Os enfezamentos do milho (figura 1), causados por molicutes, têm se destacado nas últimas safras, como uma das principais fontes da redução de produtividade das lavouras de milho. Os enfezamentos são transmitidos de forma persistente propagativa pela cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis, considerada o principal vetor de transmissão dos enfezamentos e que se hospeda obrigatoriamente em plantas de milho.

Figura 1. A – Enfezamento-vermelho causado pelo fitoplasma Maize bushy stun e B – Enfezamento-pálido causado pelo espiroplasma Spiroplasma kunkelii.

Embora os danos e sintomas sejam observados em estádios mais avançados do desenvolvimento do milho, a infecção das plantas ocorre ainda nos estádios inicias da cultura. Além do controle químico com o emprego de inseticidas durante o período crítico (VE a V5), uma das principais estratégias para o combater os enfezamentos consiste na redução populacional do seu vetor, a cigarrinha.


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O ciclo de vida da cigarrinha Dalbulus maidis, de ovo a adulto, é em torno de 45 dias. Sob condições favoráveis de temperatura, 26 e 32 ºC, o ciclo pode ser completado em 24 dias. Na fase adulta as fêmeas podem depositar cerca de 14 ovos/dia, totalizando em média, 611 ovos durante seu ciclo (Cota et al., 2021), ou seja, a praga apresenta elevada capacidade reprodutiva e rápido desenvolvimento.

Figura 2. Cigarrinha-do-milho Dalbulus maidis.
Fonte: Portal Bold System
Controle do milho tiguera

Controlar as plantas de milho voluntárias (milho tiguera), contribui para a redução populacional da praga, e consequentemente da transmissão dos enfezamentos, uma vez que o milho é considerado hospedeiro obrigatório da cigarrinha Dalbulus maidis.

Em vídeo, o Pesquisador Mário Bianchi, explica que, dentre as principais ferramentas para o controle químico do milho voluntário, destacam-se os herbicidas inibidores da ACCase, popularmente conhecidos como graminicidas, a exemplo do Clethodim, do Haloxyfop e do Quizalofop.

Esses herbicidas podem ser empregados no controle químico do milho tiguera, normalmente com boa eficácia de controle, desde que, respeitadas as recomendações de dose e estádio de aplicação. No geral, plantas de milho de menor estatura tendem a ser controladas mais facilmente. Deve-se dar preferencia pelo controle do milho tiguera entre 2 a 4 folhas.

Segundo Bianchi, o uso desses herbicidas não requer período de carência entre a pulverização e a semeadura da cultura sucessora, podendo ser empregados no controle do milho tiguera, antecedendo a semeadura de gramíneas como pastagens e/ou gramíneas de inverno.


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Outro herbicida que pode ser utilizado para o controle do milho tiguera é o Diquat, (Inibidor do Fotossistema I), no entanto, ele requer cuidado ainda maior com o estádio de desenvolvimento do milho, devendo ser empregado nos estádios iniciais da planta daninha, preferencialmente até 2 folhas.

Vale destacar que, o controle do milho tiguera deve ser preferencialmente realizado antes do estabelecimento de gramíneas em sucessão, visto, que, os herbicidas utilizados para o controle do milho tiguera também possuem ação sobre as demais gramíneas.

Em suma, quanto maior período de sobrevivência do milho tiguera na área de cultivo, maior sua capacidade de competição com a cultura estabelecida e maior o número de cigarrinhas hospedadas. Logo, o controle do milho nos estádios iniciais não é só uma recomendação para o melhor controle químico, como também para a redução das populações da cigarrinha-do-milho.

Em sistemas de produção em que o milho safra antecede a cultura da soja (safrinha), o emprego de herbicidas pré-emergentes como  Diclosulam, que apresentam boa eficiência no controle do milho, pode ser uma interessante ferramenta na pré-semeadura da soja para reduzir os fluxos de emergência do milho tiguera.


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Confira o vídeo abaixo com as dicas do Pesquisador Mário Bianchi.


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Referências:

COTA, L. V. et al. MANEJO DA CIGARRINHA E ENFEZAMENTOS NA CULTURA DO MILHO. Embrapa Milho e Sorgo, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1130346/manejo-da-cigarrinha-e-enfezamentos-na-cultura-do-milho >, acesso em: 21/06/2024.

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