Em algumas culturas como soja, milho e algodão, os percevejos são considerados pragas de grande relevância, afetando diretamente na produtividade dessas culturas. A alimentação desses insetos ocorre por meio de sucção de conteúdo líquido de tecidos celulares das plantas causando severos danos nas plantas.

Dentre as espécies mais relevantes para a agricultura temos Euschistus heros (percevejo-marrom) e Dichelops furcatus (percevejo-barriga-verde). E. heros na cultura de soja provoca maiores danos durante a fase reprodutiva da planta, pois o percevejo perfura vagens e sementes para se alimentar.

Durante a alimentação, injeta toxinas na planta, que causam retenção foliar e afeta drasticamente o enchimento dos grãos. As perdas causadas pela praga chegam a 30% em média. Dichelops furcatus é de comum ocorrência na cultura do milho. Em plantas nas fases iniciais de desenvolvimento induz o surgimento de perfilhamentos improdutivos e pode provocar a até mesmo a morte das mesmas.

Um estudo recente publicado pelo Journal of Economic Entomology, mostrou resultados da suscetibilidade desses percevejos aos principais inseticidas empregados para controle em campos de soja no Brasil.

Para isso, foram coletadas populações de E. heros e D. furcatus em diferentes regiões do Brasil (SP, RS, PR e GO) nas safras 2017/2018 e 2018/2019. Após a coleta, bioensaios foram realizados utilizando inseticidas específicos dos grupos 1B (organofosforados), 3A (piretroides) e 4A (neonicotinoides) e a mortalidade foi avaliada 96h após a aplicação dos produtos.

As populações de E. heros apresentaram menor suscetibilidade aos inseticidas do grupo 3A, enquanto as populações de D. furcatus apresentam suscetibilidade semelhante a todos os inseticidas avaliados.

De acordo com os autores, a baixa suscetibilidade das populações de E. heros aos piretroides pode estar relacionada a adoção generalizada deste inseticida para controlar percevejos em cultivos de soja do Brasil. Assim como para E. heros, ingredientes ativos do grupo 3A também são utilizados para controle de diversas pragas de importância agrícola para soja, como por exemplo Piezodorus guildinii, Bemisia tabaci, Aphis gossypii, Dalbulus maidis, entre outras espécies, incluindo lagartas.

Portanto, é fundamental a realização do monitoramento da suscetibilidade a inseticidas em populações de percevejos e a adoção da rotação de ingredientes ativos de diferentes modos de ação para preservar a eficácia dos inseticidas, retardar o processo de seleção de indivíduos resistentes e controlar a praga no campo. Essas e outras técnicas de Manejo de Resistência de Insetos juntamente com o Manejo Integrado de Pragas são imprescindíveis para garantir a proteção da lavoura de forma sustentável.

Para saber mais:

SOMAVILA, J. C. et al. Susceptibility of Euschistus heros and Dichelops furcatus (Hemiptera: Pentatomidae) to Selected Insecticides in Brazil. Journal of Economic Entomology, 2019.



Fonte: IRAC

Texto originalmente publicado em:
Comitê de Ação a resistência de inseticidas- IRAC
Autor: IRAC

Nenhum comentário

Deixar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.