Comentários referentes à 28/03/2025, por T&F Agroeconômica
FECHAMENTOS DO DIA 28/03

O contrato de soja para maio, referência para a safra brasileira, fechou em alta de 0,61%, ou $ 6,25 cents/bushel a $ 1023,00. A cotação de julho, fechou em alta de 0,66 % ou $ 6,75 cents/bushel a $ 1037,25. O contrato de farelo de soja para maio fechou em baixa de -0,34 % ou $ -1,0 ton curta a $ 293,5 e o contrato de óleo de soja para maio fechou em alta de 2,01 % ou $ 0,89/libra-peso a $ 45,16.

ANÁLISE DA ALTA

A soja negociada em Chicago fechou o dia e a semana em alta. A soja recebeu ao longo da semana o suporte do óleo de soja, que valorizou mais de 7,5% na semana, com forte valorização concentrado nesta quinta e sexta.

No entanto o mercado está atento a alguns dados significativos. As importações chinesas de soja no primeiro trimestre de 2025 devem cair substancialmente abaixo do ritmo do ano passado, com uma expectativa de 13,6 milhões de toneladas entre janeiro e março, segundo um executivo da Yihai Kerry Arawana Holdings Company. A China (e destinos “desconhecidos”) cancelaram a compra de um volume significativo de soja da nova safra essa semana, onde o mercado já começa a temer uma reação a imposição de diversas tarifas do governo americano sobre os chineses.

O relatório trimestral do USDA será divulgado no começo desta semana, onde o mercado espera um aumento nos estoques de soja nos EUA. Com isso a soja fechou o acumulado da semana em alta de 1,31% ou $ 13,25 cents/bushel. O farelo de soja caiu -2,26% ou $ -6,8 ton curta. O óleo de soja teve forte valorização de 7,50% ou $ 3,15 libra-peso.

FATORES DE ALTA

a) EUA-maior demanda por biodiesel: Graças ao óleo, a soja encerrou a sessão e a semana com saldo positivo em Chicago. Os ganhos significativos do subproduto pelo segundo dia consecutivo (a posição de maio hoje somou US$ 19,62 e foi ajustada para US$ 995,59 por tonelada) se devem à possibilidade de maior uso do biodiesel na redução obrigatória do consumo de combustíveis fósseis nos Estados Unidos, iniciativa apoiada por representantes da indústria petrolífera e produtores de biocombustíveis após uma série de reuniões realizadas a pedido da Casa Branca;

b) Índia reduz tarifas de importação: Decisão tomada hoje pelo governo indiano — o maior importador mundial de óleos vegetais — de oferecer cortes de tarifas sobre as principais importações agrícolas dos Estados Unidos.

FATORES DE BAIXA

a) Incerteza gerada pela escalada tarifária liderada pela Casa Branca, que afeta particularmente o principal comprador mundial de soja, a China, com tarifas já em vigor contra ela de 20%. com a possibilidade de outros 25% por ser o país que mais importa petróleo venezuelano, e com a possível aplicação de maiores taxas portuárias contra embarcações relacionadas àquele país o que, paradoxalmente, também afetaria a competitividade das exportações norte-americanas ao encarecer a logística;

b) Melhora na umidade para as lavouras americanas: Com a temporada de plantio de soja 2025/2026 programada para começar nos Estados Unidos nas próximas duas semanas, o USDA reduziu nesta semana a área normalmente usada para a oleaginosa que sofre algum grau de seca de 42% para 36%, ante 20% no mesmo período em 2024.

c) Colheitas na América do Sul: O crescimento da soja também foi limitado pela entrada no mercado da safra recorde do Brasil, projetada ontem pela empresa Agroconsult em 172,10 milhões de toneladas, acima dos 171,30 milhões esperados em fevereiro e dos 169 milhões estimados pelo USDA. O início iminente da colheita de oleaginosas na Argentina, que fornecerá novos grãos para moagem para impulsionar as exportações de subprodutos, também limitou o escopo da produção de soja;

d) No Brasil, a entrada de uma safra 28 milhões de toneladas maior deixa despreocupados os compradores, sejam indústrias ou exportadores. Os preços da soja no Brasil recuaram 0,50% nesta sexta-feira, 0,68% na semana, 1,45% no mês e 4,74% no ano de 2025 e tendem a recuar mais, em nossa opinião, seguindo esta maior oferta. A menos, é claro, que haja problemas climáticos sérios na safra americana que começará a ser plantada em maio ou alguma alteração geopolítica forte (que não está afastada) no decorrer do ano.

Fonte: T&F Agroeconômica



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