Por Dr. Argemiro Luís Brum
As cotações da soja em Chicago, nesta última semana de agosto, permaneceram mais firmes, com a média semanal sendo a melhor do mês. O primeiro mês cotado fechou em US$ 10,28/bushel na quinta-feira (28), contra US$ 10,34 uma semana antes. Lembrando que no dia 1º de agosto o fechamento havia sido de US$ 9,61/bushel.
Por enquanto, tal movimento está muito ligado as expectativas de retorno da China às compras de soja estadunidense, as quais ainda não se confirmaram. Afinal, a qualidade das lavouras nos EUA continua muito boa, indicando uma safra importante, mesmo que um pouco menor do que o inicialmente esperado (a mesma ainda pode surpreender para melhor).
Assim, no dia 24 de agosto 69% das lavouras estadunidenses se apresentavam entre boas a excelentes, 23% regulares e apenas 8% entre ruins a muito ruins.
Por sua vez, as mais recentes estimativas de colheita nos EUA apontam uma safra muito positiva neste final de ano, com um total a ser colhido de 115,6 milhões de toneladas e uma produtividade média de 3.562 quilos/hectare (59,4 sacos/hectare) (cf. Pro Farmer). O volume total indicado pela iniciativa privada é levemente inferior aos 116,8 mihões de toneladas apontados pelo USDA em seu relatório do 12/08.
E no Brasil, os preços recuaram um pouco na medida em que o câmbio ficou ao redor de R$ 5,41 por dólar, Chicago cedeu um pouco durante a semana e os prêmios estacionaram. A média gaúcha ainda registrou um valor elevado, a R$ 126,12/saco, porém, as principais praças locais trabalharam em R$ 123,00. Já nas demais regiões do país, os valores oscilaram entre R$ 116,00 e R$ 124,00/saco.
Efetivamente, o destaque segue sendo os prêmios elevados, puxados pelas compras chinesas. O produto disponível ainda alcança prêmios entre US$ 1,60 e US$ 1,70/bushel, fato que leva os preços nos portos um pouco acima de R$ 140,00/saco. Entretanto, para a nova safra o ritmo de comercialização segue lento, sendo o mais atrasado em 10 anos no país. Além disso, os preços base porto para a safra nova estão entre R$ 5,00 e R$ 8,00/saco menores do que os do produto da safra 2024/25, o que ajuda a explicar as baixas vendas futuras (cf. Brandalizze Consulting).
Por sua vez, a safra de soja brasileira, para o novo ano 2025/26, está estimada entre 175 e 176,5 milhões de toneladas. Neste último caso seria um aumento de 3% sobre este último ano, segundo a AgResource Brasil. Isso porque se espera um aumento entre 1,5% e 2% na área total semeada, com a mesma podendo chegar a 48,7 milhões de hectares.
Vale destacar que, em Goiás, a última safra de soja bateu um recorde, com uma produção de 20,4 milhões de toneladas, crescendo 21,4% sobre o ano anterior. Com isso o Estado de Goiás passou a líder nacional em produtividade e ficou em terceiro lugar nacional em volume produzido, desbancando o Rio Grande do Sul, que colheu apenas 14,3 milhões de toneladas devido a uma nova seca que atingiu o Estado. O Paraná ficou em segundo lugar na produção, com 21,5 milhões de toneladas, enquanto a liderança se manteve com o Mato Grosso, com uma produção total de 50,6 milhões de toneladas. Sozinho, este estado representa 29,8% da produção nacional, calculada em 169,6 milhões de toneladas em 2024/25 (cf. Conab). A área semeada em Goiás passou para 4,9 milhões de hectares de soja, com alta de 2,5% em comparação a 2023/24. Já a produtividade subiu 18,4%, alcançando a marca histórica de 4.100 quilos por hectare (68,3 sacos/ha).
Enfim, a exportação do complexo soja brasileiro (grão, farelo e óleo) e milho, somadas, deverá atingir a 18,8 milhões de toneladas em agosto, batendo o recorde mensal. Estima-se embarques de 8,9 milhões de toneladas de soja, 2,1 milhões em farelo e 7,8 milhões de toneladas de milho (cf. Anec).
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).