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Veja o que as pragas desfolhadoras são capazes de causar na soja

As principais pragas desfolhadoras na cultura da soja são a lagarta-da-soja (Anticarsia gemmtalis) e a falsa-medideira (Chrysodeixis includens).

Elas podem ocorrer simultaneamente na lavoura e acarretar prejuízos significativos. A. gemmatalis pode causar desfolha de 100% na cultura da soja.

Nas fases larvais, as lagartas são capazes de causar grandes perdas de desfolha, afetando diretamente área fotossinteticamente ativa da planta. Com isso, ocorre falta de fotoassimilados que são gerados pelas folhas e necessários para a formação dos grãos.

Neste texto você conhecerá quais os maiores prejuízos que essas pragas provocam nas plantas de soja e porque o manejo deve ser realizado desde o início do desenvolvimento da cultura.

Figura 1. Lagarta-da-soja (esquerda) e falsa-medideira (direita).

Segundo o Manejo Integrado de Pragas (MIP), a produção das plantas de soja não é comprometida com desfolha de 30% na fase vegetativa e 15% na reprodutiva.

Fontoura et al. (2006), relata que o estágio mais crítico para perdas de área foliar é R5 (início do enchimento de grãos), acarretando em redução do rendimento.

Figura 2. Simulação do momento correto de controle com nível de desfolha de 30% no vegetativo e 15% no reprodutivo.

Fonte: Bueno et al. (2010).

Em um trabalho realizado por Santos et al. (2018), intitulado “SIMULAÇÃO DE DESFOLHAS EM DIFERENTES ESTÁDIOS VEGETATIVO NA CULTURA DA SOJA”, verificou-se quais as consequências com as desfolhas contínuas. Os fatores mais afetados, são:

  • Altura da planta;
  • Número de vagens;
  • Produtividade.

Notamos na Tabela 1, que quanto mais cedo ocorrem as desfolhas no desenvolvimento da cultura (iniciadas em V2 até V5), maiores são as injúrias na redução da altura das plantas (AP), número de vagens (Nº V) e produtividade (Kg). Sendo assim, é notória a importância no controle dos insetos desde o início do desenvolvimento das culturas.



Tabela 1. Alturas de plantas (AP), altura de inserção da 1ª vagem (IPV), índice de clorofila (IC), número de ramos por planta (NºR), número de vagens por planta (NºV), número de grãos por vagem (NºG/V), peso de 1000 grãos (PMG) e produtividade (P) da soja.

Fonte: Santos et al. (2018)

1. Altura

Quando os ataques de desfolhadoras iniciam logo no início de desenvolvimento da soja (V2) e se estendem até o final da fase vegetativa, ocorre redução da altura da planta.

Em estágios mais avançados, como V7, a desfolha não afeta diretamente a altura da planta, pois esta característica já foi definida.

2. Número de vagens

O número de vagens por planta também é afetado com o ataque de insetos desfolhadores. Quando a desfolha ocorre no início da fase vegetativa, a redução do número de vagens foi de aproximadamente 25%. O fato se justifica, pois, ocorre um pico de fotossíntese em estágios de enchimento de grãos, necessitando de folhas suficientes para realizar a função. Em outros trabalhos, a desfolha na fase reprodutiva pode reduzir ainda mais o número de vagens.

3. Produtividade

É afetada drasticamente quando a desfolha ocorre com em V2 e V3 (1° e 2° trifólios abertos), resultando em perdas de 20%.

Tratamento de sementes auxilia na redução de desfolha?

Vieira (2017), utilizou de tratamento de sementes (TS) para verificar o nível de desfolha com a lagarta-da-soja e falsa-medideira vários dias após a emergência (DAE) da cultura em Itiquira – Mato Grosso.

Para falsa-medideira, notamos que aos 7 DAE, Ciantraniliprole + Tiametoxam garantem bom controle. No entanto, após 1 mês do TS, todos os tratamentos perdem seu efeito protetivo.

Tabela 2. Área foliar consumida (%), (±EP) por lagartas de Chrysodeixis includens aos 7, 14, 21, 28 e 35 (DAE).

Fonte: Vieira (2017).

O difícil controle da falsa-medideira pode estar relacionado com sua maior frequência e, consequentemente, maior população da praga em relação as demais lagartas.

Para a lagarta-da-soja, as diamidas (Clorantraniliprole e Ciantraniliprole) apresentaram controle inicial e mantiveram seu efeito por um longo tempo.

Tabela 3. Área foliar consumida (%), (±EP) por lagartas de Anticarsia gemmatalis aos 14, 21, 28 e 35 (DAE).

Fonte: Vieira (2017).

Na figura 3, é possível observar o rendimento de grãos (kg/ha) após o controle químico com sementes tratadas. O grupo químico das diamidas cessam a alimentação das lagartas e garantem bom controle e rendimento.

Figura 3. Rendimento de grãos (Kg/ha) nos diferentes tratamentos aplicados nas sementes de soja.

Fonte: Vieira (2017).

Em relação ainda ao rendimento de grãos (kg/ha), em uma pesquisa de Carvalho (2015), evidenciou que o nível de desfolha tanto na fase vegetativa (V9) quanto na reprodutiva (R5.1), causam grandes prejuízos ao produtor.


Veja também: Avaliação de inseticidas para o controle de falsa medideira Chrysodeixis includens (Lepidoptera: Noctuidae) na soja


Tabela 4. Rendimento de grãos (kg/ha) durante as fases da soja submetida a níveis de desfolha.

Fonte: Carvalho (2015).

Como estratégia para maior tolerância da desfolha, podemos adotar cultivares com hábitos de crescimento indeterminado. Elas se recuperam mais facilmente que cultivares determinadas em relação à desfolha, pois continuam emitindo folhas novas constantemente, mesmo na fase reprodutiva.

Figura 4. Altura média das plantas (cm) de crescimento determinado e indeterminado em relação à desfolha (%).

Fonte: Bueno et al. (2010).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Plantas de soja apresentam grande capacidade de recuperação das desfolhas. Contudo, mesmo com a emissão de folhas novas, podemos notar que as injúrias reduzem a capacidade das plantas de demonstrarem seu máximo potencial.

Os níveis de desfolha interferem na altura, número de vagens e produtividade. Em estudos de Souza et al. (2014), ocorre redução de mais de 50% do número de flores totais. No entanto, a planta consegue compensar em estágios mais avançados. Assim, é importante manter o nível de controle dos insetos abaixo do nível de dano econômico, a fim da planta se recuperar e conseguir contornar a falta de fotoassimilados para a formação dos grãos.

Cultivares com hábitos de crescimento indeterminado, apresentam menores perdas de produtividade relacionadas a desfolha.



REFERÊNCIAS

BUENO, A. F.; BATISTELA, M. J.; MOSCARDI, F.Níveis de desfolha tolerados na cultura da soja sem a ocorrência de prejuízos à produtividade. Londrina: Embrapa Soja, 2010. (Circular técnica 79).

CARVALHO, Nathália Leal. Reavaliação dos níveis de tolerância ao desfolhamento, em soja. 2015.

DE SOUZA, Velci Queiróz et al. Caracteres morfofisiológicos e produtividade da soja em razão da desfolha no estádio vegetativo. Científica, v. 42, n. 3, p. 216-223, 2014.

FONTOURA, Tatiana Brum; COSTA, José Antonio; DAROS, Edelclaiton. Efeitos de níveis e épocas de desfolhamento sobre o rendimento e os componentes do rendimento de grãos da soja. Scientia Agraria, v. 7, n. 1-2, p. 49-54, 2006.

SANTOS, M. A.  et al. SIMULAÇÃO DE DESFOLHAS EM DIFERENTES ESTÁDIOS VEGETATIVO NA CULTURA DA SOJA. In: Colloquium Agrariae. 2018.

VIEIRA, Elizete Cavalcante de Souza et al. Efeito de inseticidas aplicados nas sementes de soja sobre o controle da lagarta-elasmo e na mortalidade e consumo foliar de lagartas desfolhadoras da cultura. 2017.

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Redação: Equipe Mais Soja.

 

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