Pesquisadores da Universidade Federal Tecnológica do Paraná e da Universidade Estadual de Londrina no objetivo de avaliar a aplicação de GreenSeeker® (radiômetro) na detecção do momento ideal para a aplicação de fungicida na soja e a relação entre NDVI (Normalized Difference Vegetation Index) e produtividade. O trabalho foi realizado pelos pesquisadores Roger N. Michels, Marcelo G. Canteri , Marcelo A. de Aguiar e Silva, Janksyn Bertozzi e Tatiane C. Dal Bosco e foi publicado na Revista de Ciências Agrárias,  vol.41 no.3 em set. 2018. Leia o trabalho completo aqui.


A ferrugem asiática da soja [Glycine max (L.) Merr.] causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi , acarreta inúmeros danos na cultura da soja, estes que comprometem diretamente o rendimento da cultura. A alternativa  empregada nas lavouras para prevenção e controle desta doença se dá pelo uso de fungicidas. As aplicações de fungicidas muitas vezes não levam em consideração o nível de dano, não pensando também que os custos de produção podem aumentar, e também elevar o risco de resistência além do impacto ambiental negativo.

O comportamento das medidas de refletância e a porcentagem de luz solar refletida pela planta, em diferentes situações de cultivo, constituem informações relevantes a serem utilizadas na elaboração de modelos de estimativa de danos baseados em medidas de refletância (Hikishima et al ., 2010), para produtividade previsão (Ali et al ., 2014), em agricultura de precisão para aplicação de fertilizantes (Chang et al ., 2014) e para detecção precoce de lesões de herbicidas na cultura da soja (Yao et al ., 2012). Pode também detectar variações na área foliar de plantas doentes e serve como parâmetro para a estimativa de danos na produção (Yao et al ., 2013; Ali et al ., 2014).

O NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada) é um índice de vegetação normalizado, podendo ser adotado como um sistema portátil, capaz de produzir recomendações precisas e exatas para quantificação de dados e útil para a tomada de decisão sobre o melhor momento para a aplicação de defensivos. 


Quer mais conhecimento ainda em 2018/ Confira nossos cursos. Até 31/12 todos em promoção. Não perca.


Assim os autores do trabalho elencam que para que seja possível utilizar o NDVI foi necessário  adotar a parcela de controle, livre de doença, para obter a diferença de absorção se comparada com a situação de produção . E com isso o radiômetro captaria variações entre parcelas doentes e parcelas controladas em tempo hábil.

O trabalho foi feito na Universidade Federal de Londrina (UEL), localizada no município de Londrina. A semeadura foi realizada em 14 de dezembro de 2012 para a safra 2012/2013 e em 5 de dezembro de 2013 para a safra 2013/2014. Os cultivos de soja adotados foram BMX Potência RR e M 6410 IPRO, respectivamente. As semeaduras foram realizadas no limite final do período de tempo recomendado, com o objetivo de garantir maior quantidade de inoculação do fungo proveniente das primeiras semeaduras na região (Godoy et al ., 2009). 

As leituras de refletância, foram realizadas semanalmente após a primeira aplicação do fungicida utilizando o equipamento portátil GreenSeeker® modelo RT100, da NTech. Três leituras por parcela foram realizadas com o equipamento sobre a área útil de cada 0parcela, a uma distância de 0,50 m acima do dossel da planta. As leituras foram feitas pela manhã, entre as 9:00 e as 12:00 horas.

Os tratamentos visaram obter um gradiente de doença (ferrugem asiática da soja) através de diferentes números e épocas de aplicação do fungicida. O fungicida utilizado para o gradiente de intensidade da ferrugem asiática da soja foi a mistura comercial de Piraclostrobina + Epoxiconazol (66,5 + 25 g ia ha), com dose de 500 mL.ha para um volume de 200 L.ha com óleo mineral como veículo, na dose de 500 mL.ha.

Os tratamentos:

T1 – Nenhuma pulverização 

T2 –  PARCELA CONTROLE – 6 pulverizações ( aos 30, 45, 60, 75, 90, 105 dias)

T3 – 5 pulverizações ( aos 45, 60, 75, 90, 105 dias)

T4 – 4 pulverizações ( aos 60, 75, 90, 105 dias)

T5 – 3 pulverizações ( aos 75, 90, 105 dias)

T6 – 2 pulverizações ( os 90, 105 dias)

A porcentagem da área foliar coberta pelos sintomas da doença, foi feita através da escala do diagrama (Godoy et al ., 2006). As avaliações começaram desde o desenvolvimento das primeiras pústulas e foram feitas semanalmente até a desfolha total. 

Duas áreas com tratamentos idênticos, denominados Dest1 (testemunha) e Dest2 (controle), respectivamente, realizadas em paralelo ao experimento, foram dedicadas a testes destrutivos.

Após calculo da  área sob a curva de progresso do NDVI, resultados da pesquisa mostram que  existe correlação entre a incidência da doença e o NDVI.

O comportamento da evolução da gravidade da doença entre as duas áreas destrutivas nos Experimentos 1 e 2 pode ser visto na Figura 1. Os autores chama atenção para a safra 2013/2014, onde houve menor avanço da ferrugem asiática, pois não houve precipitação em quantidade suficiente. 

Figura 1.  Evolução da severidade da doença (%) nas avaliações destrutivas no tratamento controle e na testemunha ao longo do tempo nos experimentos 1 – A e 2 – B.

Isolando os tratamentos T1 e T2 (testemunha e controle respectivamente) e aplicando o Teste T com significância de 5%, diferença estatística foi encontrada na mesma data do teste de Scott-Knott para o Experimento 1. No Experimento 2 a diferença ocorreu em 17 de março de 2014, isto é , 102 dias após a semeadura, a mesma data da diferença estatística encontrada no Teste T da severidade da ferrugem asiática da soja. Dessa forma, nota-se que a doença diminui a cobertura foliar saudável da cultura, influenciando o valor do NDVI. O comportamento do NDVI entre os tratamentos do experimento pode ser visto na Figura 2.

Figura 2. NDVI nos tratamentos com diferentes gradientes de ferrugem asiática ao longo do tempo nos Experimentos 1 – A e 2 – B.

Ao calcular a área abaixo da curva de progresso do NDVI é possível verificar que o número de pulverizações influencia a manutenção do NDVI, ou seja, a maior incidência de ferrugem asiática diminui a cobertura foliar e, consequentemente, diminui o NDVI. 

No Experimento 2 a progressão é menos intensa devido à menor incidência da doença em comparação com Experimento 1. Veja a Figura 3.

Figura 3. Área abaixo da curva de progressão do NDVI, Experimento 1 – A e 2 – B.

Uma diminuição na produtividade foi observada em relação ao atraso na aplicação do fungicida e o mesmo ocorreu na área abaixo da curva NDVI. 

Os resultados das diferenças estatísticas da massa de 1.000 grãos não são idênticos às diferenças estatísticas do NDVI, mas apresentam uma forte tendência de representatividade. O comportamento dos dados dos Experimentos 1 e 2, em relação à produtividade, pode ser visto na Figura 4.

Figura 4. Altura de planta, nº de legumes, nº de grãos por legume e massa de 1000 grãos nos tratamentos ao longo do tempo nos diferentes gradientes de incidência de ferrugem nos Experimentos 1 e 2. 

Com este trabalho, os autores inferem que o NDVI é um item a ser levado em consideração para a tomada de decisão sobre o melhor momento de aplicação do fungicida na cultura da soja para o controle da ferrugem asiática. 

E para um resultados mais confiáveis, seria necessário aumentar a freqüência das leituras de NDVI ou mesmo desenvolver um sistema estático, com a obtenção de dados constantes entre as parcelas de controle e testemunhas.

Fonte: Revista de Ciências Agrárias,  vol.41 no.3 em set. 2018. Leia o trabalho completo aqui.

Autores: Roger N. Michels, Marcelo G. Canteri , Marcelo A. de Aguiar e Silva, Janksyn Bertozzi e Tatiane C. Dal Bosco.

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.