Com adoção de tecnologias sustentáveis, o uso da terra para a produção agrícola no Brasil é muito eficiente

Como já sabemos, o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo.  Mas você já se perguntou como é realizado o uso da terra para a produção agrícola no Brasil?

Ou qual situação atual da vegetação nativa nas propriedades rurais? E ainda, qual o papel do produtor rural na preservação dessa vegetação?

Atualmente, podemos obter respostas para todas essas perguntas graças ao conhecimento científico sobre a dinâmica espacial e temporal da ocupação e do uso das terras.

Com a implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) no Brasil e estudos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), sabemos quais áreas são efetivamente utilizadas para a agricultura, assim como aquelas preservadas pelos produtores dentro de suas propriedades.  Podemos ainda determinar a contribuição do nosso sistema de produção agrícola na preservação da vegetação nativa brasileira.

Além disso, existe um balanço entre o desmatamento e os processos de regeneração florestal e recuperação da vegetação promovida pelos próprios produtores rurais.

De acordo com a EMBRAPA, 30% das áreas mapeadas como desmatadas na Amazônia nos últimos 30-35 anos, hoje estão ocupadas novamente por vegetação nativa.

Podemos dizer que nos encontramos nesse cenário porque o produtor rural brasileiro segue exigências ambientais bastante rigorosas. Sem contar, que utilizam o que há de mais moderno em tecnologias e práticas sustentáveis de produção, resultando em alta capacidade de elevar a produção sem abrir novas áreas de vegetação nativa.

Mais de 33% da vegetação nativa brasileira é preservada dentro das propriedades rurais

De acordo com o mapeamento registrado pelo CAR, até fevereiro de 2021, as áreas dedicadas à vegetação nativa chegaram a 227.415.630 hectares, o que corresponde a 26,7% do território brasileiro.  O CAR é um registro público eletrônico necessário para todos os imóveis rurais, por exigência do Código Florestal Brasileiro.

Tem como objetivo reunir informações ambientais das propriedades e posses rurais para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento.

Contudo, muitos imóveis rurais ainda não se registraram no CAR e nem todos os que foram registrados recobrem a totalidade das unidades agrícolas existentes no Brasil.

Para conhecer e quantificar a vegetação nativa mantida nessas propriedades não cadastradas, a Embrapa Territorial utilizou dados levantados pelo Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e estimou 55.443.219 de hectares as áreas dedicadas à preservação da vegetação desses estabelecimentos, o que equivaleu a 6,5% do território nacional.

A soma desses dois números obtidos com o CAR (26,7%) e dados do estudo (6,5%) resulta em 33,2% do território brasileiro que é destinado à preservação da vegetação nativa em terras privadas. É o que nos conta Gustavo Spadotti, chefe da Embrapa Territorial.

Além das porcentagens protegidas nas propriedades, existem as unidades de conservação integral, terras indígenas e vegetação nativa em terras devolutas e não cadastradas, totalizando um valor de 66, 3% do território nacional destinado à vegetação protegida e preservada. Muito diferente do que ocorre em outras partes do mundo como EUA e Europa, onde essas mesmas áreas não chegam à 20% para cada um.

O trabalho destaca ainda o fato do Brasil ser de longe, dentre os únicos 10 países do mundo com mais de 2 milhões de km2, o que mais protege seu território, tanto em termos absolutos como relativos.

Vegetação nativa é preservada por lei no Brasil, os produtores seguem normas bastante rigorosas

Código Florestal de 2012 estabelece que todas as propriedades tenham uma área mínima de reserva de vegetação nativa. É a chamada Reserva Legal (RL) que, dependendo do tipo de vegetação e do bioma, deve ocupar de 20% a 80% da área da propriedade.

No caso do bioma Amazônia a área destinada à Reserva Legal deve ser de 80% do total, no Cerrado é de 35% e nos demais biomas é de 20% da área total.

Além da Reserva Legal, os produtores devem proteger as áreas nas margens dos cursos d’água, lagoas, lagos, áreas que cercam as nascentes, encostas com aclive pronunciado e os topos de morro. São as chamadas Áreas de Proteção Permanente (APP).

Quando o produtor registra seu imóvel no CAR, se não estiver de acordo com a legislação ambiental, ele deve lançar mão do segundo instrumento criado pelo Código Florestal, que é o Programa de Regularização Ambiental (PRA). Além do PRA, há vários outros programas do governo federal com o objetivo de auxiliar o produtor a recuperar sua propriedade e deixá-la de acordo com a legislação ambiental.

Um deles é o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), um mecanismo, relativamente novo, que entrou em vigor em 2021 e envolve uma alternativa mais eficaz que as políticas ambientais de controle, recompensando os provedores de serviços ambientais.

Nossos produtos possuem uma pegada ambiental

Na safra de 2020/21 o Brasil produziu 252,8 milhões de toneladas de grãos, um número que cresceu mais de 4 vezes nos últimos 30 anos. Sem contar que somos o maior produtor de açúcar e café, o maior exportador de milho e de carne bovina e o maior produtor de soja do mundo, sendo responsável por 50% do mercado mundial desse grão, segundo a EMBRAPA.

O que faz o Brasil produzir tanto mesmo com restrição do uso da terra?

Além do atendimento dos produtores ao Código Florestal ser essencial na pauta da sustentabilidade, podemos dizer também que nossa forma de produzir possui efeitos ambientais bastante positivos por consequência do nosso clima favorável e da incorporação das diversas tecnologias associadas à produção, além das tecnologias incentivadas pelo plano ABC, que contribuem com menores emissões de gases do efeito estufa (GEE).

Diferentemente do que ocorre nos países de clima temperado, o Brasil, com seu clima tropical, possui condições de produzir o ano todo. Portanto, aqui é possível obter mais de uma safra na mesma área em diferentes épocas do ano.

É uma vantagem enorme para conseguir aumentar sua produção sem a necessidade de abrir novas áreas de vegetação nativa.

Em termos de produtividade, que é o aumento, cada vez maior, da produção por área, muito se deve ao uso de tecnologias no campo. Dentre elas está a agricultura digital, o uso de insumos e defensivos, manejo de irrigaçãomelhoramento genético de plantas entre outras práticas.

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A digitalização da agricultura vem trazendo diversos benefícios como o uso racional de água de irrigação, evitando desperdícios e adequação do uso de insumos e defensivos, por meio de modelos preditivos no manejo de pragas e doenças nas lavouras.

A agricultura digital combinada com outras soluções de manejo ajuda os produtores a economizar, em média, até 60% de água e 40% de energia elétrica, aumentando a produção em até 20%, promovendo um manejo mais eficiente e sustentável.

Com o melhoramento genético de plantas por meio da biotecnologia, o Brasil tem conseguido incremento na sua produtividade. Isso porque a maioria das modificações genéticas feitas nas plantas, torna-as resistentes a determinadas pragas e/ou tolerantes a herbicidas, contribuindo com a otimização do uso de defensivos agrícolas.

Além dessas características, a biotecnologia pode ainda proporcionar o desenvolvimento de variedades de plantas com maior valor nutritivo, tolerância à seca, entre outras características de interesse para a produção e para a população.

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Desde 1998 o Brasil adota transgênicos na agricultura, como soja, milho, algodão e, mais recentemente, eucalipto e cana-de-açúcar. Essa adoção já tem mostrados diversos ganhos socioambientais como redução do uso de defensivos, redução de emissões de GEE e melhoria das condições de renda para diversos pequenos produtores.

As pesquisas que envolvem tecnologia e inovação no agro brasileiro não param. Vem crescendo cada vez mais o número de startups que visam trazer soluções que auxiliam os produtores a fazer melhor uso de seus recursos e, consequentemente, melhor uso da terra na produção agrícola.

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Além disso, o setor tem investido em programas de capacitação de técnicos e agricultores e boas práticas agronômicas com o objetivo de difundir conhecimento e aprimorar a prática de uma agricultura mais sustentável.

Fonte: CropLife Brasil

Principais fontes:

Carvalho, Ca de. Ocupação e uso de terras no Brasil a partir do Cadastro Ambiental Rural – CAR. 2017. Disponível em: https://www.embrapa.br/en/territorial/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1082917/ocupacao-e-uso-de-terras-no-brasil-a-partir-do-cadastro-ambiental-rural—car Acesso em 28/04/2022.

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Agricultura e Preservação da Vegetação Nativa. Disponível em: https://www.cnpm.embrapa.br/projetos/car/rural2021/ . Acesso em: 29/04/2022.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra. 2021. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101790.pdf Acesso em: 29/04/2022.

Koch, N. et al., Agricultural productivity and forest conservation: evidence from the Brazilian Amazon. American. Journal of Agricultural Economy, 2020.

Texto originalmente publicado em:
CropLife Brasil
Autor: CropLife Brasil

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