Uma lavoura comercial deve ser vista como um sistema de produção, onde inúmeros fatores interferem em sua produtividade, sustentabilidade e viabilidade técnica e econômica. Dentre as práticas de manejo que auxiliam na sustentabilidade e viabilidade de uma lavoura, podemos destacar uma que é indispensável ao sistema de produção, a rotação de culturas. Com uma grande quantidade de benefícios, a rotação de culturas tem relação com o controle de plantas daninhas, pragas e doenças; além de influenciar diretamente no solo, seus atributos físicos, químicos e biológicos.

Para manter uma rotação de culturas eficiente é preciso planejar a atividade, sem que ocorram sucessões de cultivo, utilizando culturas viáveis técnica e economicamente e produzindo cobertura para o solo, evitando erosões, emergência de plantas daninhas e persistência de pragas e doenças nas entressafras.

Nas regiões sul do pais, em especial no Rio Grande do Sul, culturas de inverno como trigo, aveia e azevém são muito utilizadas na rotação de culturas com o cultivo da soja, sendo hora utilizadas como cobertura do solo (aveia preta, azevém, ervilhaca, nabo-forrageiro), hora utilizadas com o intuído te produzir grãos (trigo, aveia branca, cevada, entre outras…). Em especial no cultivo do trigo, para diminuir custos de produção e aumentar a produtividade da lavoura de inverno, algumas tecnologias auxiliam o produtor nesta tarefa e um exemplo prático é o uso de Azospirillum brasilense na inoculação do trigo.

O que é o Azospirillum brasilense?

Segundo MUMBACH et.al, (2017) o Azospirillum brasilense é uma bactéria fixadora de Nitrogênio atmosférico, que tem como características em uma relação de simbiose com a planta fornecer Nitrogênio oriundo da fixação biológica de nitrogênio (FBN), estimular o crescimento das plantas, o desenvolvimento radicular, a produção de hormônios como auxinas, giberelinas e citocininas, além te auxiliar no aumento da clorofila a atividade fotossintética das plantas.

Contudo, somente a inoculação com Azospirillum brasilense não é suficiente para alcançar boa produtividade da lavoura, ele apenas auxilia a planta com parte do nitrogênio, porém, MUMBACH, et. al, (2017) testando doses de inoculação com Azospirillum brasilense e doses de adubação Nitrogenada para a cultura do trigo encontraram resultados que demonstram o aumento da produtividade da cultura quando inoculada com Azospirillum brasilense  e a não diminuição significativa da produtividade e matéria seca do trigo quando reduzida  pela metade a adubação nitrogenada de cobertura, no caso, de 70 para 35 kg.ha-1 (tabela 1), o que representa redução do uso de fertilizantes nitrogenados e custo de produção no cultivo do trigo.

Tabela 1. matéria seca da parte aérea e produtividade da cultura do trigo nos diferentes tratamento avaliando doses de inoculante e adubação com N mineral na semeadura e em cobertura.

Adaptado: MUMBACH, et. al, (2017).

Outros autores também encontrara resultados semelhantes de aumento da produtividade para a cultura do trigo quando inoculados com Azospirillum brasilense. PINTO, et. al, (2017) avaliando diferentes doses de adubação nitrogenada com e sem inoculação com Azospirillum brasilense para o trigo, encontrou 26,42% de aumento na produtividade média dos tratamentos inoculados com relação aos tratamentos não inoculado, utilizando 120 kg.ha-1 de Nitrogênio na adubação da cultura para ambos. Os valores de produtividade média encontrados foram de 2282 kg.ha-1 para o tratamento inoculado e 1805 kg.ha-1 para o não inoculado.

Estudando a inoculação com Azospirillum brasilense na cultura do trigo, ROSÁRIO, J. G. (2013) também encontrou resultados que demonstram que o uso da bactéria associada à redução da adubação nitrogenada não acarretou em perdas significativas na produtividade do trigo, o autor ainda destaca que redução da adubação nitrogenada não implicou na redução de características agronômicas da cultura.

Dessa forma, a inoculação com Azospirillum brasilense para a cultura do trigo é uma ferramenta que pode ser explorada para reduzir custos com adubação tornando a cultura mais rentável economicamente para o sistema de produção no uso da rotação de culturas.



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Referências:

MUNBACH, et. al,. RESPOSTA DA INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense NAS CULTURAS DE TRIGO E DE MILHO SAFRINHA. Revista Scientia Agraria, v. 18, n. 2, p. 97-103, Curitiba, abr./jun., 2017.

PINTO, et. al,. PRODUTIVIDADE DE TRIGO EM DIFERENTES DOSES DE NITROGÊNIO, INOCULADO OU NÃO COM Azospirillum brasilense. Anais do 9º SALÃO INTERNACIONAL DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – SIEPE, 2017.

ROSÁRIO, J. G. INOCULAÇÃO COM Azospirillum brasilense ASSOCIADA

À REDUÇÃO NA ADUBAÇÃO NITROGENADA DE

COBERTURA EM CULTIVARES DE TRIGO. Dissertação de mestrado, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Programa de Pós-Graduação em Agronomia, área de concentração em Produção Vegetal, 2013.

Redação: Maurício Siqueira dos Santos – Eng. Agrônomo.

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