Em entrevista ao programa de rádio Boletim no rádio – O podcast semanal do sistema FAEP/SENAR-PR, o tema rotação de culturas foi abordado pelos jornalistas André Amorim, Antônio Sankowski, Felipe Anibal e a Engenheira Agrônoma Ana Paula Kowalski do Departamento Técnico Econômico da FAEP. O tema foi capa da do Boletim Informativo n° 1508 da FAEP.

 Tratando-se de rotação de culturas, pode-se dizer que “inúmeros são os benefícios que ela traz ao sistema produtivo, além de melhorias da estruturação do solo, incremento da matéria orgânica e aumento da eficiência dos insumos agrícolas”, a rotação de culturas pode trazer retorno econômico ao produtor rural, deixando de ser apenas uma “obrigatoriedade” do sistema da produção, para se tornar uma alternativa viável economicamente para a sustentabilidade do sistema. Segundo FRANCHINI et. al, (2011), considerando a produtividade média da soja em rotação de com milho, observou-se ganho de 17% na produtividade quando comparado ao cultivo de soja em sucessão ao trigo, na figura 1 é possível enxergar a importância da rotação de culturas e seus impactos na produtividade das culturas.

Figura 1. Produtividade média da soja (safras 1991/92 a 2008/09) em função do tempo após o cultivo do milho de verão, no sistema de rotação tremoço/milho – aveia/soja – trigo/soja – trigo/soja e no sistema de sucessão trigo/soja. Embrapa Soja, Londrina -PR, 2010.

FRANCHINI et. al, (2011).

A produtividade refere-se á média de cinco safras para as condições ano 1 e ano 2 após o milho, quatro safras para a condição ano 3 após o milho de verão e 21 safras para a sucessão trigo/soja.

Mas primeiramente é necessário que se tenha em mente o que é uma rotação de culturas. A rotação de culturas consiste no cultivo de espécies diferentes na mesma área em estações estivais diferentes. Em muitos casos a sucessão de culturas é confundida com a rotação de culturas. Na maioria das propriedades agrícolas, há sempre uma cultura principal e em grande parte das propriedades brasileiras, a soja é tida como carro chefe das propriedades.

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Segundo Ana Paula, “a rotação de culturas se adapta muito a região de cultivo, tecnologia disponível e condições climáticas”. O fato de a rotação de culturas não ser amplamente utilizada pode estar ligado as dificuldades em conseguir insumos primários como sementes de espécies forrageiras e/ou plantas de cobertura, além da dificuldade de comercialização de espécies alternativas produtoras de grãos como milheto, sorgo, girassol etc, dependendo da região de cultivo.

Contudo, deve-se planejar a rotação de culturas para inseri-la como “hábito” no sistema produtivo, pois seus benefícios superam suas dificuldades. Um exemplo prático é o controle de plantas daninhas, visto que quando inserida uma cultura produtora de palhada residual e que mantenha o solo coberto na entressafra da cultura principal, é diminuída consideravelmente a emergência de plantas daninhas decorrente do sombreamento imposto pela palhada nas sementes dispostas no solo. em virtude dessa diminuição de plantas daninhas, a necessidade de controle também é menor, diminuindo as perdas de produtividade por competição entre plantas daninhas e cultivadas e o custo de aplicação de herbicidas.

Além disso,  a rotação de culturas auxilia no incremento da matéria orgânica do solo por meio do fornecimento de resíduos culturas,  diminuição da evaporação da água no solo quando comparado a solos descobertos, diminuição es estresses hídricos decorrentes da maior disponibilidade de água, incrementação dos teores de Nitrogênio do solo em virtude do processo de mineralização da matéria orgânica, diminuição das erosões superficiais, descompactação do solo, diminuição da pressão de inóculos e patógenos entre outros benefícios.



É importante atentar para qual rotação de culturas utilizar, quais as plantas possíveis, de utilização para sua lavoura, quais encontro sementes e comercialização no caso de culturas produtores de grãos e o mais importante, quando realizar a rotação de culturas.  Em lavoura que cultivam soja no verão e milho safrinha, a rotação de culturas por espécies mais resistentes ao frio pode ser uma alternativa significativa para diminuir riscos. Em casos de geada antecipada, o milho pode ser afetado comprometendo a produtividade da lavoura.

Uma alternativa para a implementação da rotação de cultura pode ser o particionamento da área e a rotação entre elas, manejando sempre de forma a ter uma cultura de retorno econômico em algumas áreas. É importante que antes da implementação da rotação o produtor procure o técnico responsável ou instituições de pesquisa e extensão como Emater, Embrapa ou até mesmo cooperativas da sua região para pedir auxilio na escolha das espécies a serem utilizadas e o zoneamento edafoclimático adequado para semeadura das espécies.

Alguns benefícios da rotação de culturas podem ser observados a longo prazo, contudo possibilitam a sustentabilidade do sistema e consequentemente viabilidade da produção, o mais importante é enxergar a rotação de culturas como uma solução ao sistema produtivo e não um problema.

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Referências:

BOLETIM INFORMATIVO. ROTAÇÃO LUCRATIVA. Federação da Agricultura do Estado do Paraná, SENAR – PR, n. 1508, fev/mar. 2020.

BOLETIM NO RÁDIO, O PODCAST SEMANAL DO SISTEMA FEAP/SENAR – PR. Rotação de Cultura. Disponível em: https://sistemafaep.org.br/31-o-bom-negocio-da-rotacao-de-culturas-bi-1508/, acesso em 24/02/2020.

FRANCHINI et. al,. IMPORTÂNCIA DA ROTAÇÃO DE CULTURAS PARA A PRODUÇÃO AGRÍCOLA SUSTENTÁVEL NO PARANÁ. Documentos, 327, Embrapa Soja, PR, 2011.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo.

 

 

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