Para obter boa produtividade, durante a condução da lavoura uma serie que práticas de manejo são indispensáveis para promover condições adequadas para o crescimento e desenvolvimento vegetal. Uma delas é o manejo eficiente das plantas daninhas. Normalmente uma planta daninha é vista como uma espécie não cultivada cujo sua presença impacta negativamente a produtividade do cultivo.

Entretanto, o que define se uma planta é ou não daninha é o ambiente e o período onde ela se encontra. Plantas cultivadas comercialmente como soja e milho podem ser consideras plantas daninhas caso sua presença seja indesejada em outros cultivos.

Com a surgimento da tecnologia RR para a soja e milho, novas perspectivas quanto ao manejo de plantas daninhas foram traçadas, entretanto, a utilização persistente do glifosato para o controle de plantas daninhas resultou no aumento da pressão de seleção dessas plantas. A seleção de genótipos resistente proporcionou o aumento de população de plantas daninhas resistentes ao glifosato, herbicida mais utilizado nos cultivos agrícolas com a tecnologia RR.



Outra problemática está relacionada a persistência de plantas daninhas voluntárias de soja RR nos cultivos de milho safrinha e milho RR nos cultivos de soja safrinha. Assim como a buva (Conyza spp.) e o capim-amargoso (Digitaria insularis) que segundo dados do Grupo Supra Pesquisa podem reduzir em até 14 e 21% respectivamente a produtividade da soja sob densidades populacionais de uma planta daninha por metro quadrado, o milho e a soja quando assumidos os papeis de planta daninha, apresentam capacidade competitiva para reduzir significativamente a produtividade do cultivo afetado.

Conforme apresentado por Autieres Farias, pesquisador da Fundação MT, no II Seminário Mato-Grossense Sobre Manejo da Resistência e baseado nos dados de Rizzardi, a presença de soja voluntária (tiguera) no cultivo do milho, reduz significativamente a produtividade da oleaginosa, sendo que para a densidade populacional de quatro plantas de soja por metro quadrado de área, reduções na ordem de 14% são observadas na produtividade do milho.

Figura 1. Efeito de diferentes densidades de soja voluntária na redução da produtividade do milho.

Fonte: Farias (2019).

Já com relação a presença de plantas de milho no cultivo da soja, os dados apresentados por Farias (2019) são ainda mais alarmantes, destacando a capacidade competitiva do milho. Conforme observado na figura 2, para a densidade de duas plantas de milho por metro quadrado de área, reduções de produtividade de até 33% são observadas na cultura da soja.

Figura 2. Efeito de diferentes densidades de milho voluntário na redução da produtividade da soja.

Fonte: Farias (2019), adaptado de Rizzardi.

Tendo em vista a expressiva perda de produtividade que as plantas de soja e milho espontâneas causam nos cultivos agrícolas de milho e soja respectivamente, é fundamental pensar em estratégias que possibilitem a redução das populações de plantas voluntárias.

A primeira delas é reduzir as perdas de colheita provenientes da colhedora, sendo que as sementes perdidas durante o momento de colheita, quando em condições adequadas de umidade e temperatura germinarão dando origem às plantas voluntárias. Segundo Rizzardi (2019), perdas de colheita do milho de aproximadamente 4% entre grãos soltos, espiga e grãos no sabugo são aceitáveis diante da tecnologia existente nas colhedoras atuais.

Outras estratégias levam em consideração a utilização de herbicidas pré-emergentes e herbicidas de diferentes mecanismos de ação, dando preferência a rotação de mecanismos de ação. Entretanto, mesmo em condições de adequada regulagem de colhedora e adequado manejo de plantas daninhas, o monitoramento das áreas de cultivo é fundamental para evitar perdas de produtividade decorrentes da matocompetição não só da soja e milho mas também das demais plantas daninhas.


Veja também: Como manejar soja voluntária no milho


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Referências:

FARIA, A. CONTROLE DE MILHO E SOJA TIGUERA. II Seminário Mato-Grossense sobre Manejo da Resistencia. Cuiabá, jul. 2019. Disponível em: <https://b73f4c7b-d632-4353-826f-b62eca2c370a.filesusr.com/ugd/48f515_dba25b8d58fb48ffab6ca47c599bd0d5.pdf>, acesso em: 28/08/2020.

RIZZARDI, M. A. QUAIS OS DANOS DAS PLANTAS VOLUNTÁRIAS DE MILHO NA PRODUTIVIDADE DA SOJA? Up. Herb: Academia das Plantas Daninhas. Disponível em: <https://upherb.com.br/int/quais-os-danos-das-plantas-voluntarias-de-milho-na-produtividade-da-soja>, acesso em: 28/08/2020.

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