O ponto é que soja plantada fora de época – “extemporânea” (como em fevereiro) cria ponte verde e aumenta o risco de resistência aos defensivos independentemente se a área estava anteriormente em pousio, se tinha outra cultura, se é pequena ou se foi tratada só com fungicidas multissítio. É importante lembrar que as pragas não se resumem só a ferrugem.


Soja safrinha não é só soja sobre soja


Sob a ótica técnica: Como já dito, para a resistência, o problema é alongar a janela, criar a “ponte verde” que permite que a praga se mantenha viva. Em pragas de alta mobilidade, como os fungos que se multiplicam por esporos, a dispersão entre áreas é extremamente fácil. Um isolado que evolua para ser resistente já é o suficiente para gerar transtornos, uma vez o fungo da ferrugem completa seu ciclo reprodutivo em 7-10 dias, produzindo novos esporos na mesma lesão por até 3 semanas e milhões de novos indivíduos. Não há como garantir que medidas como não semear soja sobre soja ou limitar a 5% do total possam efetivamente reduzir a possibilidade de resistência.

Sob a ótica jurídica: A legislação do Mato Grosso proíbe a semeadura após 31 de dezembro. Não há salvaguardo jurídico a quem plantar fora de época, quer seja em áreas em que não estava plantada soja ou em área limitada. É uma infração plantar em fevereiro. Nenhuma assistência jurídica que possa ser oferecida por alguma entidade conseguirá livrar alguém de uma infração apurada e documentada.

A prática de semeadura de soja tardia pode causar danos em curto prazo ao produtor em função de possíveis multas e da ordem para destruição da área cultivada. Mas também pode trazer um impacto irreparável ao país, colocando em risco toda a safra principal, passando a ser uma questão de segurança nacional com potenciais riscos à balança comercial, que tem parcela significativa na sustentabilidade da cadeia da soja. Cada agricultor é responsável pela manutenção da sustentabilidade da prática agrícola, seja fazendo o certo, seja denunciando quem não o faz.


Por que foi adotado o vazio sanitário e

somente agora se propõe a calendarização?


É importante frisar, também, que os impactos dessas ações não serão verificados de imediato, neste plantio ou talvez na próxima safra, mas com certeza a ampliação da janela terá uma consequência catastrófica nas safras subsequentes. Se novos mecanismos de ação não forem descobertos haverá uma perda significativa da performance dos produtos e, logo, nas produtividades, demandando aumento da necessidade no número de aplicações durante a safra.

O Mato Grosso não é uma ilha isolada, qualquer medida tomada nesse estado poderá afetar os demais estados no caso da ferrugem, pela capacidade de disseminação do fungo pelo vento e mesmo de outras pragas com menor mobilidade, que com o passar do tempo acabam atingindo longas distâncias.


Não é só a ferrugem-asiática!!


Este post faz parte de documento elaborado pela Andef, Sindiveg, AgroBio Brasil CIB, Abrass, Abrasem, Braspov, Fundação MT, Consórcio Anti Ferrugem e CESB, com apoio do FRAC, IRAC e HRAC. Acesse o documento completo aqui.

Se você concorda com a posição destas instituições, acesse e confira o Manifesto em favor da sustentabilidade de sojicultura Brasileira aqui.


 

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