Vale a pena investir no uso de drones na agricultura?

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Os avanços da Agricultura de Precisão trouxeram para os produtores a possibilidade de controlar inúmeras variáveis que interferem na produtividade. Com o objetivo de reduzir os custos e aumentar a produtividade, os produtores vêm cada vez mais incorporando a tecnologia no campo. Os drones despontam como uma excelente ferramenta para identificar a situação das lavouras e facilitam o trabalho do produtor rural.

Seguindo neste ramo, a Auster Tecnologia é uma empresa incubada na Universidade Federal de Santa Maria que surgiu em 2016. A equipe é composta por 9 profissionais, oriundos dos cursos de Engenharia de Controle e Automação e Engenharia Mecânica. A expertise agronômica se desenvolve através de parcerias com instituições de ensino, pesquisa e empresas de consultoria.

A Auster Tecnologia atua no ramo do agronegócio, através do desenvolvimento de aeronaves e algoritmos para monitoramento de lavouras. Este monitoramento consiste em um serviço de acompanhamento contínuo, que auxilia o produtor através da detecção de falhas, deficiências nutricionais, pragas e até doenças. Assim, a empresa oferece um recurso que ajuda no manejo e otimiza a agricultura de precisão na propriedade.

Na safra 17/18 a empresa utilizou os drones como ferramenta para fazer o monitoramento de algumas áreas. Para saber mais sobre essa tecnologia, seu funcionamento, usos, vantagens e restrições, conversamos com os diretores executivo e comercial da Auster: Saulo Penna Neto e Eduardo Engel.

Mais Soja (MS):  Em que consiste um drone?

Eduardo: “Qualquer aeronave que voe sem a necessidade de uma tripulação a bordo pode ser considerada um “drone”, independente da finalidade ou porte do equipamento, podendo caber nas palmas das nossas mãos ou pesar toneladas. Os drones utilizados para fins comerciais (agricultura, nesse caso) são chamados de ARPs (Aeronaves Remotamente Pilotadas). O funcionamento e a mecânica de voo dependerão, principalmente, da extensão das áreas mapeadas, sendo do tipo multirotor para mapear áreas pequenas ou do tipo asa fixa para áreas médias ou grandes. Esses equipamentos comerciais só surgiram na última década devido à miniaturização dos sensores (câmeras) embarcados e também à confiabilidade das controladoras de voo e telecomunicações, que possibilitaram o uso em larga escala de drones com alta capacidade de mapeamento”.

MS: Qual o impacto que os drones tem exercido no setor agrícola?

Eduardo: “Nos últimos anos, as Aeronaves Remotamente Pilotadas, popularmente conhecidas como drones, vem recebendo um destaque cada vez maior neste setor. Devido à grande evolução no desenvolvimento da tecnologia de voo e sensores embarcados, os drones se tornaram mais confiáveis, baratos e simples para serem operados. Desta forma, o engenheiro agrônomo, o técnico agrícola e o próprio produtor podem ter seu equipamento para acompanhar a lavoura através de imagens aéreas. Esta visão diferenciada do cultivo, permite identificar falhas de plantio e até mesmo manchas de pragas e doenças, tornando a ferramenta cada vez mais útil para quem trabalha no campo. E, tudo isso, com uma grande economia de tempo, considerando que através dos drones podemos percorrer áreas grandes em questão de poucos minutos”.

MS: Os drones tem sido utilizados amplamente no setor agrícola com o objetivo de fazer monitoramento de áreas. Quais as vantagens de se usar os drones, quando comparados a sistemas mais convencionais, como a aerofotogrametria realizada por aeronaves tripuladas ou ainda o próprio monitoramento humano?

Saulo: “Apesar do monitoramento humano possibilitar uma visão mais clara e direta da planta, deve-se considerar que uma pessoa levaria muito tempo para monitorar visualmente uma grande área que um drone cobre em uma tarde (centenas ou milhares de hectares). Os drones mapeiam até mesmo áreas menos acessíveis, fornecendo imagens claras da situação da lavoura, expondo anomalias e falhas com muita eficiência, o que permite ao técnico responsável monitorar presencialmente apenas os pontos necessários. Utilizando câmeras multiespectrais, pode-se detectar o surgimento de anomalias antes mesmo que um humano experiente no assunto seja capaz de perceber a olho nu. A tecnologia também abre a possibilidade de medir concentração de água ou nutrientes nas plantas.

Se compararmos com a aerofotogrametria convencional, a grande vantagem de se usar um drone é o custo e simplicidade do serviço, pois utilizando aeronaves tripuladas muitas vezes o sensoriamento remoto acaba se tornando inviável para a maior parte da aplicações. Satélites também podem ser utilizados para fins semelhantes, porém, perdem em qualidade: as imagens sofrem muito com a influência da atmosfera e a possível presença de nuvens cobrindo as áreas de interesse. Além disso, os drones capturam imagens com resolução de alguns centímetros por pixel, ao passo que a resolução dos satélites chega a dezenas de metros. O processo de calibração radiométrica da imagem também se torna quase impossível de fazer com uso de satélites, o que impede a geração de dados verdadeiramente confiáveis”.

MS – Quais as desvantagens ou limitações que o uso dos drones ainda impõe?

Eduardo: “As limitações do uso dos drones podem se originar de questões técnicas e também de regulamentação. Como limitação técnica e se tratando principalmente de multirotores, temos a autonomia que ainda é relativamente baixa, ficando na média de 20 minutos. Mesmo com a disponibilidade de baterias e motores mais avançados, os sistemas de propulsão consomem bastante energia e as baterias demandam um tempo razoável de recarga. Este é um dos motivos que dificultam o uso dos drones para transporte de cargas pesadas e dispersão de defensivos nas lavouras. Estão sendo desenvolvidas diversas tecnologias para contornar estes problemas, como por exemplo sistemas híbridos que combinam motores elétricos e a combustão.

Para o monitoramento de áreas médias e grandes, a Auster utiliza drones do tipo asa fixa com autonomia de voo superior a uma hora.  No que envolve regulamentação, são impostas restrições nos locais que os drones podem voar, bem como altura máxima e raio de operação. Desta forma, com a exceção de alguns casos especiais, não é permitido voar próximo a aeródromos ou sobre áreas habitadas, bem como em alturas superiores a 120 metros ou além da linha de visada do operador. Está se iniciando uma discussão sobre a formação de pilotos remotos, que possibilitará a realização de voos a distâncias maiores. Nestes casos, o equipamento deverá possuir recursos que permitam uma navegação segura, sem colocar pessoas ou outras aeronaves em risco”.

Quer saber mais sobre o trabalho da Auster Tecnologia? Clique aqui.

Gostou? Fique ligado porque amanhã teremos a segunda parte desta entrevista. 

Redação: Bruna Eduarda Meinen Feil  – Assessora de Comunicação Equipe Mais Soja

Sobre a Auster Tecnoloiga: A Auster Tecnologia fornece soluções completas em RPAS (Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas), incluindo serviços, hardware e capacitação. Aqui você encontra as soluções em RPAS mais adequadas a cada propósito para ajudá-lo a tomar decisões bem fundamentadas e aumentar a sua produtividade graças a dados aéreos transformados em informações estratégicas úteis a seu negócio.

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