando plântula de soja.

Foto: André Shimohiro. Confira a imagem original clicando aqui. 

A partir do estágio V4, as condições tornam-se propícias à ocorrência da lagarta-da-soja, Anticarsia gemmatalis; entretanto, à medida que a cultura se aproxima do final do período vegetativo e início do reprodutivo, a falsa-medideira (Chrysodeixis includens) aumenta suas populações e passa a predominar sobre as demais. É comum que, durante a fase vegetativa, essa duas espécies (A. gemmatalis e C. includens) ocorram tanto de forma isolada quanto simultânea (Figura 2).

Figura 2. Período de menor (verde) e maior (vermelho) risco de danos das lagartas da soja em relação à fenologia da cultura.

Fonte: Guedes et al., 2015.

Já durante o período reprodutivo da cultura da soja, aumenta a ocorrência e o risco de dano por espécies capazes de atacar diretamente as partes reprodutivas das plantas (flores, legumes e grãos), tais como Helicoverpa armigera (Figura 2) e, em menor grau, lagartas do gênero Spodoptera. Pelo seu hábito alimentar afetar diretamente o rendimento de grãos, essas espécies devem ser cuidadosamente monitoradas durante os estágios reprodutivos da cultura; entretanto, o cuidado com as lagartas de hábito exclusivamente desfolhador deve também ser mantido (GUEDES et al., 2015).

Portanto, o período de maior risco ao ataque de uma praga depende da intensidade de ocorrência da espécie em cada fase de desenvolvimento da cultura, bem como do tipo de dano ocasionado. Além disso, a distribuição das espécies pode variar de acordo com as medidas de manejo empregadas. As lagartas A. gemmatalis e C. includens, por exemplo, são consideravelmente suprimidas pelo uso de cultivares de soja Bt, ao passo que H. armigera e lagartas do gênero Spodoptera apresentam certa tolerância às toxinas Bt e acabam predominando em lavouras que utilizam essa tecnologia. Para saber mais sobre a composição de pragas em soja Bt e não-Bt, clique aqui.

Revisão: Prof. Jonas Arnemann, PhD. e coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS:

GUEDES, J. V. C.  et al. Lagartas da soja: das lições do passado ao manejo do futuro. Revista Plantio Direto, v. 144, p. 6–18, 2015.

PERINI, C. R. et al. Ocorrência e manejo de pragas em soja Bt e não Bt no sul da América do Sul. Revista Plantio Direto, v. 175, p. 21-31, 2020.

POZEBON, H. et al. Arthropod invasions versus soybean production in Brazil: a review. Journal of Economic Entomology, v. 113, n. 4, p. 1591–1608, 2020.

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