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Transmissão do Vírus do Nanismo Amarelo da Cevada por pulgões em trigo pode resultar em grandes perdas de produtividade

Os pulgões, também conhecidos como afídeos, integram o time das principais pragas da cultura do trigo. As principais e mais conhecidas espécies que atacam a cultura do trigo são o pulgão-verde dos cereais (Schizaphis graminum), o pulgão do colmo (Rhopalosiphum padi), o pulgão da folha (Metopolophium dirhodum) e o pulgão da espiga (Sitobion avenae).

Os danos ocasionados por pulgões em trigo podem ser tanto diretos quando indiretos. Embora diretamente prejudique a cultura por se alimentar da seiva da planta, o destaque vai para os danos indiretos, mais especificamente pela transmissão da virose do nanismo amarelo da cevada (Barley/Cereal yellow dwarf vírus), popularmente conhecido como VNAC ou BYDV.

Os sintomas típicos da virose consistem no amarelecimento das folhas, ocorrendo do ápice em direção à base, que normalmente permanece verde. Embora a virose seja mais comum de se observar em reboleiras, sob condições adequadas pode acometer grandes áreas (Santana et al., 2012).

Figura 1. Ciclo da virose do nanismo amarelo da cevada.

Fonte: Reis & Danelli (2009), apud. Reis; Bienchi; Danelli (2010)

Em situações onde a transmissão da virose ocorre ainda nos estádios iniciais do desenvolvimento do trigo, se tratando de cultivares suscetíveis, perdas de produtividade de até 50% podem ser observadas, podendo chegar a 80% em casos mais severos (Embrapa, 2020).



Tendo em vista os impactos causados pelo VNAC em trigo, medidas de manejo são essenciais para reduzir as perdas produtivas, sendo que uma das principais estratégias é o controle do vetor (pulgão). Para um controle eficiente dos pulgões em trigo, deve-se intensificar o monitoramento das áreas de cultivo, principalmente nos estádios iniciais do desenvolvimento da cultura, realizando o controle de praga quando atingidos os níveis de ação.

Tabela 1. Monitoramento e critérios para tomada de decisão no controle de pulgões em trigo.

(1) Mínimo de 10 pontos amostrais por talhão. (2) Denominado de Rhapalosiphum graminum e de Rhopalosiphum graminum pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Fonte: Embrapa (2020)

Outra estratégia, é o uso de cultivares de trigo com maior tolerância ao VNAC. Conforme observado por Lau et al. (2013), cultivares com maior tolerância ao VNAC tendem a apresentar menores perdas produtivas em comparação a cultivares suscetíveis, quando infectadas com o vírus.

Figura 2. Reação de genótipos de trigo ao BYDV-PAV, agente causal do nanismo amarelo. A) Genótipo Suscetível/Intolerante. B) Genótipo Resistente/Tolerante. Em cada foto, o vaso à esquerda contém plantas não inoculadas e o vaso à direita contém plantas inoculadas com o vírus. Observar redução do porte de plantas e amarelecimento evidentes no genótipo intolerante (A) (Lau et al., 2013).

Fotos: Douglas Lau

Dessa forma, fica evidente a importância do adequado manejo e controle dos pulgões em trigo, principalmente visando reduzir os danos indiretos causados pela transmissão do VNAC pela praga. Além do controle eficiente dos pulgões, o uso de cultivares com maior tolerância ao VNAC constitui uma importante estratégia de manejo para reduzir perdas de produtividade.


Veja mais: Produtor pode usar inseticida inibidor da respiração celular contra ácaros, pulgões e mosca branca


Referências:

EMBRAPA. 13° REUNIÃO DA COMISSÃO BRASILEIRA DE PESQUISA DE TRIGO E TRITICALE, INFORMAÇÕES TÉCNICAS PARA TRIGO E TRITICALE: SAFRA 2020, 2020. Disponível em: < https://www.conferencebr.com/conteudo/arquivo/informacoestecnicasparatrigoetriticalesafra2020-1597089276.pdf >, acesso em: 03/06/2022.

LAU, D. et al. REAÇÃO DE GENÓTIPOS DE TRIGO (Triticum aestivum L.) AO BYDV– PAV, AGENTE CAUSAL DO NANISMO AMARELO: ANÁLISE DE DADOS DO ANO DE 2012. Embrapa, Documentos, n. 144, 2013. Disponível em: < http://www.cnpt.embrapa.br/biblio/do/p_do144.pdf >, acesso em: 03/06/2022.

REIS, E. M.; BIANCHI, V.; DANELLI, A. L. D. CICLO DA VIROSE DO NANISMO AMARELO DA CEVADA EM CEREAIS DE INVERNO. Revista Plantio Direto, 2010. Disponível em: < https://www.plantiodireto.com.br/storage/files/118/8.pdf >, acesso em: 03/06/2022.

SANTANA, F. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE TRIGO. Embrapa, Documentos, n. 108, 2012. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/990828/manual-de-identificacao-de-doencas-de-trigo >, acesso em: 03/06/2022.

Foto de capa: Douglas Lau.

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Equipe Mais Soja
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