As manchas foliares acometem a cultura do trigo, causando significativas perdas de produtividade. Uma série de doenças integram o complexo de manchas foliares do trigo. Segundo Simmi et al. (2020), dependendo da doença, as perdas de produtividade podem chegar a 80%.
Além da redução da produtividade do trigo, as manchas foliares também causam impacto negativo sobre a qualidade do trigo produzido. O impacto, tanto quantitativo quanto qualitativo varia de acordo com a severidade da doença e o estádio em que acomete o trigo. Contudo, no geral, pode-se dizer que, quanto mais cedo as manchas foliares incidem sobre o trigo, maiores as perdas de produtividade.
Figura 1. Escala de severidade de sintomas de manchas foliares em trigo. Os números indicados abaixo das imagens correspondem às notas e a percentagem de severidade correspondente.

A maioria dos patógenos causadores das manchas foliares são fungos necrotróficos, ou seja, permanecem viáveis e se multiplicam nos resíduos culturais. Com isso, as principais medidas de controle consistem na rotação de culturas, no emprego de fungicidas e no uso de cultivares resistentes (Santana et al., 2012).
Em função da alta relação C/N da palhada do trigo, é comum observar a presença de resíduos do trigo na safra seguinte. A persistência da palhada do trigo contribui para a manutenção dos fungos necrotróficos, possibilitando que o trigo cultivado em sucessão seja infectado ainda nos estádios iniciais do seu desenvolvimento.
Com isso, é comum observar a presença de manchas foliares em plantas em estádio de perfilhamento, em lavouras de “trigo sobre trigo”, em função da elevada pressão de inóculo e das condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento das doenças. Nesse sentido, tem-se avaliado a necessidade da realização de uma aplicação antecipada de fungicidas no trigo (aplicação zero).
A aplicação zero é um termo que ganhou força nas últimas safras na cultura da soja, em função da elevada pressão de doenças. Como na soja, em cenários em que há elevada pressão de inóculo, a aplicação zero pode contribuir para o aumento da sanidade das lavouras de trigo.
Essa aplicação consiste no emprego de fungicidas como triazóis e estrobilurinas durante o perfilhamento do trigo, podendo ser realizada em conjunto com a aplicação de herbicidas na cultura. O intuito é reduzir o inóculo e a evolução das manchas foliares, principalmente em áreas de trigo sobre trigo.
Conforme destacado pelo professor e pesquisador Marcelo Madalosso, essa prática contribui para a quebra do ciclo das manchas foliares no início do desenvolvimento do trigo. Entretanto, vale destacar que, para a aplicação zero, deve-se adicionar um fungicida ao programa de manejo, e não antecipar as aplicações já programadas, trabalhando com misturas com triazóis e estrobilurinas.
Figura 2. Aplicação zero em trigo.

Confira o vídeo abaixo com as dicas do professor e pesquisador Marcelo Madalosso.
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Referências:
FERREIRA, A. et al. EFICIENCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DE MANCHAS FOLIARES DO TRIGO: RESULTAFOS DA REDE DE ENSAIOS COOPERATIVOS DO TRIGO – SAFRA 2022. Embrapa, circular técnica, 82. Passo Fundo – RS, 2023. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/doc/1155430/1/Circular-Tecnica-82.pdf > acesso em: 24/04/2024.
SANTANA, F. M. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE TRIGO. Embrapa, Documentos, n. 108. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/990828/manual-de-identificacao-de-doencas-de-trigo >, acesso em: 24/05/2024.
SIMMI, F. Z. et al. COMO CONTROLAR MANCHAS FOLIARES EM TRIGO. Revista Cultivar, Grandes Culturas, ed. 204, 2020. Disponível em: < https://revistacultivar.com.br/artigos/como-controlar-manchas-foliares-em-trigo#:~:text=Entre%20as%20principais%20doen%C3%A7as%20f%C3%BAngicas,%C3%A0%20qualidade%20fisiol%C3%B3gica%20das%20sementes. >, acesso em: 24/05/2024.