O objetivo deste trabalho foi avaliar as concentrações de clorofilas e carotenoides em plantas de soja submetidas ao parcelamento da adubação potássica nos estádios de desenvolvimento V4 e R1.

Autores: SAB, M.P.V.1; ARANTES, V.R.1; ROSA, V.R.1; SANTOS, A.L.F.1; CHRISTENSEN, N.1; MENDES, C.R.L.G.1; SILVA, V.M.1; SILVA, D.M.R.1; SANTOS, J.C.C.1; MELO, M.R.M.1; LIMA, V.G.T.1; SILVA, T.L.1; SERVEZAN, V.C1; NUNES, I.B.P.1; SILVA, M.A.1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

Na cultura da soja, o potássio (K) é o segundo nutriente exigido em maiores quantidades, atrás apenas do nitrogênio (N). É também o mais removido pela maioria das culturas, indicando a importância de se realizar adequada adubação potássica (Dev, 1995). Esse nutriente encontra-se na forma catiônica (K+) e seus sais apresentam alta solubilidade, o que associado à baixa capacidade de troca catiônica (CTC) da maioria dos solos brasileiros, favorece a ocorrência de perdas por lixiviação. Portanto, a maneira mais eficaz de se aproveitar o K é por meio da adubação de cobertura, de 30 a 40 dias após a germinação, como sugerem Raij & Cantarella (1997) para doses de K2O maiores que 50 kg ha-1.

O correto manejo da adubação potássica é indispensável, uma vez que esse nutriente está envolvido em diversos processos metabólicos, como a produção de clorofila. Além disso, na presença de K a utilização de N é potencializada (Foloni et al., 2013).


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Dentre os pigmentos vegetais, o grupo das clorofilas é o mais importante por, junto com alguns carotenoides, participar diretamente da fotossíntese (Engel & Poggiani, 1991), sendo seu maior conteúdo nas folhas relacionado à maior eficiência fotossintética.

A hipótese deste trabalho é que o parcelamento da adubação potássica na cultura da soja resulta em maior produção de pigmentos fotossintéticos em relação à fertilização realizada em dose única, na semeadura. O objetivo deste trabalho foi avaliar as concentrações de clorofilas e carotenoides em plantas de soja submetidas ao parcelamento da adubação potássica nos estádios de desenvolvimento V4 e R1.

O experimento foi conduzido na área experimental da Faculdade de Ciências Agronômicas, FCA/UNESP, em Botucatu – SP, de dezembro de 2017 a abril de 2018. O solo do local foi classificado como Latossolo Vermelho Distrófico (Embrapa, 1999) e suas características físico-químicas antes da instalação do ensaio encontram-se na Tabela 1. Foi utilizada, em sistema de plantio direto, a cultivar TMG 7062 IPRO, material super precoce, de crescimento semi-determinado e ciclo médio de 120 a 134 dias. Adotou-se delineamento experimental em blocos casualizados, com sete tratamentos e quatro repetições, sendo os tratamentos compostos por dose fixa de 90 kg ha-1 de K2O, aplicados manualmente em diferentes épocas: (T1) 100% aos 36 dias após a semeadura (DAS) no estádio V4; (T2) 25% na semeadura e 75% aos 36 DAS; (T3) 75% na semeadura e 25% aos 36 DAS; (T4) 100% aos 57 DAS, no estádio R1; (T5) 25% na semeadura e 75% aos 57 DAS; (T6) 75% na semeadura e 25% aos 57 DAS e (T7) 100% na semeadura, utilizando como fonte KCl. Cada parcela foi composta por sete linhas de cinco metros de comprimento, espaçadas entre si por 0,5 m, o que corresponde a 17,5 m2 de área total e 4,5 m2 de área útil. A semeadura foi realizada mecanicamente no dia 05/12/2017, com adubação de base constituída por 500 kg ha-1 de superfosfato simples. As sementes foram tratadas com Vitavax-Thiram 200SC (300 mL 100 kg-1 de sementes) e Cruiser 350FS (300 mL 100 kg-1 de sementes). Além disso, receberam 60 mL 100 kg-1 de sementes do inoculante Biomax Premium. O controle de pragas, doenças e plantas daninhas foi realizado conforme recomendações técnicas para a cultura.

Tabela 1. Características físico-químicas iniciais do solo.

Foram analisados aos 66 DAS, quando as plantas encontravam-se no estádio R3, teor de clorofila a, teor de clorofila b, teor de clorofila total, carotenoides e relação clorofilas a/b. Para tanto, três discos foliares de 4 mm de diâmetro foram retirados de cada parcela, da porção central de folhas completamente expandidas, excluindo-se a nervura principal, e transferidos para frascos encapados com papel alumínio contendo 3 mL de dimetilformamida. Os recipientes foram fechados com tampas de borracha e permaneceram em temperatura ambiente por 24 horas. Em seguida, a absorbância das amostras foi determinada no espectrofotômetro (UV-2700, Shimadzu) nos comprimentos de onda de 665,1; 649,1 e 480 nm (Wellburn, 1994). O cálculo das concentrações das clorofilas a, b e carotenoides foi baseado em metodologia descrita por Wellburn (1994). Os dados foram submetidos à análise de variância e comparação de médias pelo teste de Tukey (p<0,05).

As maiores médias para concentrações de clorofila a, clorofila b e clorofila total foram observadas no tratamento 5, enquanto que as menores ocorreram no tratamento 6 (Figuras 1a, 1b e 1c). Também foram observados os maiores valores de carotenoides no tratamento 5, e por outro lado, os menores nos tratamentos 1, 3 e 6 (Figura 1d). Não houve diferença estatística entre os tratamentos para a relação clorofila a/b (Figura 1e).

Figura 1. Teores de clorofila a (CLa) no estádio R3 (a); Teores de clorofila b (CLb) no estádio R3 (b); Teores de clorofila total (CLa+b) no estádio R3 (c); Carotenoides (CAR) no estádio R3 (d); Relação clorofilas a/b (CLa/CLb) no estádio R3 (e).

Segundo Viana e Kiehl (2010), a disponibilidade de K estimula o aproveitamento de N, nutriente integrante de enzimas que, associadas aos cloroplastos, participam da síntese das moléculas de clorofila (Viana et al., 2008), além de estar presente na estrutura dessas moléculas. Apesar de o período de maior exigência de potássio na cultura da soja ocorrer na fase vegetativa, mais especificamente 30 dias antes do florescimento (Tanaka et al.,1993), há grande demanda por fotoassimilados durante o enchimento do grãos, o que justifica o bom desempenho dos tratamentos 4 e 5, que receberam a maior parte da dose de K no estádio R1, em relação aos demais, principalmente quando comparados aos tratamentos 1, 2, 3 e 6, nos quais a maior parte do potássio ou sua totalidade foi aplicada em estádio vegetativo.

A hipótese deste trabalho, foi, portanto, comprovada, já que houve resposta das plantas de soja quanto aos teores de clorofilas e carotenoides quando submetidas a diferentes épocas de parcelamento da adubação potássica.

Referências

DEV, G. Potassium – an essential nutrient. In: Use of Potassium in Punjab Agriculture. Potash and Phosphate Institute of Canada, Gurgaon: India Programme, 1995.

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Rio de Janeiro, 1999. 412 p.

ENGEL, V. L.; POGGIANI, F. Estudo da concentração de clorofila nas folhas e seu espectro de absorção de luz em função do sombreamento em mudas de quatro espécies florestais nativas. Revista Brasileira de Fisiologia Vegetal, v. 3, n. 1, p. 39-45, 1991.

FOLONI, J. S. S., CORTE, A. J., CORTE, J. R. N., ECHER, F. R.; TIRITAN, C. S. Adubação de cobertura na batata-doce com doses combinadas de nitrogênio e potássio. Semina Ciências Agrárias, v. 34, p. 117-126, 2013

MYERS, S. W.; GRATTON, C.; WOLKOWSKI, R. P.; HOGG, D. B. Effect of soil potassium availability on soybean aphid (Hemiptera: Aphididae) population dynamics and soybean yield. Journal of Economic Entomology, v. 98, n. 1, p. 113-120, 2005.

RAIJ, B.; CANTARELLA, H. Soja. Boletim Técnico IAC, Campinas, n. 100, p. 202-203, 1997.

VIANA, M. C. M.; FREIRE, F. M.; GONÇALVES, L. D.; MASCARENHAS, M. H. T.; LARA, J. F. R.; ANDRADE, C. L. T.; PURCINO, H. M. A. Índice de clorofila na folha de alface submetida a diferentes doses de nitrogênio. Horticultura Brasileira, v. 26, n. 2, p. 86-90, 2008.

VIANA, E. M.; KIEHL, J. C. Doses de nitrogênio e potássio no crescimento do trigo. Bragantia, v. 69, n. 4, p. 975-982, 2010.

 WELLBURN, A. R. 1994. The spectral determination of chlorophyll a and b, as well as total carotenoids, using various solvents with spectro-photometers of different resolution. Journal of Plant Physiology, v. 144, p. 307-313, 1994.

Informações dos autores:  

1Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” – Faculdade de Ciências Agronômicas, Botucatu, SP.

Disponível em: Anais do VIII Congresso Brasileiro de Soja. Goiânia – GO, Brasil.

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