O presente trabalho tem como objetivo avaliar a dependência, a variabilidade e as relações espaciais da acidez ativa e da capacidade de troca de cátions de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do Pampa.

Autores:  Vitória Silva Coimbra1; Julio Cesar Wincher Soares2; Lucas Nascimento Brum1; Daniel Nunes Krum1; Higor Machado de Freitas1; Pedro Mauricio Santos dos Santos1; Jéssica Santi Boff1

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O conhecimento da variabilidade espacial e temporal da fertilidade química do solo em áreas cultivadas pode fornecer importantes subsídios para a maximização do uso dos corretivos e fertilizantes do solo.

A acidez ativa dos solos é explicada pela quantidade de hidrogênio (H+), dissociado ou disponível da solução do solo, na forma de H+, os valores para [H+], são expressos pelo pH, e estes valores podem interferir na disponibilidade de nutrientes as culturas. Já a acidez potencial (H+Al) abrange, H + Al (H+ trocável, H de ligações covalentes que é dissociado com aumento do pH, Al3+ trocável e em formas de Al que podem ser parcialmente hidrolisadas AlOH2+ e Al(OH)2+) (Novais & Mello, 2007).

Já a capacidade de troca de cátions (CTC), expressa os valores de cargas negativas elétricas dos coloides do solo, cargas essas que tem por função apreensão dos cátions do solo, os quais ficarão disponíveis para as raízes das plantas, facilitando a disponibilidade as plantas (Raij,1969).

O presente trabalho tem como objetivo avaliar a dependência, a variabilidade e as relações espaciais da acidez ativa e da capacidade de troca de cátions de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do Pampa.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado na Fazenda Escola da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Campus de Santiago. Conforme o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (EMBRAPA, 2013), na catena em estudo, desenvolvem-se Neossolos Litólicos Distróficos e Neossolos Regolíticos Distróficos.

Para a descrição pedométrica foram instalados 52 pontos de prospecção, com intervalos regulares de 15 metros, na profundidade de 0,0 a 0,2 m. A locação dos pontos contou com o emprego de um receptor GNSS (Sistema global de navegaçãopor satélite), com disponibilidade de posicionamento em tempo real, utilizando o datum horizontal SIRGAS 2000, zona 21 S.

Nos pontos de prospecção foram coletadas amostras deformadas para a determinação das seguintes variáveis: alumínio (Al), cálcio (Ca), magnésio (Mg), potássio (K), acidez potencial (H+Al) e pH do solo em água (pH H2O), conforme Donagemma et al. (2011). Em seguida, foi realizado o cálculo da capacidade de troca catiônica efetiva (CTCefetiva), da capacidade de troca catiônica em pH7,0 (CTCpH7,0).

A avaliação da variabilidade das propriedades do solo se deu, primeiramente, através da análise estatística descritiva e a normalidade dos dados foi testada por Kolmogorov-Smirnov. Em seguida, foram realizados procedimentos geoestatísticos e os mapas das diferentes propriedades dos solos foram gerados utilizando o interpolador de krigagem ordinária do ArcGIS® 10.5.1.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise estatística descritiva revela que apenas os dados de acidez ativa (pH H2O) não seguem a distribuição normal, conforme o teste de Kolmogorov-Smirnov (p<0,05) (TABELA 1).

Os valores de pH H2O, ou seja, da acidez ativa variaram entre 4,30 e 6,00, com média geral de 5,23, classificado como forte, conforme Lopes (1989). A acidez potencial (H + Al), por sua vez, variou de 1,95 a 17,30 cmolc dm-3, com média de 6,57 cmolc dm-3, classificado como bom, segundo Alvarez et al. (1999). Assim, o valor do Al3+ oscilou entre 0,20 e 4,70 cmolc dm-3, como média de 1,76 cmolc dm-3, classificado como alto (Sobral et. al., 2015) (TABELA 1).

A capacidade de troca de cátions efetiva (CTCefetiva) variou entre 9,02 e 16,41 cmolc dm-3, com valor médio 11,29 cmolc dm-3. A capacidade de troca de cátions a pH 7,0 (CTCpH7,0), por sua vez, variou de 9,15 a 25,84 cmolc dm-3, com média de 16,10 cmolc dm-3. Alvares et al. (1999), classificam o valor médio de CTCefetiva (11,29 cmolc dm-3), como muito alta, já a CTCpH7,00 (16,10 cmolc dm-3) é classificada pelos mesmos autores, como muito alta (TABELA 1).

Tabela 1 – Estatística descritiva para as propriedades químicas de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do Pampa.

As variáveis de acidez ativa, acidez potencial, CTCefetiva e CTCpH7,00 ajustaramse ao modelo Stable, com valores de alcance respectivos de: 72,35, 35,25, 30,48 e 32,26 m (TABELA 2). Os valores de alcance obtidos para todas as propriedades estudadas foram superiores a equidistância da malha amostral, que foi de 15 m, indicando um elevado padrão de acurácia nas predições, conforme Mcbratney & Webster (1986).


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O efeito pepita para a maioria das propriedades químicas estudadas foi igual ou próximo a 0, e estes valores indicam a não ocorrência do erro experimental, ou a ocorrência de erros desprezíveis (TRANGMAR et al.,1985). Por fim, o grau de dependência foi classificado como forte para todas as químicas estudadas (TABELA 2).

Tabela 2 – Parâmetros dos modelos de semivariogramas ajustados para as propriedades químicas de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do Pampa.

Conforme a figura 1, quanto menor os valores de pH H2O, maior será acidez potencial, com maior contribuição do alumínio na CTCefetiva. A acidez potencial relaciona-se no espaço com a CTCpH 7,0, demostrando que, quanto maiores os valores de H+Al, maior será a CTCpH 7,0. Observou-se também que, quanto menor o pH H2O, maiores os teores de alumínio, e menores serão os valores de bases; estabelecendo uma relação antagônica entre o alumínio e os teores de bases. Além disso, pode-se inferir que incrementos nos teores de cálcio, aumentam a CTCefetiva, reduzindo a contribuição do alumínio.

Figura 1 – Modelos digitais de propriedades químicas de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do Pampa.

CONCLUSÃO

As propriedades químicas dos Neossolos apresentaram relações espaciais em sua distribuição e estes solos em geral, apresentaram boa fertilidade química, demandando o aporte de corretivos.

REFERÊNCIAS

ALVAREZ V., V. H. et al. Interpretação dos resultados das análises de solos. In: Ribeiro, A. C. et al. Recomendações para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5º Aprox. Viçosa: C FSEMG, 1999. p.25-32.

COSTA, N. R. et al. Acúmulo de nutrientes e decomposição da palhada de braquiárias em função do manejo de corte e produção do milho. Rev. Bras. Ciênc. Solo, v. 9, p.166-73, 2014.

CRUSCIOL, C. A. C. Persistência de palhada e liberação de nutrientes do nabo forrageiro no plantio direto. Pesq. agropec. Bras., v. 40, p.161-168, 2005.

EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2013. 353p.

LOPES, A.S.. Manual de fertilidade do solo. São Paulo: ANDA/POTAFOS, 1989. 153 p. McBRATNEY, A. B.; WEBSTER, R. Choosing functions for semi-variograms of soil properties and fitting them to sampling estimates. Journal of Soil Science, v.37, p.617-639, 1986.

SOBRAL L.F. et al. Guia prático para interpretação de resultados de análises de solos – Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros, 2015.13 p.

TRANGMAR, B.B.; YOST, R.S.; UEHARA G. Application of geostatistics to spatial studies of soil properties. Advances in Agronomy, v.38, p.45-94, 1985.

Informações dos autores:  

1Acadêmica do Curso de Agronomia, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Santiago/RS. ;

2Professor do Curso de Agronomia, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Santiago/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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