Pesquisadores da UDESC/Lages produziram um estudo para avaliar  sistemas de cultivo , incidência de podridão radicular (RR – root rot em inglês )  e prevalência de Macrophomina e Fusarium nos estágios (R2) e  (R8) da soja por duas safras consecutivas, além de determinar a correlação entre produção de grãos e os métodos de manejo.

O trabalho foi publicado na Ciência Rural, vol. 48 no.7, em 2018 e pode ser conferido na íntegra acessando aqui. O trabalho tem autoria dos pesquisadores Maira Maier, Clovis A. Souza e Ricardo Trezzi Casa. O Portal Mais Soja traz em formato de post uma versão resumida do artigo original, mas recomenda a leitura do trabalho integral, pois acrescenta muito a agricultura Brasileira.

O fungos de solo habitam naturalmente os restos culturais que ficam na lavoura a cada safra de cultivo, e são eles os causadores de alguns sintomas como: de tombamento, podridão de raiz, morte prematura de plantas, entre outros, e o dano é a principal preocupação do produtor, este que é nada menos do que a perda no rendimento final da cultura.

As culturas acometidas por este problema são inúmeras, e os gêneros de fungos causadores também, porém as medidas de controle não são tantas, e a principal dela se configura no controle preventivo, ou seja, medidas que venham a prevenir estragos maiores, ou a permanência do fungo na área. 

O trabalho foi realizado em Santa Catarina, durante as safras de 2014/2015 e 2015/2016 e precipitação total de 1289 e 1594 mm na primeira e segunda temporada, respectivamente.

Os sistemas de cultivo seguem uma seqüência de semeadura na mesma área:

i) soja + aveia (aveia + soja + aveia + soja);

ii) soja + milho (milho + pousio + soja + pousio + milho + pousio + soja);

iii) soja + trigo (trigo + soja + trigo + soja) e

iv) soja + pastagem (pastagem + soja + pastagem + soja); a pastagem de inverno deste sistema de cultivo consiste em aveia preta mista com azevém.

Quatro tratamentos foram estabelecidos para cada sistema de cultivo:

T1 – plantas sem sintomas precoces de podridão radicular – RR;

T2 – plantas com sintomas precoces de RR, consistindo de brotações menores e descoloração tecidual interna visível (observada com a ajuda de um canivete) na região do hipocótilo (Macrophomina, carvão ou podridão cinzenta e Fusarium pela cor rosada);

T3 – plantas sem sintomas tardios de RR; e

T4 – plantas com sintomas tardios de RR.

Os sintomas iniciais de RR foram avaliados e caracterizados em plantas no estágio reprodutivo R2 (plena floração) e os sintomas tardios de RR em plantas no estádio R8 (maturação da safra).

Ao atingir o estágio R8, avaliou-se a incidência de podridão radicular: plantas sem sintomas visíveis de RR foram separadas de seus homólogos sintomáticos (apenas para Macrophomina ou Fusarium). 


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Os resultados apresentaram-se os seguintes: 

Nas safras de 2014/2015 e 2015/2016, a podridão cinzenta (Macrophomina phaseolina) predominou em relação à síndrome da morte súbita (Fusarium solani). A incidência de RR foi superior a 50%, resultando em perdas de 22 kg ha -1 de sementes a cada 1% de aumento de RR, ou entre 1,5 e 7,1 sacas ha -1 de soja.

Os sistemas soja + aveia e soja + milho foram consistentemente mais produtivos que seus equivalentes soja + trigo e soja + pastagem. 

Os resultados de rendimento podem ser observados abaixo:

Valores seguidos da mesma letra maiúscula na coluna não diferem de acordo com o teste de Duncan, a 5% de probabilidade. Valores seguidos pela mesma letra mais baixa na linha (comparação da estação de crescimento) não diferem de acordo com o teste F a 5% de probabilidade. 

Em ambas safras, independente do sistema de cultivo, predominou  Macrophomina (75% na primeira safra e 96% na segunda),  já  Fusarium apresentou menores índices de incidência de  (25%). Enquanto na segunda houve maior  incidência de Macrophomina se comparado com a primeira safra (96,9% e 3,1 respectivamente). Além disso, na segunda estação, particularmente o sistema soja + aveia apresentou a menor predominância de Fusarium (3,1%) do que outros.  

A incidência da podridão radicular é observada na tabela à seguir:

Tabela 2. Incidência e predomínio da podridão radicular em plantas de soja em função de diferentes sistemas de cultivo em duas safras agrícolas em Ponte Serrada, SC

1 Valores seguidos da mesma letra maiúscula na coluna (comparação do sistema) não diferem de acordo com o teste de Duncan, a 5% de probabilidade.  2 Valores seguidos pela mesma letra mais baixa na linha (comparação da estação de crescimento) não diferem de acordo com o teste F a 5% de probabilidade. 3 Diferença de acordo com o teste F a 5% de probabilidade.

Segundo os autores do trabalho para realidade do sistema de produção brasileiro, existem poucos estudos sobre a ocorrência de RR em sistemas de produção de sementes ou controle químico de RR aplicando fungicidas.

Descompactação, escarificação e subsolagem do solo melhoram as condições de desenvolvimento das raízes; diminuindo, assim, a susceptibilidade das plantas à RR, e a rotação das culturas (como observado nos resultados do presente artigo) contribui para dificultar a sobrevivência desses fungos.

Autores: Maira Maier, Clovis Arruda Souza e Ricardo Trezzi Casa.

Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC / LAGES: conheça clicando aqui.

O trabalho foi publicado na Ciência Rural vol. 48 no.7 Santa Maria 2018 e pode ser conferido na íntegra acessando aqui.

1 COMMENT

  1. Mas afinal qual é a melhor maneira de combater ECS fungos de solo ?? Precisamos saber qual é a melhor opção porque neste último plantio tivemos muito problema com germinação de soja. Qual a melhor opção ???

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