A fixação biológica de nitrogênio ou FBN como é popularmente conhecida, é um dos processos biológicos mais importantes da agricultura. Por meio da FBN, bactérias fixadoras de nitrogênio em um processo simbiótico com a planta da soja, conseguem capturar o Nitrogênio atmosférico, deixando-o em formas assimiláveis para as plantas.

Conforme destacado por Gitti (2015), esse processo é capaz de suprir todas a demande de Nitrogênio pela cultura da soja para a obtenção de boas produtividades médias, sem a necessidades da adição de fertilizantes nitrogenados, contribuindo assim, para a sustentabilidade da cultura e rentabilidade do cultivo.

Como resultado visual do processo de FBN, é possível observar a formação de nódulos, nas raízes de soja, os quais normalmente possuem coloração interna rosácea em função da presença da leghemoglobina. Ainda que bactérias fixadoras de nitrogênio possam ser encontradas no solo, em algumas situações elas estão presentes em baixas quantidades populacionais, sendo necessário realizar o incremento dessas populações por meio da inoculação da soja.



Figura 1. Corte transversal de um nódulo resultante da simbiose entre raízes e bactérias do gênero Bradyrhizobium.

Fonte: EMBRAPA

Em conjunto a adequada inoculação, seja nas sementes ou sulco de semeadura, a avaliação da nodulação por meio da análise dos nódulos da FBN é de suma importância para verificar a necessidade ou não de intervir com determinadas práticas de manejo. Conforme destacado por Zanon et al. (2018), próximo a V1, ocorre o início da infecção do Bradyrhizobium no sistema radicular e formação de nódulos, sendo possível observar os primeiros nódulos da FBN entre cinco e doze dias após e emergência das plântulas.

Quando avaliar a nodulação da soja?

Além do número de nódulos por raiz, ao avaliar a nodulação é importante observar o tamanho dos nódulos, sendo desejável, nódulos com tamanho igual ou superior a 2 mm, pois são os que possuem maior capacidade de fixação de nitrogênio (Hungria; Campo; Mendes., 2001).  De maneira geral, recomenda-se que a avaliação da nodulação da soja seja realizada entre V3 – V4.

Figura 2. Soja em estádio de desenvolvimento V3.

Fonte: Stoller.

Caso o número médio de nódulos por planta seja inferior a 10 até o estádio V3 – V4, a aplicação complementar de inoculante via pulverização, na dose equivalente a 6 milhões de células por planta (equivalente a 5 a 7 doses de inoculante por hectare, conforme a concentração do produto) e com no mínimo 200 L ha-1 de calda, pode recuperar parcialmente a nodulação (Seixas et al., 2020).


Veja mais: Inoculação em pós emergência da soja?


Lembrando que, durante o período do florescimento, há um rápido aumento da taxa de fixação de N2 (Zanon et al., 2018), sendo assim, Hungria; Campo; Mendes (2001), destacam que uma planta bem nodulada, deve apresentar entre 15 a 30 nódulos durante esse período, visando suprir todas as exigências de Nitrogênio da soja.

Referências:

GITTI, D. C. INOCULAÇÃO E COINOCULAÇÃO NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção:  Soja 2014/2015, 2015. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/209/209/newarchive-209.pdf >, acesso em: 24/11/2021.

HUNGRIA, M.; CAMPO, R. J.; MENDES, I. C. FIXAÇÃO BIOLÓGICA DO NITROGÊNIO NA CULTURA DA SOJA. Embrapa, Circular Técnica, n. 35, 2001. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/CNPSO/18515/1/circTec35.pdf >, acesso em: 24/11/2021.

SEIXAS, C. D. S. et al. TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO DE SOJA. Embrapa, Sistema de Produção, n. 17, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1123928/1/SP-17-2020-online-1.pdf >, acesso em: 24/11/2021.

ZANON, A. J. ECOFISIOLOGIA DA SOJA: VISANDO ALTAS PRODUTIVIDADES. Santa Maria, ed. 1, 2018.

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