O termo “resistência” está presente no cotidiano daqueles que trabalham com agricultura. Mesmo quem não está familiarizado com seu conceito sabe que a resistência, quando tratamos de insetos, é um problema que se deve evitar. Uma ferramenta que está sendo utilizada é o uso de sinergistas para amenizar o efeito da resistência de organismos considerados nocivos.

A evolução da resistência (figura 1) ocorre em um processo que indivíduos de uma população de espécie praga possuem a capacidade de sobreviver a dosagem de uma substância inseticida capaz de controlar os demais, essa capacidade sendo proveniente de características genéticas, resulta na perpetuação para sua prole. Dessa maneira, com a exposição contínua à mesma substância, ocorre a seleção dos indivíduos resistentes. (BERNARDI et al., 2016).

Figura 1. Evolução da resistência com uso contínuo do produto A. Fonte: Alexandre Castro Reis

A resistência pode se dar por meio de mecanismos que reduzem a penetração cuticular da substância, aumentando a taxa de metabolização do inseticida por enzimas, ou mecanismos que alterem o sítio de ação da substância. (MUTERO et al., 1994). O sinergista irá inibir as enzimas capazes de degradar as moléculas dos inseticidas, possibilitando que uma concentração maior do produto se ligue no sítio de ação. Consequentemente, a utilização do sinergista em conjunto com o inseticida irá diminuir a dosagem necessária para se atingir um controle satisfatório da espécie praga.

Para o entendimento da ação do sinergista no combate à resistência, é importante compreender o mecanismo no qual há o aumento da detoxificação metabólica através das enzimas, onde os indivíduos resistentes irão degradar as moléculas do inseticida de maneira mais eficaz que os suscetíveis. Ou seja, se pegarmos um mesmo intervalo de tempo, os insetos que possuem esse mecanismo de resistência detêm a capacidade de degradar mais moléculas de inseticida que os insetos que são suscetíveis, fazendo com aqueles que possuem essa capacidade sobrevivam.

O sinergista butóxido de piperonila (PBO), é o mais utilizado conjuntamente a inseticidas e pode ser utilizado quando a resistência é através de enzimas do citocromo P-450. Nesse caso, o sinergista age inibindo a ação dessas proteínas, fazendo com que menor quantidade da substância seja degradada, assim, maiores quantidades atingem o sítio de ação do inseticida em questão. Há também os sinergistas S, S, S-tributilfosforotritioato (DEF), que agem nas esterases e o maleato dietílico (DEM) nas GSH-transferases. (BERNARDI; OMOTO, 2014).

A utilização de sinergistas também implica em menor possibilidade de eventuais contaminações ambientais, pois ele diminui a concentração de inseticida necessária para se alcançar o mesmo nível de controle dos insetos praga.

Como exemplo temos os resultados que Sosa-Gomez (2018) apresentou, em que a concentração letal que leva à morte 50% dos insetos testados (CL50) do ingrediente ativo Tiametoxam era de 1,53 µg por adulto de percevejo-marrom (Euschistus heros) e diminuiu para 0,11 µg com o acréscimo do sinergista PBO, em uma população de Bela Vista do Paraíso, PR coletada em agosto de 2017 e 2,32 µg para 0,67 µg em uma população de Warta, PR coletada em julho do mesmo ano.

Com isso, podemos notar que a utilização de sinergistas conjuntamente com inseticidas é mais uma ferramenta disponível para o controle em áreas em que já houve a evolução da resistência para alguns ingredientes ativos de inseticidas. Entretanto, vale destacar que essa ferramenta é apenas mais uma a ser incorporada no Manejo Integrado de Pragas (MIP), sendo indicada apenas quando o nível de dano econômico for atingido e as demais técnicas não forem suficientes.

Autor: Alexandre Castro Reis – Acadêmico do 9º semestre de Agronomia e Bolsista do grupo PET Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM

Referências:

BERNARDI, O.; BERNARDI, D.; HORIKOSHI, R.J.; OMOTO, C. Manejo da Resistência de Insetos a Plantas Bt. Edição. PROMIP–Manejo Integrado de Pragas, Engenheiro Coelho, SP, Brasil, 2016.

BERNARDI, O.; OMOTO, C. Manejo da resistência de insetos e ácaros a pesticidas. In: ZAMBOLIN, L. et al. O que engenheiros agrônomos devem saber para orientar o uso de produtos fitossanitários. 4. Ed. Viçosa, MG: UFV, cap. 13, p. 495-525, 2014.

MUTERO,    A.;    PRALAVORIO,    M.;    BRIDE,    J.M.;    FOURNIER,    D. Resistance-ssociated            point            mutations            insecticides-insensitive acetylcholinesterase. Proceedings of the National Academy of Sciences of the USA, v.91, p. 5922-5926, 1994.

SOSA-GOMEZ, D.R. Determinação dos modos de ação de inseticidas em populações do campo de Euschistus heros utilizando agentes sinergistas. VIII congresso brasileiro de soja. Goiânia, GO, p. 154-156, 2018.

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