No solo, o enxofre (S) é encontrado predominantemente na forma orgânica. Por isso, a capacidade do solo em suprir a demanda da planta pelo nutriente está estreitamente relacionada ao teor de matéria orgânica e sua mineralização, que, gradualmente, disponibilizará o S na forma de sulfato para a solução do solo, o qual poderá ser absorvido pelas plantas na forma de sulfato.


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No entanto, a disponibilidade imediata do S é controlada pelo processo de adsorção/dessorção do sulfato, por meio do equilíbrio rápido entre aquele que está na solução e aquele da fase sólida do solo. Nesse caso, o pH do solo é um fator determinante da disponibilidade de S. Quanto maior o pH do solo, menor será a retenção de sulfato e maior será sua perda por lixiviação.

No RS e SC são encontrados diversos tipos de solo. Além disso, o uso intensivo dos solos nos diversos sistemas de cultivo ao longo dos anos, especialmente no cultivo convencional, tem alterado suas características e propriedades. Tal fato se deve, principalmente, às grandes quantidades de solo perdidas por erosão, à drástica diminuição dos teores de matéria orgânica e à utilização de corretivos da acidez do solo, que aumentam a lixiviação do sulfato. Além disso, existe ainda uma ampla variabilidade na oferta de sulfato às plantas devido à deposição de formas de S atmosférico pela água da chuva.

A Comissão de Química e Fertilidade do Solo do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (SC) (CQFS-RS/SC) agrupa as culturas de acordo com suas exigências em S, estabelecendo dois níveis de suficiência (níveis críticos): de 10 mg dm–3 para as espécies das famílias das fabáceas (todas as leguminosas, soja por exemplo), brassicáceas (por exemplo, nabo, canola, etc) e liliáceas (por exemplo, alho, cebola, etc), e de 5 mg dm–3 para as demais famílias, como as gramíneas.

Contudo, além dos níveis críticos de S disponível no solo que podem ser avaliados mediante uma análise de solo confiável, é importante que estejamos atentos também às condições onde existe maior probabilidade de resposta à adubação sulfatada, tais como: (i) cultivo de solos arenosos, (ii) solos com baixo teor de matéria orgânica, (iii) elevado pH (solos intensamente calcareados), (iv) elevada exportação de S pelas culturas (silagem ou sistemas irrigados com altas produtividades), (v) solos de regiões afastadas de centros industriais ou do mar, (vi) quando não há adição de S via fertilizantes por vários anos (uso de fertilizantes concentrados sem S na formulação), e (vii) quando são cultivadas culturas mais exigentes em S (por exemplo: canola, cebola, alho).

Tales Tiecher – tales.t@hotmail.com; Mestre em Ciência do Solo; UFSM – Doutor em Ciência do Solo – UFSM; Doutor em “Sciences de la Terre et de l’Univers, Espace” – Université de Poitiers, França; Professor do Departamento de Solos da UFRGS; Editor-Chefe da Revista Brasileira de Tecnologia em Agropecuária (http://revistas.fw.uri.br/index.php/rbta).

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