Por Dr. Argemiro Luís Brum
O primeiro mês cotado, em Chicago, apontou que o bushel de milho continuou em níveis baixos. O fechamento desta quinta-feira (28) ficou em US$ 3,85, contra US$ 3,87 uma semana antes. São 25 dias úteis consecutivos abaixo dos US$ 4,00. Isso não ocorria desde agosto do ano passado.
Por outro lado, a qualidade das lavouras estadunidenses, no dia 24/08, indicava que 71% das mesmas estavam entre boas a excelentes, 21% regulares e apenas 8% entre ruins a muito ruins. Lembrando que a colheita do cereal, nos EUA, inicia em setembro.
Segundo analistas privados, confirma-se a tendência de uma safra recorde de milho nos EUA, com um total estimado de 411,7 milhões de toneladas (o USDA avança uma safra ainda maior, na altura de 425,3 milhões de toneladas segundo o relatório do dia 12/08). A produtividade média poderá alcançar a 11.467 quilos/hectare (191,1 sacos/ha).
E no Brasil, os preços do milho se mantiveram estáveis, com a média gaúcha ficando em R$ 61,68/saco e as principais praças trabalhando com os mesmos R$ 59,00 a R$ 60,00 das últimas semanas. Já no restante do país, os preços giraram entre R$ 44,00 e R$ 64,00/saco.
A colheita da safrinha está praticamente encerrada no país. Até o dia 21/08 o CentroSul apontava 98% colhido, enquanto o plantio da safra nova de verão atingia a 3,2% da área esperada (cf. AgRural).
Por sua vez, a Conab indicava que, até o dia 23/08, a colheita brasileira atingia a 94,8% da área nacional. Particularmente, no Paraná, segundo o Deral, enquanto o plantio da safra de verão 2025/26 atingia a 1% do total estimado no estado, a colheita da safrinha se encaminhava para a conclusão em várias regiões, com produtividades variando de acordo com os efeitos da seca, geadas e acamamento. “Em alguns municípios paranaenses as perdas chegaram a superar 50% da produção, embora, no geral, as produtividades tenham permanecido próximas ao esperado”. Segundo a Conab, a produção total, da atual safrinha nacional, chegaria a 109,6 milhões de toneladas, contra 90,1 milhões um ano antes. Já a produção total de milho no país (considerando as três safras) atingiria a 137 milhões de toneladas, contra 115,5 milhões um ano antes. Com isso, a safrinha teria um crescimento de 21,6% e a safra total do cereal 18,6%. Isso explica em muito porque os preços do milho não reagem.
Já analistas privados estimam que a safra total nacional possa chegar a 138,4 milhões de toneladas em 2025/26 (cf. AgResource Brasil).
Por outro lado, as exportações brasileiras de milho continuam avançando bem em agosto. Nos primeiros 16 dias úteis do mês o volume alcançou 4,96 milhões de toneladas, correspondendo a 81,8% do volume exportado em todo o mês de agosto de 2024. Assim, a média diária de embarques supera em 12,5% o resultado de agosto do ano passado (cf. Secex).
Enfim, a logística interna brasileira continua atrapalhando as exportações nacionais. O Brasil conta com capacidade estática de armazenagem equivalente a 70% da produção de soja e milho, segundo a Conab, enquanto nos EUA esse índice é de 130%. Apenas 17% do armazenamento está dentro das propriedades rurais, contra 65% nos EUA. Diante deste problema crônico que temos, os produtores são forçados a vender logo após a colheita, quando há maior concentração de oferta e pressão sobre preços e espaço nos portos. Além disso, temos uma malha rodoviária muito ruim na maioria das regiões, o que aumenta os custos e limita a cadência dos embarques. 60% dos grãos brasileiros são escoados por caminhão ainda hoje (cf. Biond Agro).
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).