O objetivo foi relacionar os componentes de rendimento secundários com produtividade de cinco cultivares de soja com diferentes grupos de maturidade relativa (GMR) em diferentes épocas de semeadura.

Autores: Bruna San Martin Rolim Ribeiro1, Nereu Augusto Streck1, Michel Rocha da Silva1, Alexandre Ferigolo Alves1, Stefania Dalmolin da Silva1, Ary José Duarte Junior1, Felipe Andrade Tardetti1, Isadora Hübner Brondani1, Amanda Thirza Lima Santos1, Eduardo Daniel Friedrich1 e Luíza Brum Rodrigues1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

A rotação de culturas em áreas de terras baixas cultivadas com arroz irrigado é muito importante, pois contribui para a interrupção de ciclos de doenças, insetos‑praga e melhora as condições físicas e químicas do solo (THOMAS et al., 2000). A cultura da soja é uma alternativa de rotação. Na última década houve expansão expressiva de áreas com soja na metade sul do do Rio Grande do Sul, que tradicionalmente são semeadas com a cultura do arroz (VERNETTI JUNIOR et al., 2009). Nesse novo ambiente, o crescimento e o desenvolvimento da soja podem ser afetados e, consequentemente, a produtividade e seus componentes.

Estudos para a determinação dos componentes de rendimento da soja para altos rendimentos em diferentes ambientes, como em terras baixas e semeaduras em mais de uma época, tem sido tema de vários autores (ZANON et al., 2015; MEOTTI et al., 2012).

Os componentes de rendimento primários afetam diretamente o rendimento da cultura e os secundários são aqueles que afetam de alguma forma os primários, como estatura de planta e número de nós (MUNDSTOCK & THOMAS, 2005). A estatura da planta está relacionada com produtividade de grãos, controle de plantas daninhas, e perdas durante a colheita mecanizada. As variações na estatura das plantas podem ser sensíveis a resposta fotoperiódica da cultivar, época de semeadura, espaçamento entre e dentro das fileiras, disponibilidade hídrica, fertilidade do solo, e outras condições do ambiente (ROCHA et al., 2012).

O número de nós (NN) ou número final de nós (NFN) está associado a evolução da área foliar, destaca-se por estar ligada a duração do ciclo da planta e determina a produtividade de grãos (STRECK et al., 2008). A época de semeadura também é um fator determinante para o sucesso da lavoura, pois resulta em alterações na temperatura, fotoperíodo e radiação solar disponível para as plantas. Essas alterações influenciam no rendimento da cultura através dos componentes de rendimento primários e também os secundários (JIANG et al., 2011).

Devido a importância dos componentes de rendimento secundários e da falta de estudos em ambientes de terras baixas, foi proposto esse estudo, cujo objetivo foi relacionar os componentes de rendimento secundários com produtividade de cinco cultivares de soja com diferentes grupos de maturidade relativa (GMR) em diferentes épocas de semeadura.

O trabalho foi conduzido na AGRUM – Agrotecnologias Integradas, em Santa Maria. Foram realizadas três épocas de semeadura 05/10/17 (época 1), 30/11/17 (época 2) e 10/01/18 (época 3) com espaçamento entrelinha de 0,45 cm, com as cultivares NS 4823 RR, BMX Elite IPRO, TMG 7062, BMX Icone IPRO e TEC 7849 IPRO com GMR 4.8, 5.5, 6.2, 6.8 e 7.8, respectivamente. O delineamento foi de blocos ao acaso com quatro repetições.

O manejo de pragas doenças e plantas daninhas foram realizados de acordo com as recomendações técnicas para a cultura. A adubação foi baseada na análise de solos e o ROLAS com expectativa de rendimento de 6 Mg ha-1. As variáveis avaliadas foram estatura de planta e número de nós em 6 plantas por parcelas e a produtividade de grãos foi realizada através da colheita de uma área de 5,4 m².

Na figura 1, observa-se que tanto o número de nós quanto a estatura de plantas foram maiores na época 1, exceto para o GMR 4.8, que obteve maior NFN e maior altura na época 2. A estatura de 111 cm foi a que obteve produtividade de 6 Mg ha -1, para o GMR 6.8 na época 1. Porém, a maior altura na época 1 foi 156 cm para o GMR 7.8, onde ocorreu acamamento das plantas causando redução de 1 Mg ha-1 na produtividade final.


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O NFN para produtividade de 6 Mg ha-1 ocorreu em uma faixa de 20 a 25 nós por planta, em que para NFN menores que 20 e maiores que 25 ocorreu redução na produtividade (Figura 2), concordando com ZANON et al. (2018), que indica uma altura ideal de 105 cm e valor médio de 19 nós por plantas para atingir um potencial produtivo de 6 Mg ha-1.

Figura 1- Relação entre Número de nós (A) e Estatura de plantas (B) com cinco grupos de maturação diferentes em três épocas de semeadura.

Figura 2– Relação entre produtividade de grãos (Mg há -1) e os componentes de produtividade secundários, Número final de nós da planta e estatura da planta.

Conforme o atraso da data de semeadura houve redução na produtividade de grãos de 38 kg ha-1 dia-1 (Figura 3), muito semelhante a redução de produtividade encontrada por ZANON et al. (2016), em que semeaduras realizadas até 04 de novembro são recomendadas para obter altas produtividades na cultura da soja e, após essa data, ocorre uma perda no potencial produtivo de 26 kg ha-1 dia-1. Sendo assim, concluímos que a estatura entre 100 e 120 cm e número de nós entre 20 e 25 maximizam a produtividade de soja cultivada em várzea.

Figura 3. Relação entre produtividade de grãos e épocas de semeadura (expresso em dias após 05 de outubro) para o cultivo de soja em terras baixas.

Referências

JIANG, Y.; WU, C.; ZHANG, L.; HU, P.; HOU, W.; ZU, W.; HAN, T. Long‑day effects on the terminal inflorescence development of a photoperiod-sensitive soybean [Glycine max (L.) Merr.] variety. Plant Science, v.180, p.504‑510, 2011.

MEOTTI, G. V., BENIN, G., SILVA, R. R., BECHE, E., & MUNARO, L. B. (2012). Épocas de semeadura e desempenho agronômico de cultivares de soja. Pesquisa Agropecuaria Brasileira, 47, 14-21. http://dx.doi. org/10.1590/S0100-204X2012000100003.

MUNDSTOCK, C.M.; THOMAS, A.L. Soja: fatores que afetam o crescimento e o rendimento de grãos. Porto Alegre: Ed. Da Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Evangraf, 2005. 31p.

ROCHA, Renato Santos et al. Desempenho agronômico de variedades e linhagens de soja em condições de baixa latitude em Teresina-PI. Revista Ciência Agronômica, v. 43, n. 1, p. 154-162, 2012.

STRECK, Nereu Augusto et al. Estimating plastochron in soybean cultivars. Bragantia, v. 67, n. 1, p. 67-73, 2008.

THOMAS, A.L.; PIRES, J.L.F.; MENEZES, V.G. Rendimento de grãos de cultivares de soja em solo de várzea. Pesquisa Agropecuária Gaúcha, v.6, p.107‑112, 2000.

ZANON, A. J., STRECK, N. A., GRASSINI, P. Climate and management factors influence soybean yield potential in a subtropical environment. Agronomy Journal, v108, p. 1447-1454, 2016a.

ZANON, A.J., J.E.M. WINCK, N.A. STRECK, T.S.M. ROCHA, J.C. CERA, G.L. RICHTER, I. LAGO, P.M. DOS SANTOS, L.R. MACIEL, J.V.C. GUEDES, and E. MARCHESAN. 2015b. Desenvolvimento de cultivares de soja em função do grupo de maturação e tipo de crescimento em terras altas e terras baixas. Bragantia, v.74, p. 400–411.

ZANON, A.J. et al. Ecofisiologia da soja: Visando altas produtividades. Santa Maria, 2018.

Informações dos autores:  

1Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria – RS, Brasil.

Disponível em: Anais da 42ª Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, Três de Maio – RS, Brasil, 2018.

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