O presente trabalho teve como objetivo comparar a determinação do comprimento de plântulas de soja realizada através do software SAPL® com o método tradicional, na avaliação do vigor de sementes de soja.

Autores:  MEDEIROS, A.D.1; PEREIRA, M.D.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

O refinamento dos testes que avaliam vigor e a possibilidade de se utilizar recursos computacionais para a avaliação do potencial fisiológico da semente tem atraído cada vez mais o interesse dos pesquisadores (Castan et al., 2018).

Neste sentido, a análise digital de imagens de plântulas surge como uma opção, oferecendo maior agilidade e eficácia ao procedimento de avaliação para determinar o vigor de lotes de sementes (Marcos Filho et al., 2009). Dentre os recursos computacionais disponíveis atualmente para esta finalidade, está o Sistema de Análise de Plântulas (SAPL®).

O SAPL® consiste em software com um sistema automatizado para avaliação do vigor de sementes, baseado no crescimento inicial de plântulas. O processo de captação de imagens é feito através de fotografias obtidas com câmeras fotográficas ou aparelhos smartphones. O software ao analisar a imagem gera informações do comprimento de plântula e índices de crescimento, uniformidade e vigor.

Diante disso, o presente trabalho teve como objetivo comparar a determinação do comprimento de plântulas de soja realizada através do software SAPL® com o método tradicional, na avaliação do vigor de sementes de soja.

Utilizaram-se quatro lotes de sementes de soja, que foram avaliadas por meio de testes de germinação (Brasil, 2009), emergência e comprimento de plântulas feito de forma manual (Nakagawa et al., 1999) e por análise de imagem em plântulas de quatro dias.

Os testes foram conduzidos em delineamento inteiramente casualizado com quatro repetições por tratamento. As metodologias utilizadas para determinar o comprimento da parte aérea, parte radicular e plântula inteira por meio de medição manual e pelo processamento de imagem foram comparadas pelo teste F a 1% de probabilidade. Para a comparação entre lotes, além das variáveis já mencionadas, pelo (SAPL®) determinou-se também o índice de vigor, sendo os dados obtidos submetidos à análise de variância, e ao se verificar efeito significativo, suas médias foram comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade. Para todas as análises, utilizou-se o programa estatístico R (R Core Team, 2014).

A caracterização inicial dos lotes demostrou inferioridade do lote 4 em relação aos demais lotes para as avaliações de viabilidade (teste de germinação) e vigor (teste de emergência) (Figura 1). Todos os lotes, exceto o lote 4, apresentaram germinação dentro dos padrões para comercialização de sementes de soja, ou seja, maior que 80% (Brasil, 2013), indicando alta viabilidade dos lotes.

Figura 1. Caracterização inicial de lotes de soja por meio do teste de germinação e emergências de plântulas.

A partir dos resultados do teste F (p ≤ 0,01), foi verificado que não houve diferença significativa entre os métodos para variável comprimento da parte radicular, indicando uma leitura compatível das avaliações entre o software e a avaliação manual. Entretanto, para a variável parte aérea e plântula inteira, foi detectado diferenças (Tabela 1). Essa disparidade entre métodos para essas duas variáveis, se deve ao fato de que, no método manual levou-se em consideração apenas o comprimento do coleóptilo, enquanto que o software SAPL® incluiu o coleóptilo e cotilédone na mensuração. Os resultados, ainda na tabela 1, inferem que houve diferença significativa entre os lotes avaliados para as variáveis de comprimento testadas.

Tabela 1. Resultados do teste F a 1% de probabilidade para comparação entre o método de medição manual e por análise imagens, em plântulas de dois lotes de soja.

Para todas as variáveis de comprimento observou-se superioridade do lote 3, tendo este alcançado maiores comprimentos de plântulas (Figura 2). Em contraste, o lote 4 apresentou inferioridade para a maioria das variáveis, exceto para o comprimento de parte aérea, cujos resultados eram esperados, em razão da diferença de viabilidade desse lote em relação aos demais. Entretanto, vale ressaltar que o objetivo dessa pesquisa foi utilizar lotes distintos, quanto a qualidade fisiológica, na verificação da eficiência dos métodos ao avaliar o comprimento de plântulas.

Figura 2. Comparação entre dois lotes de sementes de soja, por meio do teste de comprimento de plântula realizado aos 4 dias de forma manual e pelo software SAPL®.

Observa-se que a maioria das variáveis relacionadas ao comprimento ranqueou de forma eficiente os lotes, com destaque para a avaliação da parte radicular feita via SAPL®, que promoveu a categorização em quatro níveis de vigor. Além dessa variável, as avaliações de plântula inteira e o índice de vigor gerado pelo SAPL® também foram eficientes, evidenciando enorme potencial para serem utilizados nas avalições de qualidade fisiológica em lotes de sementes de soja. No geral, estes resultados demostram que mesmo havendo diferenças entre métodos na leitura de comprimento, para as variáveis comprimento de parte aérea e de plântula inteira, ainda assim, foi possível a separação dos lotes de forma semelhante, inferindo a possibilidade do uso eficiente de qualquer um dos métodos para este tipo de avaliação.


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Na Figura 3 é possível observar plântulas dos lotes 3 (Figura 3A) e 4 (Figura 3B), sendo processadas por meio do software SAPL®de forma individual. Em todos os testes realizados, os lotes mostram-se contrastantes no que se refere a qualidade fisiológica, o que é possível observar nitidamente através do tamanho das plântulas e dos seus valores, representados no lado direito da imagem.

Figura 3. Tela de processamento individual de plântulas de soja de 4 dias no software SAPL®.

Diante do que foi exposto, conclui-se que é possível a obtenção de resultados semelhantes entre a medição de plântulas realizada de maneira manual e por meio do Sistema de Análise de Plântulas (SAPL®), tendo o software fornecido dados confiáveis, comparados aos testes tradicionais de caracterização fisiológica, o que representa uma abordagem eficiente e de economia de tempo.

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Padrões para a produção e a comercialização de sementes de soja (Glycine max).Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 set. 2013.

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília: MAPA/ACS, 2009. 399p

CASTAN, D.O.C.; GOMES-JUNIOR, F.G; MARCOS-FILHO, J. Vigor-S, a new system for evaluating the physiological potential of maize seeds. Scientia Agricola, v. 75, n. 2, p. 167-172, 2018.

MARCOS FILHO, J.; KIKUTI, A.L.P.; LIMA, L.B. Métodos para avaliação do vigor de sementes de soja, incluindo a análise computadorizada de imagens. Revista Brasileira de Sementes, v. 31, n. 1, p. 102-112, 2009.

NAKAGAWA, J. Testes de vigor baseados no desempenho das plântulas. In: KRZYZANOWSKI, F.C.; VIEIRA, R.D.; FRANÇA NETO, J.B. Vigor de sementes: conceitos e testes. Londrina: ABRATES, 1999. p. 9-13.

R DEVELOPMENT CORE TEAM. R: A language and environment for statistical computing. Versão 3.1.0. R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria, 2014

Informações dos autores:  

1Universidade Federal do Rio Grande do norte – UFRN, Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias – EAJ, Macaíba, RN.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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