Resistência de Insetos e Ácaros ao Controle Químico é Tema de Dissertação da UFV

0
521
Tendo em vista a importância da agricultura na economia nacional e o controle de pragas que causam danos às culturas agrícolas, a pesquisadora da Oxya Agro e Biociências, Izabella Menezes, apresentou, a sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal de Viçosa intitulada “Resistência de artrópodos de importância agrícola ao controle químico no Brasil”.

 O objetivo do trabalho foi levantar as espécies de insetos e ácaros de importância agrícola com relato de resistência no Brasil e uma busca sistemática de publicações científicas para categorizar e analisar o histórico de resistência a ingredientes ativos destas espécies.

 Para isso, Izabella utilizou informações do “Arthropod Pesticide Resistance Data” (APRD) e dos dados cedidos pela Associação Nacional de Defesa Vegetal (ANDEF) sobre o Registros de Agrotóxicos e Afins realizados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) no período de 2005-2015.

 De acordo com o estudo, existem pelos menos 575 espécies de pragas com relatos de resistência a ingredientes ativos no mundo. Destas, 160 estão presentes no Brasil. Do total encontrado no país, 26 possuem relatos de resistência confirmados, sendo 18 de importância agrícola (16 espécies de insetos e 2 de ácaros). A pesquisadora alerta para o fato de que há 134 espécies para as quais há relatos de resistência em outros países mas não no Brasil, mas que isso não quer dizer que elas não apresentem resistência por aqui. “Pode ser que, por falta de pesquisa, a gente ainda não tenha conhecimento”, explica Izabella.

 Foi relatado ainda que há relatos de resistência de artrópodos a 61 ingredientes ativos diferentes no Brasil. Isso que equivale a 24,01%, dos 254 inseticidas e acaricidas categorizados pelo Comitê de Ação à Resistência a Inseticida (IRAC-BR). Izabella aponta a importância de se monitorar a susceptibilidade das populações de pragas aos inseticidas e acaricidas, a exemplo do que realiza o IRAC-BR, que apoia ações nas cinco regiões do país.

 Um outro aspecto abordado por Izabella foi o número de pragas introduzidas para as quais há relato de resistência no Brasil: 38,9% das 18 espécies levantadas. Além disso, a pesquisadora observou que essas espécies são as que apresentam resistência ao maior número de ingredientes ativos, com casos de resistência cruzada e resistência múltipla. É possível que, na época em que foram introduzidas, essas pragas já fossem resistentes a agrotóxicos. Izabella conclui que “é imprescindível que se utilizem ferramentas de inteligência quarentenária, vigilância e resposta rápida, com intuito de evitar a entrada de novas pragas no país e, assim, aumentar a durabilidade das tecnologias disponíveis para controle”.

Fonte: Oxya Agro e Biociências

Publicado por: Defesa Vegetal Net

Texto originalmente publicado em:
Defesa Vegetal Net
Autor: Oxya Agro E Biociências

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.