InícioDestaqueTaxa de aplicação influencia no manejo e controle da ferrugem asiática?

Taxa de aplicação influencia no manejo e controle da ferrugem asiática?

Causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, a ferrugem asiática da soja é uma das principais doenças fungicidas da cultura. Segundo Godoy et al. (2020), os dados ocasionados pela ferrugem na cultura da soja podem variar de 10% a 90%, dependendo da severidade da doença e susceptibilidade da cultivar.

O Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas (FRAC-BR), recomenda que todo o programa de controle da ferrugem asiática da soja seja realizado de forma preventiva a ocorrência da doença em soja, sendo assim, o manejo fitossanitário, assim como o posicionamento de fungicidas e momento de aplicação é de suma importância para reduzir a interferência da ferrugem e seus danos em soja.

Assim como o fungicida, a taxa de aplicação interfere no controle da ferrugem?

É conhecido que a boa tecnologia de aplicação, assim como condições ambientais adequadas no momento de aplicação são essenciais para o sucesso do manejo fitossanitário da soja. Contudo, embora haja a recomendações técnicas quanto a dosagem dos produtos, o volume de calda da pulverização é frequentemente questionado, principalmente pelo viés operacional.

Ainda que a boa cobertura do dossel da cultura seja essencial para a eficiência de controle da ferrugem, a chegada de produto no alvo em quantidades suficientes para o controle é imprescindível. Avaliando a variação da taxa de aplicação e pontas de pulverização no controle da ferrugem asiática na cultura da soja, Freitas (2021) observou que não necessariamente o aumento do volume de calda é diretamente proporcional ao aumento da eficiência de controle da ferrugem asiática em soja.



O autor avaliou a resposta da Área Abaixo da Curva do Progresso da Doença (AACPD), produtividade e componentes de produtividade da soja, em função de diferentes pontas de pulverização e taxas de aplicação. As pontas de pulverização avaliadas foram, de jato plano 3D e de jato plano com pré-orifício ADI. Para manejo da doença, foram aplicados os fungicidas Mancozebe em R1; Manzozebe + (Trifloxistrobina + Protioconazol) em R3 e R5.2. As taxas de aplicação analisadas por Freitas (2021) foram de 60, 90 e 120 L ha-1.

Embora o autor não tenha observado interação entre os fatores tipo de ponta de pulverização de taxa de aplicação, foi observada diferença significativa dos fatores ponta de pulverização e taxa de aplicação. Os resultados observados por Freitas (2021) apontam que o tratamento representado pela ponta de pulverização ADI com a taxa de aplicação de 60 L ha-1 apresentou melhor resultado para o controle de severidade da ferrugem asiática da soja.

Tabela 1. Efeito das pontas de pulverização e taxas de aplicação sobre a severidade da doença (AACPD) e sobre a produtividade (kg ha-1) da cultura da soja na safra 2019/2020. Botucatu, SP (Freitas, 2021).

Fonte: Freitas (2021)

Teoricamente, o esperado era que a maior taxa de aplicação (120 L ha-1) apresentasse o maior controle da doença. Porém, pode-se observar que a menor taxa de aplicação (60 L ha-1) apresentou resultados melhores sobre o progresso da doença. Esse fato pode ser explicado pelo dobro da concentração de produto fitossanitário no menor volume aplicado (Freitas, 2021). Logo, pode-se observar que o conteúdo de produto depositado no dossel da cultura, é tão importante quando a sua boa distribuição visando um manejo eficiente da ferrugem asiática em soja.

Figura 1. Curva de progresso da ferrugem asiática na cultura da soja, com controle químico sob diferentes pontas de pulverização e taxas de aplicação, durante a safra 2019/2020 – Botucatu, SP, 2019 (Freitas, 2021).

Fonte: Freitas (2021)

Com base nos resultados observados, pode-se dizer que a taxa de aplicação de fungicidas não apresenta relação diretamente proporcional ao controle da ferrugem asiática em soja, sendo mais importante, o fungicida utilizado, a tecnologia de aplicação e a quantidade de produto distribuído na folha do que o volume de água utilizado na calda de pulverização. Logo, a tecnologia de aplicação pode exercer papel determinante no manejo da ferrugem da soja, trazendo bons resultados de controle bom menores taxas de aplicação.


Veja mais: Novas formulações contendo Protioconazol podem causar efeito fitotóxico em soja?


Referências:

FRAC-BR. IMPORTANTE: NOVAS RECOMENDAÇÕES PARA O MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Comitê de Ação a Resistência a Fungicidas. Disponível em: < https://www.frac-br.org/soja >, acesso em: 09/12/2021.

FREITAS, B. R. VARIAÇÃO DA TAXA DE APLICAÇÃO E PONTAS DE PULVERIZAÇÃO NO CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA NA CULTURA DA SOJA. Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp, Câmpus de Botucatu, Dissertação de Mestrado, 2021. Disponível em: < https://repositorio.unesp.br/handle/11449/214662 >, acesso em: 09/12/2021.

GODOY, C. V. et al. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2019/2020: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa, Circular Técnica, n. 160, 2020. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/215288/1/CT-160-OL.pdf >, acesso em: 09/12/2021.

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Equipe Mais Soja
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