Várias características importantes dos inseticidas, como velocidade de ação, espectro de controle e toxicidade no ambiente, são determinadas pelo seu modo de ação. Determinados grupos químicos atuam especificamente sobre um tipo de praga, como sugadores ou desfolhadores, enquanto outros apresentam amplo espectro de ação e baixa seletividade.

Além disso, o local do organismo onde o inseticida atua (ou seja, o seu sítio de ação) influencia no risco de surgirem populações de pragas resistentes a esse ingrediente ativo. Portanto, o conhecimento acerca dos modos de ação é fundamental para propiciar um manejo de pragas mais assertivo e sustentável.

Figura 1. Sítios de ação dos principais inseticidas químicos utilizados atualmente. A representação de um percevejo é meramente ilustrativa, já que vários desses inseticidas não apresentam efeito de controle sobre essa espécie.

Créditos da imagem: Henrique Pozebon e Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM.

Os inseticidas com ação neuromuscular representam o grupo mais numeroso e incluem alguns dos ingredientes ativos mais utilizados mundialmente. Vários deles são utilizados tanto em aplicações foliares quanto em tratamento de sementes, e alguns possuem ação sistêmica nas plantas. Carbamatos e organofosforados, por exemplo, atuam nas sinapses nervosas dos insetos (ou seja, nas conexões entre os neurônios), apresentando efeito rápido e amplo espectro de ação; por outro lado, são altamente tóxicos ao ser humano e outros organismos não-alvo.

As sinapses nervosas também constituem o sítio de ação dos neonicotinoides, largamente utilizados no controle de sugadores devido à sua ação sistêmica e longo residual; e das espinosinas, uma alternativa de controle para tripes e larvas minadoras. Embora prejudiciais às abelhas, os neonicotinoides apresentam baixa toxicidade para mamíferos; ao passo que as espinosinas estão entre os inseticidas mais seguros já descobertos.

Também atuantes sobre o sistema nervoso do inseto, mas em um sítio diferente (os canais de íons), piretroides e DDTs agem de forma extremamente rápida ao entrarem em contato com o inseto, causando o chamado “efeito de choque”; devido à sua ampla utilização, verifica-se a ocorrência de resistência a esses ingredientes ativos em diversas espécies de pragas. Além disso, não apresentam potencial de translocação nas plantas, tampouco efeito residual longo. Suas moléculas degradam-se rapidamente no solo e nas plantas, por ação dos raios UV, água ou oxigênio.

Ciclodienos (endosulfan) e fenilpirazois (fipronil) atuam de forma semelhante sobre uma grande variedade de pragas, embora apresentem maior toxicidade sobre organismos não-alvo. Canais de íons também representam o sítio de ação primário das diamidas, um dos grupos químicos mais recentes, com alta eficiência de controle sobre lepidópteros (lagartas) e determinados sugadores, associada à baixa toxicidade. Por fim, os inseticidas neuromusculares abamectina e pimetrozina são altamente seletivos, sendo utilizados no controle de ácaros e sugadores, respectivamente.

Embora haja outros inseticidas com ação neuromuscular, esses são os principais e mais utilizados. Lembrando que os nomes citados em negrito (carbamatos, organofosforados, etc.) representam os grupos químicos dos inseticidas, cada qual podendo conter vários ingredientes ativos diferentes.

Os piretroides, por exemplo, incluem mais de 40 inseticidas distintos, podendo ser encontrados em formulações comerciais de forma isolada ou em associação com neonicotinoides. Já o local primário (sítio) de ação do inseticida no organismo do inseto, associado ao processo fisiológico afetado, constituem o seu modo de ação propriamente dito. Para compreender melhor, veja a Figura 2.

Figura 2. Modo de ação, grupo químico e ingrediente ativo dos carbamatos e organofosforados. Cada ingrediente ativo pode apresentar uma ou mais formulações comerciais no mercado, de forma isolada ou combinada. O nome do ingrediente ativo é informado na bula do produto comercial.

Fonte: IRAC-BR. Para conferir a classificação dos demais inseticidas, clique aqui;

Ressalta-se que inseticidas dotados de novos modos de ação surgem no mercado apenas a cada cinco ou dez anos, denotando a importância de prevenir-se o surgimento de resistência em pragas por meio da rotação dos modos de ação nas lavouras. Na próxima semana, abordaremos os aspectos gerais da segunda grande classe de inseticidas: os reguladores de crescimento e desenvolvimento. Para saber mais sobre o funcionamento dos inseticidas neuromusculares, confira aqui. 

Revisão: Prof. Jonas Arnemann, PhD. e coordenador do Grupo de Manejo e Genética de Pragas – UFSM



REFERÊNCIAS:

SALGADO, V. L. 2013. BASF Insecticide Mode of Action Technical Training Manual. Disponível em: https://agriculture.basf.com/global/assets/en/Crop%20Protection/innovation/BASF_Insecticide_MoA_Manual_2014.pdf

IRAC. 2018. Mode of Action Classification Scheme.
Disponível em: https://www.irac-online.org/documents/moa-structures-poster-english/?ext=pdf

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