Na safra gaúcha 2018-2019, foram cultivados aproximadamente sete milhões de hectares com soja, milho e feijão, dentre outras culturas de verão. Já a atual safra de inverno conta com pouco mais de 1,3 milhão de hectares cultivados com trigo, canola, aveia preta, aveia branca e cevada.

Mesmo considerando as áreas utilizadas na integração lavoura-pecuária, ainda assim observamos a permanência de extensas áreas de lavoura em pousio durante o inverno, fato que contrasta com o conceito de sistema de plantio direto, o qual pressupõe a associação da prática da semeadura direta à rotação e à consorciação de culturas e à cobertura permanente do solo, com plantas que gerem ganhos econômicos e produzam resíduos vegetais.


É essa perspectiva que orienta a atuação da Emater/RS-Ascar na Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) no nosso Estado: a necessidade da rotação de culturas e a permanente cobertura do solo com plantas diversas. Não há respaldo agronômico e muito menos econômico para a prática contrária, de deixar nossas lavouras em pousio por cinco, seis ou até sete meses durante o ano.

Agronomicamente, cultivar trigo, aveia, cevada ou canola significa incorporar diversidade ao sistema produtivo, aumentar a produção de palhada – fundamental para o plantio direto, diversificar o ambiente radicular e proteger o solo das chuvas volumosas no inverno gaúcho.

Além disso, cultivar essas culturas oportuniza a correção de teores de nutrientes do solo através da adubação. O produtor que aduba uma vez por ano poderá levar dez anos para corrigir o solo; aquele que aduba duas vezes por ano terá o mesmo solo corrigido em apenas cinco anos.

Do ponto de vista da rentabilidade, é consenso que as lavouras de inverno remuneram com
uma margem bem menor do que aquela proporcionada pela soja, por exemplo. No entanto, para uma decisão estratégica que tenha em perspectiva o longo prazo, o produtor precisa analisar o conjunto dos cultivos num período que extrapole o de uma safra.

Só assim se pode constatar os ganhos que os cultivos de inverno proporcionam ao sistema, seja pelo aumento de produtividade das culturas subsequentes, seja pela otimização do uso dos recursos, inclusive o solo, e ainda por possibilitar um fluxo de caixa durante o ano.

Independente da opção – trigo, aveia, canola, cevada, centeio, triticale –, cultivar o solo no inverno é indispensável para que ano após ano alcancemos produtividades e rentabilidades crescentes. A Emater/RS-Ascar está a campo na orientação técnica aos agricultores para avançarmos na consolidação do sistema de plantio direto.

O desafio é de todos nós.

Por: Alencar Paulo Rugeri- Diretor técnico da Emater/RS e superintendente técnico da Ascar

Fonte: Emater/RS

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