Por Argemiro Luís Brum

As cotações da soja, em Chicago, continuaram despencando nesta última semana de julho. O bushel, para o primeiro mês cotado, fechou a quinta-feira (31) em US$ 9,61, contra US$ 10,04 uma semana antes. Esta é a menor cotação desde meados de dezembro do ano passado.

O clima nos EUA, para a atual safra de soja, continua muito positivo, sendo que em 27/07 havia 70% das lavouras entre boas a excelentes, após 68% na semana anterior e 67% um ano atrás. Por outro lado, naquela data, 76% das lavouras estavam em fase de florescimento e 41% estavam na fase de formação de vagens.

Já os embarques estadunidenses de soja, na semana encerrada em 24 de julho, atingiram a 409.714 toneladas, ficando dentro das expectativas do mercado. Assim, em todo o atual ano comercial os embarques já somam 47,2 milhões de toneladas, 10% a mais do que há um ano.

Por sua vez, além do clima positivo, ajuda a pressionar para baixo as cotações da soja o fato de que as negociações comerciais entre EUA e China não avançaram suficientemente, na reunião do último final de semana na Suécia, especialmente no que diz respeito ao complexo soja. Para piorar o quadro, os chineses estariam reduzindo sua produção de suínos, o que limitaria o consumo e suas importações de farelo e grãos de soja (cf. Successful Farming). O excesso de suínos levou a uma deflação nos preços dos animais, com os mesmos recuando 29% desde agosto/24 no país asiático (cf. Reuters). Enfim, não há sinais de que a China voltará a comprar soja, de forma significativa, dos EUA, pelo menos enquanto durar o conflito comercial provocado por Trump. “As tarifas continuam como estão. Sobre a soja americana a tarifa é de 13%. Sem a China, os EUA vão ter que continuar revisando para baixo suas estimativas de exportação” (cf. Agrinvest Commodities).

Com isso, os prêmios no Brasil se mantêm firmes, sustentados pelo espaço que os EUA estão deixando no mercado chinês, fato que segura os preços da soja, no interior do país, nos atuais níveis. Além disso, o câmbio voltou a se aproximar de R$ 5,60 por dólar, dentro do contexto das tensões comerciais com os EUA, o que ajuda a segurar os preços da oleaginosa. Assim, as principais praças gaúchas trabalharam com valores ao redor de R$ 121,00/saco, embora a média local tenha chegado a R$ 124,64. No restante do país, os preços oscilaram, nesta semana, entre R$ 111,00 e R$ 122,00/saco. Caso o mercado estivesse sem as atuais tensões comerciais, o preço médio no Rio Grande do Sul, diante do atual nível de Chicago, estaria em torno de 110,00/saco, ou seja R$ 14,64/saco a menos do que a média existente neste final de julho.

Dito isso, em um movimento considerado raro pelo mercado, a Índia comprou 150.000 toneladas de óleo de soja da China, pois os chineses estão com excesso de oferta deste subproduto e passam a vendê-lo com desconto em relação aos preços do Brasil e da Argentina. As moageiras chinesas compraram muita soja enquanto a demanda interna freou. Com isso, ofereceram desconto entre US$ 15,00 e US$ 20,00/tonelada de óleo em relação ao produto sul-americano. Aliás, na China há excesso igualmente de farelo de soja. Além disso, para a Índia, comprar da China reduz os custos de frete pela proximidade geográfica em relação ao Brasil e a Argentina. Os envios da América do Sul levam mais de seis semanas para chegar à Índia, enquanto os da China chegam em duas a três semanas. “Quase dois terços da demanda da Índia por óleo vegetal é atendida por meio de importações de óleo de palma, principalmente da Indonésia e da Malásia, bem como óleo de girassol e óleo de soja da Rússia e da Ucrânia, além da Argentina e do Brasil” (cf. Reuters).

E aqui no Brasil, a entressafra, os prêmios elevados e a pequena desvalorização do Real nestas últimas semanas vêm dando sustentação aos preços, como vimos. Mas os preços ainda estão, em boa parte do país, abaixo daqueles praticados um ano atrás. De fato, no final de julho de 2024, a média gaúcha era de R$ 122,78/saco e as principais praças praticavam R$ 124,00. No restante do país o saco da oleaginosa girava entre R$ 118,00 e R$ 128,00/saco no final de julho de 2024.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).



 

FONTE

Autor:Informativo CEEMA UNIJUÍ

Site: Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

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