O objetivo deste trabalho foi avaliar os teores de proteína e óleo de três cultivares de soja após o tratamento com piraclostrobina e bioestimulante.

Autores: Vanessa Francieli Vital Silva1; Ana Karoline Silva Sanches2; Gustavo Delabio da Silva3, Fellipe Goulart Machado4; Carlos César Evangelista de Menezes5; Larissa Vinis Correia6; Renata Cristiane Pereira7

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

Ao longo de décadas, os programas de melhoramento genético de soja buscaram aumento significativo em produtividade, no entanto, nem sempre os teores de proteína e óleo apresentam correlação positiva com o aumento do rendimento.

Produtos com capacidade de induzir alterações no desenvolvimento da planta e nas características químicas das sementes vêm sendo utilizados frequentemente na agricultura. A estrobilurina piraclostrobina, por exemplo, quando aplicada em plantas de soja, proporciona aumento na taxa fotossintética, decréscimo da respiração, menor síntese de etileno, aumento da atividade da enzima nitrato redutase, aumento na concentração de proteínas, maior produção de carbono e, consequentemente, maior produtividade (Fagan et al., 2010).



Os bioestimulantes são produtos sintéticos com efeitos semelhantes aos hormônios vegetais. Essas substâncias proporcionam maior acúmulo de massa, alteração na composição química de grãos e maior produtividade na maioria dos casos (Albrecht et al., 2012). Dentro deste contexto, o objetivo deste trabalho foi avaliar os teores de proteína e óleo de três cultivares de soja após o tratamento com piraclostrobina e bioestimulante.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado no município de Rio Verde-GO, situado sob as coordenadas 17°47’2.41″S e 51° 0’27.28″O e altitude de 777 metros. A análise de solo apresentou pH em CaCl2 de 5,40; 2,60 cmolc de H+ + Al+3 dm-3 de solo; 1,36 cmolc dm-3 de Ca+2; 0,73 cmolc dm-3 de Mg+2; 0,14 cmolc dm-3 de K+; 6,60 mg dm-3 de P; 8,2 mg dm-3 de S; 510 g kg-1 de argila, 40 g kg-1 de silte, 450 g kg-1 de areia. A semeadura foi realizada em 25 de novembro de 2013.

Os tratamentos foram dispostos em delineamento em blocos casualizados, em esquema fatorial 3×3, sendo o primeiro fator composto por três cultivares de diferentes ciclos fenológicos (superprecoce – M 6952 IPRO, precoce – M 7739 IPRO e médio – ST 797 IPRO) e o segundo por diferentes produtos com efeitos fisiológicos: T1 – controle (utilização de produtos com menor interferência fisiológica), T2 – piraclostrobina (aplicações de fungicidas com o princípio ativo piraclostrobina durante o ciclo da cultura) e T3 – controle + bioestimulante (tratamento controle mais Stimulate®) (Tabela 1). Para cada combinação de níveis de fatores adotou-se cinco repetições.

Tabela 1. Tratamentos experimentais, com ingredientes ativos, doses e respectivas épocas de aplicação.

Para a aplicação dos tratamentos, utilizou-se pulverizador costal motorizado, equipado com barra de 3 m de comprimento e pontas espaçados a 0,5 m entre si. As pontas de aplicação utilizadas foram jato plano simples XR 110015, com vazão de 150 L ha-1.

As análises dos teores de óleo e proteína foram realizadas conforme a recomendação do Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (Brasil, 2013). Para a determinação de proteína utilizou-se o método de Kjeldahl. Na extração do óleo utilizou-se o método da extração contínua em aparelho tipo Soxhlet utilizando éter de petróleo como solvente, e o percentual de óleo determinado em relação a massa de grãos. Os resultados foram submetidos à análise de variância e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste de Tukey, a 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os teores de proteínas dos grãos de soja foram influenciados pela interação entre cultivares e tratamentos. Já os teores de óleo dos grãos não foram influenciados pelos fatores (Tabela 2).

Tabela 2. Média dos teores de proteína e óleo em grãos de soja em função dos tratamentos.

As cultivares avaliadas apresentaram baixos teores de proteína, não atendendo a exigência do mercado externo. Para atingir o índice classificado como Normal ou HyPro, a soja deve conter de 41,5% e 43% de proteína nos grãos (Moraes et al., 2006).

Nos resultados da interação, as aplicações do bioestimulante e piraclostrobina não modificaram o teor de proteína nas cultivares M 6952 IPRO e ST 797 IPRO, sendo estes efeitos significativo somente para a cultivar de ciclo médio M 7739 IPRO (110 dias). O uso destes produtos aumentou a porcentagem de proteína bruta (PB) nos grãos.


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Pesquisa realizada por Bertolin et al. (2009) demonstraram que a utilização de bioestimulante não influenciou as características de teor de proteína bruta em grãos de soja e produtividade. Porém resultados mais recentes indicam que o uso de bioestimulante pode influenciar o acúmulo de proteínas nos grãos. Esses resultados são observados em pesquisa realizada por Albrecht et al. (2012), que ao testarem doses do bioestimulante concluíram que os teores de óleo e proteína foram alterados, aumentando o conteúdo proteico e diminuindo o teor de óleo.

CONCLUSÃO

O efeito dos produtos utilizados (piraclostrobina e o bioestimulante) varia de acordo com cada cultivar, podendo incrementar o teor de proteína em grãos de soja. A piraclostrobina e o bioestimulante não alteraram o teor de óleo nos grãos das cultivares de soja avaliadas.

REFERÊNCIAS

ALBRECHT, L.P.; BRACCINI, A.L.; SCAPIM C.A.; ÁVILLA, M.R.; ALBRECHT, A.P. Plant growth regulator in the chemical composition and yield of soybeans. Revista Ciência Agronômica, 43:774-782, 2012.

BERTOLIN, D.C.; SÁ, M.E.D.; HAGA, K.Y.; ABRANTES, F.L.; NOGUEIRA, D.C. Efeito de bioestimulante no teor e no rendimento de proteína de grãos de soja. Agrarian, 1:23-34, 2009.

BRASIL. 2013. Ministério da Agricultura e Abastecimento. Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal. Associação Nacional dos Fabricantes de Rações.

FAGAN, E.B.; DOURADO NETO, D.; VIVIAN, R.; FRANCO, R.B., YEDA; M.P.; MASSIGNAM, L.F.; OLIVEIRA, R.F.; MARINS, K.V. Efeito da aplicação de piraclostrobina na taxa fotossintética, respiração, atividade da enzima nitrato redutase e produtividade de grãos de soja. Bragantia, 69:771-777, 2010.

MORAES, R.M.A.; JOSÉ, I.C.; RAMOS, G.F.; BARROS, E.G.; MOREIRA, M.A. Caracterização bioquímica de linhagens de soja com alto teor de proteína. Pesquisa Agropecuária Brasileira, 41:725-729, 2006.

Informações dos autores:  

1Mestranda em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

2Mestranda em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

3Acadêmico do Curso de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

4Doutorando em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

5Professor de Fitotecnia, Universidade de Rio Verde (UniRv), Rio Verde/GO;

6Mestranda em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR;

7Doutoranda em Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maringá/PR.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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