As cotações do milho, em Chicago, ensaiaram um recuo durante a semana, porém, com o anúncio do relatório de oferta e demanda do USDA, no dia 12/10, voltaram aos níveis da semana anterior, fechando a quinta-feira (12) em US$ 4,96/bushel, contra 4,97 uma semana antes.

O relatório indicou, para 2023/24, que a safra total de milho nos EUA, atualmente em  colheita, ficará em 382,6 milhões de toneladas, com recuo de quase dois milhões de toneladas sobre setembro. Já os estoques finais daquele país ficariam em 53,6 milhões, diminuindo em quase três milhões de toneladas o número indicado em setembro. Com isso, o preço médio ao produtor estadunidense do cereal está, agora, estimado em US$ 4,95/bushel. A produção mundial de milho não se modificou, ficando em 1,214 bilhão de toneladas, porém, os estoques finais mundiais foram reduzidos em aproximadamente 1,5 milhão, ficando em 312,4 milhões de toneladas. Em tal contexto, a produção brasileira está projetada em 129 milhões de toneladas e a da Argentina em 50 milhões.

Dito isso, no dia 08/10 a colheita do milho, nos EUA, atingia a 34% da área, contra 31% na média histórica. Por sua vez, 53% das lavouras, ainda a colher, apresentavam condições entre boas a excelentes, outros 29% estavam regulares e 18% entre ruins a muito ruins.

Enquanto isso, no Brasil, os preços do milho reagiram na B3 e se mantiveram estáveis, porém, com viés de alta no mercado físico. A média gaúcha ficou em R$ 52,74/saco no fechamento da semana, enquanto nas principais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 35,00 e R$ 55,00/saco. Destaque para os valores praticados nos principais portos nacionais, os quais deixaram para trás o patamar dos cinquenta reais por saco, fechando a semana entre R$ 62,00 e R$ 63,00/saco CIF. Já na B3, o fechamento da quarta-feira, véspera do feriado nacional, os contratos mais próximos igualmente deixaram para trás, por enquanto, o patamar dos cinquenta reais. Assim, o vencimento novembro/23 foi cotado à R$ 61,33/saco, o janeiro/24 valeu R$ 65,13, o março/24 foi negociado por R$ 68,83, e o maio/24 chegou a R$ 67,70/saco.

Esta melhoria, nestas cotações em geral, se deu em função do melhor valor nos portos nacionais, graças ao bom ritmo das exportações, finalmente, neste segundo semestre. Segundo o Cepea/Esalq “muitos vendedores recuaram das negociações no mercado físico nacional, uma vez que não há necessidade de fazer caixa, e as preocupações relacionadas à armazenagem estão se reduzindo. Assim, esses agentes têm pedido valores maiores nas novas vendas, enquanto os compradores relatam dificuldades nas aquisições, e os que buscam repor estoques e/ou comprar novos lotes precisam pagar valores maiores.”

Dito isso, o plantio da nova safra de verão chegou a 37% no Centro-Sul brasileiro, com  a presença de muita chuva em algumas regiões e, novamente, da praga da cigarrinha. Os Estados mais avançados, até o final da primeira semana de outubro, eram o Paraná (82%), Santa Catarina (66%), Rio Grande do Sul (65%), São Paulo (5%) e Minas Gerais (1,2%). (cf. AgRural e Conab)

Já pelo lado das exportações do cereal, nos primeiros cinco dias úteis de outubro o Brasil exportou 2,35 milhões de toneladas, o que representa 34,6% do total exportado em todo o mês de outubro de 2022. Assim, a média diária de exportação está 31,5% acima do exportado em outubro do ano passado. Com isso, para o ano civil 2023, o Brasil deverá mesmo chegar a mais de 50 milhões de toneladas vendidas ao exterior, fato que está segurando os preços internos do cereal.

Segundo a Anec, para outubro todo se prevê uma exportação de 9,17 milhões de toneladas de milho neste momento, superando as 6,17 milhões exportadas em outubro de 2022.

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Fonte: Informativo CEEMA UNIJUI

Autor: Prof. Dr. Argemiro Luís Brum

Professor Titular do PPGDR da UNIJUI, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUI).

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