O presente estudo teve como objetivo descrever a variabilidade e as relações espaciais da saturação por bases e da saturação por alumínio de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do pampa.

Autores: Matheus Ribeiro Gorski1; Julio César Wincher Soares2; Gabriel Rebelato Machado1; Lucas Nascimento Brum1; Vitória Silva Coimbra1; Thaynan Hentz de Lima1; Jéssica Santi Boff1.

Trabalho publicado nos Anais do evento e divulgado com a autorização dos autores.

INTRODUÇÃO

O solo desempenha a função de tornar disponíveis os nutrientes para as plantas, as quais irão expressar a fertilidade química do solo.

Para a gestão dos recursos do solo, faz-se necessária a análise da saturação por bases (V%) e da saturação por alumínio (m%), os quais indicam o teor de cátions ácidos e básicos adsorvidos nos coloides. A alta concentração de Alumínio (Al) e Hidrogênio (H) no solo, pode ser toxica para as culturas, constituindo uma das principais limitações em solos ácidos (Sousa et.al., 2007).

O presente estudo teve como objetivo descrever a variabilidade e as relações espaciais da saturação por bases e da saturação por alumínio de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do pampa.

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi realizado na Fazenda Escola da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Campus de Santiago, com coordenas centrais UTM 705.589 E e 6.769.112 S (SIRGAS2000, zona 21 S).

Foram realizadas prospecções por meio de 52 pontos de uma malha, com intervalos regulares de 15 m, na profundidade de 0,0 – 0,2 m, numa área de 1,17 ha. Para locação dos pontos foi empregado um receptor GNSS (Global navigation Satellite System) Leica modelo Viva GS15, com dupla frequência (L1/L2) e disponibilidade de Real Time Kinematic (RTK).

A partir do grid de pontos definidos, foram coletadas amostras pontuais deformadas, as quais foram utilizadas para o cálculo da saturação por bases (V%) e da saturação por alumínio (m%), conforme Donagema (2011).

A variabilidade do solo foi avaliada pela análise estatística descritiva e a normalidade dos dados foi testada por Kolmogorov-Smirnov, ao nível de 95% de significância. Já o coeficiente de variação (CV) foi classificado segundo Warrick & Nielsen (1980), que considera variabilidade baixa (CV < 12%); média (12%< CV >60%) e alta (CV > 60%).

Foram realizados os ajustes dos modelos de semivariogramas aos dados, sendo definidos os seguintes parâmetros: efeito pepita, patamar e alcance. Posteriormente, o grau de dependência espacial (GDE) foi classificado conforme Cambardella et al. (1994).

Os mapas das diferentes propriedades físicas do solo foram gerados utilizando o interpolador de krigagem ordinária do ArcGIS® 10.5.1.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise estatística descritiva revela que as propriedades avaliadas apresentam distribuição normal, conforme o teste de Kolmogorov-Smirnov, ao nível de 5% de significância (TABELA 1).

Tabela 1 – Análises estatísticas descritivas das propriedades químicas de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do Pampa.

A Saturação por Bases (V%) do solo, obteve valores que variam de 33,05 a 87,31 %, perfazendo uma média de 61,25%. Já a saturação por Al (m%) resultou em valores que variam de 2,05 a 41,11%, com média de 15,70% (Tabela 1). Assim, conforme Alvares et al. (1999), a V% é classificada como alta, e a m% como baixa, o que indica um solo com boa fertilidade química, com predominância de cátions básicos.

Conforme a tabela 2, a V% se ajustou ao modelo Stable, com alcance de 35,74 m, patamar de 157,83 e efeito pepita de 0,00, perfazendo o GDE de 0,00%, classificado como forte. Já a m% ajustou-se ao modelo Esférico, apresentando alcance de 73,19 m, patamar de 70,21 e efeito pepita de 13,78, culminando num GDE de 19,64%, classificado como forte.

Tabela 2 – Parâmetros dos modelos de semivariogramas ajustados para as propriedades químicas de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do Pampa.

Os valores de alcance obtidos para todas as propriedades estudadas foram superiores a equidistância da malha amostral, que foi de 15 m, indicando um elevado padrão de acurácia nas predições, conforme Mcbratney & Webster (1986). 

O efeito pepita para a maioria das propriedades químicas estudadas foi igual ou próximo a 0, e estes valores indicam a não ocorrência do erro experimental, ou a ocorrência de erros desprezíveis (Trangmar et al.,1985).


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De acordo com a figura 1, pode-se observar que os valores mais baixos de V% estão sobre o centro da catena, no terço médio e no terço inferior, no sentido noroeste. Já os maiores valores de m% estão em uma pequena área de depósito, no terço inferior da catena, no sentido sudoeste. Estes valores correlacionam-se negativamente, ou seja, quando o teor de um aumenta, o outro diminui. Observando a paisagem, é possível perceber a relação destas variáveis, e elas são condicionadas por um pequeno fluxo de água que ocorre no centro na catena, transportando partículas de solo para uma área de depósito.

Figura 1 – Mapa da distribuição espacial da saturação por bases V% e da saturação por alumínio m% de Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo, numa catena do pampa.

CONCLUSÃO

As propriedades químicas dos Neossolos apresentaram relações espaciais em sua distribuição.

A densidade amostral mostrou-se de grande importância para as definições das variáveis com exatidão.

Os Neossolos cultivados com soja, sob cultivo mínimo apresentam boa fertilidade química, com elevada saturação por bases e baixa saturação por alumínio.

REFERÊNCIAS

ALVAREZ V., V. H. et al. Interpretação dos resultados das análises de solos. In: Ribeiro, A. C.; Guimarães, P. T. G.; Alvarez V., V. H. Recomendações para uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais – 5º Aproximação. Viçosa: Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999. p.25-32.

CAMBARDELLA, C. A. et al. Field-scale variability of soil properties in central Iowa soils. Soil Science Society of America Journal, v. 58, n. 5, p. 1501-1511, 1994.

DONAGEMA, G.K. et al. Manual de métodos de análise de solos. 2.ed. rev. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2011. 230p. (Embrapa Solos. Documentos, 132).

LOPES, A.S.; GUILHERME L.R.G. Fertilidade do solo e produtividade agrícola. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2007, 1017p.

McBRATNEY, A. B.; WEBSTER, R. Choosing functions for semi-variograms of soil properties and fitting them to sampling estimates. Journal of Soil Science, v.37, p.617-639, 1986.

SOUSA, D. M. G., Fertilidade do solo. Cap. V Acidez do solo e sua correlação. 1° Edição. Viçosa, MG. 2007. p.216

TRANGMAR, B.B.; YOST, R.S.; UEHARA G. Application of geostatistics to spatial studies of soil properties. Advances in Agronomy, San Diego, v.38, p.45-94, 1985.

WARRICK, A.W.; NIELSEN, D.R. Spatial variability of soil physical properties in the field. In: Hillel, D. Applications of soil physics. New York: Academic Press, 1980. 

Informações dos autores:  

1 Acadêmico (a) do Curso de Agronomia, Universidade Regional Integrada (URI) Campus Santiago, Santiago/RS;

² Professor Dr. do Curso de Agronomia, Universidade Regional Integrada (URI) Campus Santiago; Santiago/RS.

Disponível em: Anais do I Congresso Online para aumento da produtividade de soja 2018. Santa Maria, RS.

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